domingo, 11 de maio de 2008

CAOS NO TRÂNSITO: UMA VIDA ABSURDA, ACEITA COMO NATURAL !

Cada novo aumento da produção automobilística é comemorado pela mídia. Compram-se automóveis em 99 prestações. Entupidas, as cidades param. Estaremos, como diz Paulo Mendes da Rocha, nos dedicando a aprimorar a máquina de produzir veneno que inventamos?
José Correa Leite, do Le Monde Diplomatique, (06/05/2008)
O governo, os empresários e a mídia comemoraram, em 2007, a produção de três milhões de automóveis no Brasil. Agora, ambicionam uma meta ainda maior. Grande parte desses carros foi vendida na cidade de São Paulo. Todos os dias, 650 novos automóveis (além de 250 motos) são licenciados. São apenas os últimos acréscimos a uma frota de seis milhões de veículos — a segunda do mundo. A capital paulista enfrenta um trânsito cada vez mais lento, forçando grande parte da população a passar horas e horas em congestionamentos.
Apesar do aumento do preço do petróleo, a indústria automobilística mundial conhece um de seus maiores booms. Fabricantes indianos e chineses introduzem no mercado veículos de 2.500 dólares, que cedo ou tarde chegarão aqui. No Brasil, carros zero são agora financiados em até 99 meses.
É perceptível que a velocidade de circulação nas cidades brasileiras está caindo rapidamente (o Rio de Janeiro está seguindo o caminho de São Paulo). Todos vêm sentindo as conseqüências tanto da irresponsabilidade das autoridades para com o transporte coletivo quanto da expansão sem barreiras da frota de veículos. A quantidade dos que rodam em São Paulo cresceu. Em um ano, houve um aumento de 7%, sendo três quartos automóveis que, normalmente, circulam apenas com seus motoristas. A enorme expansão do número de motocicletas (cerca de um milhão), autorizadas pela legislação em vigor a circular entre as faixas, também contribui para degradar o trânsito e aumentar as mortes em acidentes.
Os problemas não se restringem ao trânsito. A poluição, causada essencialmente pelos veículos, em São Paulo, voltou a piorar, agravando, também, as tendências ao aquecimento da região.
A cada dia, duas ou três horas da vida de dez milhões de pessoas seja jogada fora, num estresse sem propósito. Mas elas têm dificuldades de perceber seu caráter grotesco
Temendo desgastar-se, a prefeitura não adota medidas de restrição à circulação de veículos — como pedágios urbanos, praticados nas capitais européias, exclusão dos automóveis particulares do centro velho, aumento do rodízio (como fez a Cidade do México) e da fiscalização (um terço da frota é irregular), maiores restrições a caminhões no centro ou a simples expansão das zonas azuis. Também não acelera a criação de corredores exclusivos de ônibus, por pressão dos comerciantes e moradores das vias onde eles seriam implantados.
O prefeito Gilberto Kassab afirmou que os congestionamentos são resultado da falta de investimento municipal na expansão do metrô nos últimos 32 anos. Para Kassab, agora “não adianta chorar sobre o leite derramado”. O presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (e seu gestor em vários governos conservadores) Roberto Scaringella foi mais franco: não haverá “medidas radicais que dariam fluidez” ao trânsito, porque “podem impactar negativamente a economia”. “A conseqüência é que a gente terá de aprender a conviver com um número maior de quilômetros de lentidão. Quando eles se excedem, não gera um colapso da cidade, mas a deterioração e a delinqüência urbana”, completou Scaringella. Pressionada pela imprensa, a prefeitura acabou anunciando uma série de medidas, mas elas são cosméticas: redução do espaço para estacionamento em algumas ruas, divulgação de rotas alternativas às vias principais etc.
A atuação do governo do Estado também é marcada pela inação. Ele não acelera a expansão do metrô e, tampouco, cumpre as metas de construção da Linha 4 - Amarela, onde os métodos privatistas geraram sucessivos desastres e atrasos. Perdido em disputas menores de rateio dos custos com a prefeitura, o governo, nem mesmo, geri uma integração adequada com a rede de ônibus.
É absurdo que duas ou três horas por dia da vida de dez milhões de pessoas seja jogada fora, em um estresse sem propósito. Mas o sistema do automóvel está tão profundamente arraigado no imaginário das pessoas que elas têm dificuldades de perceber seu caráter grotesco. É aceito como natural ou inevitável, permitindo que governantes ajam de forma irresponsável.
No entanto, como afirma o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, “é como se tivéssemos inventado uma máquina de produzir veneno e, todo dia, nos empenhássemos em aprimorá-la. A questão dos transportes é fundamental. Não se trata, puramente, de introduzir conforto. Trata-se de ver que, queimar petróleo para transportar uma pessoa de 60 quilos numa lataria de 700 quilos, que não anda, é um erro grave. É repugnante ver a cidade congestionada de carros que não andam. A questão não é fazê-los andar, é ver que isso não tem saída, o transporte individual é uma bobagem. Construir túneis e viadutos é aprimorar a máquina do veneno. E já não importa que o carro não ande, porque você vê todo mundo lá dentro falando no celular, usando o laptop... É a rota do absurdo”.
O correto é que o uso do transporte individual seja desestimulado, o coletivo favorecido e o usuário do carro passe a pagar por todo o impacto que provoca
O proprietário do carro impõe, a toda sociedade, custos que ele não paga no IPVA ou quando compra o automóvel. Ocupação do espaço público (50% do território urbano em São Paulo é dedicado ao transporte), perda de tempo, danos à saúde de milhões de pessoas etc. O correto é que o uso do transporte individual seja desestimulado, o coletivo favorecido e o usuário do carro passe a pagar por todo o impacto que provoca.
Parece evidente que não se pode esperar nada dos governantes! Esse é um problema que São Paulo só poderá enfrentar se organizar um movimento cidadão que reúna força política para libertar a cidade da ditadura do automóvel. Uma mobilização com propósitos claros, capaz de impor uma expansão da oferta e qualidade do transporte público e reduzir o espaço para o carro.
Assistimos, nos últimos anos, ao acúmulo de uma série de problemas de novo tipo, gerados pela lógica sem freios do mercado. Esse cobram um preço humano e ambiental cada vez maior.
O caso mais notório é o do aquecimento global, resultado de toda a economia do petróleo, carvão e automóvel, associada ao consumismo desenfreado. Ela exige pensarmos a atividade produtiva em função das necessidades humanas e não da busca do lucro e, portanto, do crescimento. Mas, como manter o capitalismo sem a maior expansão possível?
E agora os moradores de São Paulo enfrentam as conseqüências da irracionalidade que representa a “racionalidade” do mercado. Cada um busca satisfazer seus desejos na lógica do transporte (ou do consumo) individual, sem que haja intervenção do poder regulador de caráter público tolhendo os absurdos que o consumismo carrega.
Todas são questões que colocam a necessidade de outra vida e de outra organização da nossa sociedade em discussão.
COMENTO:

Em um país que se industrializou rapidamente, a produção e a venda de automóveis sempre representou crescimento da indústria e ao mesmo tempo, é sinônimo de que o país está crescendo.
O que esta reportagem acima quer mostrar, que os interesses dos grandes conglomerados econômicos ligados ao setor automotivo, em nada quer se preocupar com a qualidade de vida das pessoas, ou da população de maneira em geral, isso, se dá, pelo simples fato da concorrência na produção e no consumo, e pelo fato também, do governo estar a cada dia, facilitando mais e mais o acesso aos bens, com a aumento do crétido para pessoa física.
As consequências vistas na imagem acima, acompanhada do aumento do caos nas cidades, é o fato mais marcante, e o que fazer? planilhas e mais planilhas estão sobre as mesas com projetos que tentam ou tentariam resolver tais situações, o caos, a desorganização no trânsito, e acredite, um planejamento urbano pode ser uma solução, dentre as muitas já pensadas e nbão ainda levadas a cabo pelos administradores, que na maioria das vezes só aparecem com soluções em anos de eleições.
Uma vez, ouví alguém me dizer, que no mundo neoliberal, vivemos a lei do "salve-se quem puder", eu acredito que a ela, pode ser creditada, a frase : "que vença o melhor" ?

EU CONCORDO COM, E DISCORDO DE, SEMANA 06 a 10 DE MAIO

EU CONCORDO COM
Dossiê : duas hipóteses e um único tomEstá sendo apresentado pela imprensa, em bloco, um "laudo técnico" feito para a Casa Civil na investigação dos computadores do Palácio do Planalto na investigação sobre quem vazou o que os meios de comunicação chamam de "dossiê com os gastos da presidência no governo Fernando Henrique". Quem deu o furo foi o Jornal Nacional, segundo quem "a investigação mostra que as informações sigilosas foram divulgadas por um funcionário da Casa Civil".O destaque dado pela imprensa ao fato de que a documentação saiu da Casa Civil esconde o que realmente revela de novo o laudo do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI) , ou seja, que a divulgação dos dados sigilosos foi mesmo obra do senador pelo PSDB paranaense Álvaro Dias, pois nunca houve dúvida de que os dados tinham saído do Palácio do Planalto, pois é lá que esses dados estavam armazenados e isso nunca foi negado pelo governo federal.Outro dado novo é o nome do responsável pelo computador de onde saíram os dados sobre os gastos de FHC. José Aparecido Nunes Pires é secretário de controle interno da Casa Civil e enviou o material para André Eduardo da Silva Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias, do PSDB.Segundo o Jornal Nacional dá a entender, a Globo já estava de posse dos dados há dois dias e só os divulgou ontem à noite. A retenção das informações é mais significativa do que elas próprias. E o que dá a entender que houve tal retenção foi a seguinte locução da reportagem do JN: "Na terça-feira, Zé Aparecido prometeu entregar cópias dos e-mails trocados com André para provar que o anexo do e-mail não era o dossiê". O assunto, portanto, já vinha sendo desenrolado nos bastidores antes de vir a público.Ao contrário do tom do noticiário, a revelação do nome de quem entregou a documentação a Álvaro Dias e a confirmação de que foi do senador tucano que partiu a divulgação do "dossiê" para a imprensa é que são os fatos novos. E mais: esses fatos complicam muito mais a oposição do que o governo, porque, apesar do tom que está sendo ditado por jornais como Folha e Globo, foi a própria Casa Civil quem divulgou quem vazou para quem as informações furtadas do Palácio do Planalto.Nesse aspecto, a manchete de primeira página mais correta, ou menos deturpada, é a do Estadão, que diz o seguinte: "Casa Civil diz que aliado de Dirceu vazou dossiê anti-FHC". Sim, foi a Casa Civil quem divulgou o que está sendo apresentado como denúncia, pois a investigação é da Casa Civil, não da imprensa.Contudo, a manchete do Estadão tampouco é 100% correta, porque destaca que funcionário que trabalhava na Casa Civil quando o ministro-chefe da pasta era José Dirceu é o responsável pelo vazamento, quando o que se sabe é que foi do computador dele que partiu um e-mail supostamente contendo os dados sigilosos. A especificação de qual mensagem enviada daquele computador é acusada de conter anexados os dados furtados faz supor que já se possa comprovar que foi numa mensagem do ex-assessor de Dirceu José Aparecido para o assessor de Álvaro Dias André Eduardo que os dados foram vazados, mas o notíciário deixa dúvidas de que já seja possível comprovar isso.De qualquer maneira, a pergunta que mais interessa neste momento é a seguinte: por que José Aparecido enviou os dados para, no fim das contas, Álvaro Dias? Esses dados foram pedidos pelo senador ao seu assessor para que os obtivesse de José Aparecido ou foi este que os ofereceu ao parlamentar tucano? Com que intenção? Foi para chantagear o PSDB ou para comercializá-los com o partido?Para afirmar que foi para chantagear, é preciso provas. Não dá para afirmar isso porque pode ter sido o PSDB que supostamente corrompeu José Aparecido a fim de armar uma cilada para destruir a candidatura que o partido acreditava que estava sendo promovida por Lula usando o lançamento de obras do PAC, a candidatura de Dilma Rousseff.Existe um princípio investigativo que deve sempre ser observado para descobrir culpados por crimes. Recentemente, aludi a esse princípio em um texto sobre o caso Isabella Nardoni. Trata-se da expressão em latim "Cui Prodest", ou seja, a quem interessa, e o vazamento dos dados interessa aos dois fins.Há duas hipóteses completamente antagônicas sobre a razão de, supostamente, José Aparecido ter enviado a Álvaro Dias - no fim das contas - os documentos que, bem orquestrados, poderiam gerar a criminalização da ministra Dilma Rousseff.A de isto ter ocorrido ou a de que o que ocorreu tenha sido o contrário, de que houve esse envio de dados para intimidar o PSDB. Nenhuma das duas hipóteses, porém, pode ser descartada numa investigação policial. A mídia quer transformar a segunda hipótese em fato, mas, legalmente, ambas as hipóteses são admissíveis e precisam ser igualmente investigadas. E serão, não tenham dúvidas.Ao que parece, a demora de dois dias da Globo em divulgar essa notícia pode ter se devido também à emissora querer esperar o depoimento de Dilma Rousseff ao Senado na quarta-feira, a fim de corroborar as acusações que ali lhe seriam feitas. Contudo, o fator José Agripino Maia frustrou os planos globais ao paralisar as acusações da sessão do Senado em que a ministra foi perquirida. Então, pode ter sido criada uma fórmula para inverter a natureza da notícia, tirando Álvaro Dias da linha de fogo e colocando "os culpados de sempre", ou seja, José Dirceu, sempre chamado a responder pelas acusações dos braços midiáticos do PSDB.O senador Álvaro Dias diz, candidamente, que "não sabia quem tinha enviado o dossiê ao seu assessor, mas que agora sabe". Segundo a Globo, porém, "O senador não quis pronunciar o nome de André Eduardo da Silva Fernandes, o funcionário de seu gabinete que recebeu o dossiê. Mas confirmou que se trata dele mesmo".Álvaro Dias teria dito que “O nome que a Globo tem" ele confirma e que essa pessoa o autorizou a confirmar seu nome. Contudo, a emissora diz também que "O senador não soube explicar por que o dossiê foi parar na mão dele, que é de oposição". O tucano teria dito que "não imagina o porquê" e que "certamente houve uma alteração de cronograma, houve um atravessamento, não era hora de vazar esse dossiê, não era isso que estava estabelecido por quem ordenou", e que "O mais importante agora é saber quem mandou fazer esse dossiê e por que mandou fazer”.Essa é a versão de um dos principais envolvidos no caso, e não os fatos. Álvaro Dias pode muito bem ter orquestrado a obtenção dos dados valendo-se da amizade de seu assessor com o ex-assessor de Dirceu. Essa é uma hipótese tão boa quanto a que está sendo veiculada pela mídia como se fosse fato, à revelia de que ainda não há provas que favoreçam nenhuma das duas versões.O que se espera, no entanto, é que essas provas ainda surjam. Por isso, a mídia se arrisca muito ao bancar a versão de um dos lados, do lado tucano da investigação. O mais lógico seria ela aproveitar o factóide para diminuir a banho que Dilma Rousseff deu na oposição na quarta-feira e deixar o assunto de lado, mas isso seria o mais lógico e a mídia tem desprezado a lógica reiteradamente, agindo sempre de forma emocional diante dos gols que vem tomando do governo Lula.extraído do blog: http://edu.guim.blog.uol.com.br/

EU DISCORDO DE


VERSÃO DE DILMA NÃO DURA 24 HORAS. É QUE O BOM DA DEMOCRACIA É A VERDADEDurou menos de 24 horas o formidável festival de hipocrisia do governo e, lamento dizer, de boa parte da crônica política, que saudava a “vitória” da ministra Dilma Rousseff — alguns já se antecipando e prevendo o seu espetacular avanço nas pesquisas eleitorais. E a razão de alegria tão curta é simples: a ministra se orgulha de ter mentido, sob tortura, na ditadura. Na democracia, num ambiente cortês, com sombra e água fresca, ela poderia ter dito a verdade. Mas não disse. Negou a existência do dossiê. E é mentira que o dossiê não exista. Já se sabe até o nome de um funcionário que vazou o documento: José Aparecido Nunes Pires.De forma dramática, imagino, sob tortura, Dilma ainda conseguiu, segundo seu próprio testemunho, exercer uma escolha: mentir ou falar a verdade. No Senado, ela não tinha escolha nenhuma: se falasse a verdade, cairia. Mas aí as nossas noviças estavam ouriçadas demais para prestar atenção ao que ela dizia. Todos ficaram mesmerizados com a proclamação do seu heroísmo. Está aí: o dossiê existe. Tanto existe, que vazou — e agora se tem ao menos uma das fontes de vazamento. José Aparecido Nunes Pires, apontado como aquele que passou um e-mail para um assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), parece estar disposto a falar. Concedeu ontem entrevista à reportagem da Globo. Negou tudo. Afirmou que “eles” — sei lá quem são eles — podem ter plantado coisas em seu computador.Dilma e o governo não querem punir Pires. Porque temem que, se for transformado na Geni do dossiê, ele bote a boca no trombone. Não por acaso, no Senado, Dilma afirmou que os documentos sobre gastos de governos passados não são mais sigilosos, segundo parecer que lhe foi enviado pelo general Jorge Felix, do Gabinete da Segurança Institucional. Felix agora é o nosso legislador, o nosso Licurgo. Como se vê, o carnaval sobre a tortura serviu como cortina de fumaça: quem fez o dossiê? E a mando de quem? No Senado, Dilma insistiu que o papelório é só um banco de dados. Mas foi incapaz de dizer: “Eu mandei fazer”.A verdade é que o dossiê, sepultado apressadamente pelo suposto desempenho brilhante de Dilma, está vivo de novo — e mais vivo do que nunca, pouco importa o malabarismo retórico que se tente. O heroísmo de quando Dilma tinha 23 anos — e não 19 — não esconde o fato óbvio de que funcionários do Estado brasileiro foram mobilizados para produzir uma peça política contra o governo anterior, o que já alimentava, diga-se, as colunas dos jornais. E isso é crime.Pires é petista e ligado a José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil. É um segredo de polichinelo que o ministério se divide, digamos, em duas correntes: a que continua fiel ao ex-titular e a que segue as orientações da atual ministra. Será que o petismo, composto, como é mesmo?, de “tantos companheiros de armas”, anda trocando balas entre si?No caso da telefonia — como já vimos —, os petistas racharam, não é? Novos negócios teriam aberto uma guerra civil na Casa Civil? Anotem: é uma boa vereda para o jornalismo investigativo avançar. Vocês sabem: aqueles “heróis”, hoje em dia, se tornaram bem mais pragmáticos, não é? Hoje eles torturam a verdade para que ela não confesse.OS NOVOS TORTURADORES: AGORA DE REPUTAÇÕESQuero voltar ao senador Agripino Maia (DEM-RN), tratado por alguns colunistas e cronistas como se fosse um torturador, o delegado Fleury do Rio Grande do Norte. Em sua resposta, a ministra Dilma afirmou que tinha 19 anos quando foi presa. Não. Tinha 23 quando foi detida, em 1970. E não deveria ter sido torturada nem que tivesse 43 ou 93, é claro. Ela também sugeriu que ambos estavam em lados opostos. Não é preciso ser um gênio para que se faça a associação óbvia: se ela estava sendo torturada, o senador deveria estar do lado dos torturadores.Alto lá! Em março de 1964, Agripino tinha, precisamente, 19 anos e um mês. No AI-5, em 1968, 23 anos. Sua carreira política só começou em 1979, nomeado prefeito de Natal — de modo indireto, sim. Como foi Mário Covas em São Paulo. A exemplo de todos os prefeitos de capitais. Era a lei. Em 1982, elege-se, em eleições diretas, governador do Rio Grande do Norte. E rigorosamente toda a sua vida política foi feita segundo o escrutínio democrático. Aliás, diga-se, ele tem em seu favor o que Dilma não teve até agora: voto.Se Agripino chegou a ter alguma vocação antidemocrática, guardou-a para si, porque ela nunca teve relevância. Ignora-se. Ser tratado como bandido também é assassinato, também é tortura, mais aí de reputação — e perpetrado em plena democracia. Já sobre as convicções democráticas pregressas de Dilma, o senador nada precisa dizer, eu digo: ela queria uma ditadura comunista. O grupo a que pertencia praticava atentados terroristas e assaltos. Verdade ou mentira?Ela deveria ter sido torturada por isso? A pergunta é ridícula. É óbvio que não. Quem justifica tortura hoje em dia são os defensores e apoiadores de Fidel Castro — não eu ou, que eu saiba, o senador Agripino. E esses iluminados estão no governo que Dilma Rousseff integra. Quem se deixou fotografar fotografando o ditador moribundo, mas ainda assassino, foi Lula.Agripino também não foi um dos signatários do AI-5, como foi, por exemplo, Delfim Netto — cuja inteligência admiro, deixo bem claro —, hoje um dos conselheiros de Lula. Querer tratar o DEM como herdeiro da ditadura é uma falácia. A Arena não existe mais — e tanto é assim que muitos ex-arenistas, golpistas de primeira hora incluídos, estão hoje com Lula. Usar o estado para produzir dossiês contra adversários é uma manifestação de exceção na democracia, é uma espécie de tortura exercida por outros meios. Pespegar num democrata — referência à índole de Agripino, não a seu partido apenas — a pecha de amigo da tortura também é tortura, também é assassinato; no caso, um assassinato de reputação.A forma como ele fez a pergunta foi, sem dúvida, infeliz — para ele, não para ela. Certamente pretendia ressaltar que o estado de exceção, por meio do horror da tortura, impunha a mentira. E que cumpre dizer a verdade na democracia. Mas se expressou mal, e Dilma aproveitou para exaltar o seu heroísmo. Acontece que a tortura diz muito do caráter do torturador — um ser desprezível — mas pouco do caráter do torturado. Submetido às piores agruras, o que ele diz deixa de ter relevância. O que quero dizer com isso? A tortura não confere exclusivismo moral a ninguém. E considerar o contrário, diferente do que parece, é piscar um olho para o horror. Falo mais a respeito no post abaixo.Reitero: estão querendo submeter Agripino ao pau de arara da mentira, à cadeira do dragão da mistificação.Extraído do Blog: http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A JUSTIÇA ESTÁ CEGA !

Esta imagem acima, recuperada na internet, mostra a Freira Dorothy Stang, depois de ter sido assassinada por pistoleiros a mando de fazendeiros !
O Grito dela foi silenciado, mas a pengunta, e a causa dela ainda clamará neste Brasil:
ESSE É O GRITO DE TANTOS QUE LUTAM PELA TERRA NO BRASIL !
Até quando a Justiça estará cega diante da violência que assola este país ?
Entendeu a Charge acima ? NÃO ? Então leia com Atenção a historinha abaixo:

O lobo e o cordeiro, empurrados pela mesma sede, foram beber no mesmo igarapé.
O lobo estava mais acima e o cordeiro muito mais abaixo.
Então o ladrão, incitado pela sua voracidade insaciável, trouxe um pretexto para um desentendimento.
- Porque – disse – tornaste suja a água que estou bebendo?
- O cordeiro, com medo, disse em resposta :
- Como posso – peço que me respondas – ó lobo, fazer o que dizes. A água corre de ti para os meus lábios.
O lobo, questionada pela força da verdade :
- Há seis meses – disse – falaste mal de mim.
O cordeiro respondeu :
- Certamente eu não era nascido.
Respondeu-lhe o lobo :
- Por Hércules, então teu pai falou mal de mim.
E assim despedaça o cordeiro, arrebatado com morte injusta.

Esta fábula foi escrita por causa daqueles homens que oprimem os inocentes com pretextos falsos.
Quem são os Lobos, ou os Cordeiros no caso da Freira Dorothy ? Quem são os Inocentes ou que são os Culpados, nessa história ?
De vez em quando, assistimos a casos, ou fatos, em que a justiça, deixa a desejar ao não condenar pessoas de crimes feitos, abusos cometidos, fazendo-no supor que a justiça as vezes está cega, ou não quer enxergar?
Gostaria de poder acreditar que nós temos um judiciário que premie a verdade e julgue-a com a lei, ou as leis, como deve ser.
Quero afirmar e reafirmar que a Lei no caso de Dorothy deve funcionar, ou não poderemos nos arrepender de no futuro, nossos jovens virem dizer que tivemos casos e mais casos, onde a justiça interrompida pela corrupção, ou pelo desmando, nos deixou órfãos.
QUE A JUSTIÇA SEJA FEITA, E OS CULPADOS, PRESOS!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

ANTIGAMENTE, TODO DIA ERA DIA DE ÍNDIO

Como pode ser visto na Charge, mais uma vez, estou lendo sobre conflitos entre índios e brancos, ou entre índios e seus inimigos: madeireiros, agricultores, sem terra, garimpeiros, ou outro tipo de branco....
Até que ponto estaremos assistindo estas ações contra aqueles donos verdadeiros desta terra, e que nós brancos, na história do Brasil solapamos, ou destruímos, a custas de um modelo colonial, dominador, e cheio de "boas" intenções "colonizadoras" ?
Não nos é estranho que se revermos a história, nossos irmãos indígenas foram massacrados e deixados a míngua, ou largados por aí, e ao mesmo tempo, foram descaracterizados em sua cultura original.
Pois isso tem gerado conflitos, quando os mesmos desejam suas áreas preservadas, ou defendidas segundo seus interesses. Na história do Brasil, eles foram relegados a cidadãos de 2ª categoria, e agora, quando o governo homologa suas terras, assitimos fazendeiros e outros lutando para conquistar suas terras?
E a sobernaia Nacional? e a defesa das Nações Indígenas ?
Pois acredito que o respeito às suas aspirações, e aos seus interesses, levarão o país a uma dignidade de culturas, que só o Brasil pode ter.
Leia a opinião do Presidente do TSE : " O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marco Aurélio Mello, lamentou nesta segunda-feira 5/5/08, o conflito entre seguranças em Pacaraima (RR) e indígenas na reserva Raposa/Serra do Sol. À espera do julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a delimitação da área, Mello deu a entender que a demarcação de forma contínua em favor dos indígenas na região pode ter sido exagerada.
"Todo o Brasil foi ocupado pelos indígenas até os portugueses aqui aportarem. A ocupação pretérita não pode ser potencializada. Mas temos de aguardar um pouco. Se exacerbarmos a ocupação pretérita, nós vamos ter de entregar aos indígenas a minha cidade maravilhosa do Rio de Janeiro", afirmou Mello, após despedir-se do cargo de presidente do TSE.
Mello disse não ter uma opinião formada sobre a polêmica delimitação na reserva Raposa/Serra do Sol. O confronto ocorreu dentro da reserva indígena Raposa/Serra do Sol. A área é alvo de disputa entre índios e agricultores que cultivam arroz na região. A Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança chegaram a ser enviadas para a região para uma operação de retirada de não-indígenas da reserva. Mas a operação foi suspensa por decisão do STF.
Perceba, todo supremo representante da justiça dos brancos acha o que nós enxergamos, e por isso,
Acredite, a paz é possível, quando todos entenderem as causas e as consequências de nossos atos contra os nativos originais desta terra.
Salvem as diferenças culturais, que vivamos nosso Mosaico Cultural!

sábado, 3 de maio de 2008

LULA, É LULA E PRONTO !

Observe a Charge acima, refletindo uma realidade atual: Popularidade de Lula lá em cima, e a presença da Oposição, ainda em baixo.
Observando a Charge acima, e o texto abaixo, pense, depois volto:
"Lula é uma metamorfose ambulante", diz deputado
O líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal, de São Paulo, reconhece as dificuldades da oposição em contrapor ao presidente. Para ele, Lula é uma "metamorfose ambulante" que agrada a população.
"Temos alguma dificuldade porque, como ele mesmo diz, o Lula é um vira-casaca permanente, é uma metamorfose ambulante e isso tem uma certa graça para uma parte da população. Juntando com esse ambiente favorável da economia, tudo ajuda o presidente", disse o líder do PSDB.
Porém, o analista Carlos Melo diz que o presidente está perdendo a oportunidade de fazer as reformas necessárias ao País.
"O Lula tem se negado a uma política impopular, isto é ele deveria aproveitar o bom momento e realizar as reformas que são necessárias", diz Melo.
Dever de casa Para o líder do PSDB na Câmara, a oposição tem procurado fazer a obrigação.
"Temos procurado fazer a nossa parte, inclusive na Câmara, depois de dois meses de embate, procuramos ter um entendimento para que se possa votar, ter uma atitude mais positiva e interativa com a população", explicou o deputado.
Nessa estratégia, ainda de acordo com Aníbal, a oposição tentará mostrar as oportunidades que o País está perdendo.
"Você conserta o telhado quando tem sol, e o Brasil está vivendo uma situação ensolarada do ponto de vista internacional. O País produz o que o mundo consome e, infelizmente, o governo incompetente não faz a sua parte que são as reformas e, sobretudo, a criação de um ambiente favorável ao investimento", acrescentou.
Aníbal dá a falência da infra-estrutura como um problema a ser resolvido. "Tudo está começando a estrangular", avisa.
"É um governo que só colhe, não planta, e fomos nós que plantamos", acrescentou.

COMENTO
É de fato constrangedor para a oposição ver suas chances, ligadas a José Serra, estarem sendo avacalhadas pelas "metamorfoses" do Presidente Lula. Qual então será, ou deverá ser o discursos da oposição ? responsabilidade com o povo ? e os aumentos feitos neste ano eleitoral para suas pastas ? e o debate sobre dossiês e outros temas, que mais parecem pessoas grudadas a um "osso", como se ele salvasse sua vida.
O que percebo, é que o Lula de fato está tornando-se um líder daqueles que vai fazer história no brasil, ele está buscando sua marca na história, e isso, muitos líders mundiais e até nacionais já o fizeram: Getulio Vargas, JK, Miterrand (França), Blair e Tatcher (Inglaterra), se eu pareasse para listar seriam muitos. Um Presidente quando é candidato sempre marca seus discursos em questionar os eventos realizados ou não pelo seu antecessor, e Lula já fez isso, FHC também Governador tal, Prefeito tal, já fizeram e em todo o Brasil, parece ser esta a lógica de quem assume seus cargos.
O Presidente Lula evoluiu !? ou está em metamorfose, evoluindo ?
O problema é que alguns discursos quando estão na esfera de sua praticidade deixam a desejar, como é o de Lula. Ele se transforma em um defensor do mercado, e lembro-me de ter ouvido ele afirmar que diria não aos neoliberias.
É a lógica do Sistema Fianceiro Global, e o Brasil tem que estar nele, afirmam aqueles apaixonados pelas teorias econômicas.
O Brasil precisa de fato, é buscar modelos de inclusão, e não paleativos, como assistimos serem feitas no Brasil.
A popularidade de Lula está manifestada pelas suas visitas em todos os cantos do país em busca de implementação do PAC, que já é uma realidade em relação às mudanças necessárias para o país crescer mais. Mas ainda há muito o que fazer.
Lula é metamorfose sim, e daí, quem nunca mudou suas convicções a respeito de algumas situações ? Devemos ser "mutantes" e criativos para buscar resolver os problemas que o país passa.
O Brasil precisa de mudanças estruturais, que criem possibilidades para "honrar" o título adquirido, de bom credor, ou bom pagador, ou coisa do gênero.
"Prefiro ser "metamorfose" ambulante, do que ter aquela velha opinião formado sobre tudo....