"Não perca tempo maldizendo o mal que lhe fizeram, ou os fracassos que teve. Comece a partir de agora a ver o que pode fazer para reconstruir. Siga em frente corajosamente, pois a vida sorri somente para aqueles que não param no meio da estrada." Wellington Braga
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
DO ANTI-NATAL DE COPENHAGUE AO NATAL DE BELÉM !
Antonio Cechin e Jacques Távora Alfonsin, comentam o fracaso da COP-15, à luz da celebração do Natal.
Antonio Cechin é irmão marista, miltante dos movimentos sociais. Jacques Távora Alfonsin é advogado do MST e procurador do Estado do Rio Grande do Sul aposentado.
Eis o artigo.
Os ambientalistas e ecologistas do mundo todo estão lamentando as chances perdidas por lideranças de países ricos como China e Estados Unidos, por exemplo, de garantir a recuperação climática da terra, na recente Conferência de Copenhague, impondo ao futuro do planeta um aquecimento de tal forma progressivo que é capaz de diminuir as possibilidades da espécie humana sobreviver.
Por mais que a história confirme em que medida a concentração da riqueza, o volume astronômico do PIB, a quantidade de dinheiro desviada da produção de bens indispensáveis à reprodução da vida saudável, são inversamente proporcionais ao respeito devido às/os pobres, à terra, à água, à toda a natureza, nenhum prognóstico de futuro do nosso meio-ambiente, mesmo que se prove catastrófico, consegue motivar as potências nacionais que o agridem a mudarem o rumo da depredação violenta que marca o seu interesse econômico.
O sangue das pessoas necessitadas, a semente e a seiva das árvores e dos frutos, a água dos rios e dos mares, o ventre líquido de petróleo e o sólido dos metais, tudo o que a terra abriga, gera e transforma em vida, tem que ser transformado em mercadoria, traduzido em dinheiro, para ser consumido como coisa que tem preço. Mesmo que esse seja o da perda de qualidade de vida na terra. A Conferência de Copenhague não aceitou qualquer vacina contra esse mal. Justamente nessa época do ano, com esse frenesi de aquisição de coisas, de presentes, de shoppings e de supermercados lotados, de papai Noel abraçando e beijando crianças inocentes, de multidões se endividando, comprometendo o seu orçamento familiar para o resto do ano vindouro, a Conferência traduziu bem a cultura dos nossos tempos. Já não são muitas as pessoas que conseguem parar para pensar sobre a distância que tudo isso guarda do Menino nascido em Belém e que deu origem à festa do dia 25, toda ela repassada de sinais retirados da vida, da natureza, do mundo que habitamos.
Uma Criança filha de pais tão pobres que só encontrou refúgio num abrigo de animais, berço num coxo, companhia de pastores, veio para o que era seu “e os seus não a receberam” como diz São João no início do seu evangelho.
Os “seus” de hoje, quem sabe aqueles que estiveram reunidos em Copenhague, será que recebê-la-iam? As semelhanças das agruras e dificuldades de ontem não garantem mudança nenhuma. O casal tinha chegado a Belém obedecendo uma ordem de recenseamento. Os líderes das nações em Copenhague também queriam saber quantas/os somos, mas, pelo que ficou lá decidido, melhor dizendo não decidido, é pouco provável que fosse para tomar as providências urgentes em comida, casa, educação, saúde e outras condições de vida boa e ambiente saudável que o nosso crescimento demográfico exige.
Estamos cansados de constatar que o mundo capitalista transforma tudo o que existe em mercadoria, isto é em produto de venda, com vistas a um ganho em dinheiro e em lucro. É o consumismo desenfreado que dá origem a um desperdício sem tamanho, como se as matérias-primas que a terra nos fornece fossem infinitas. Caminhamos para o desastre, dizem os ecologistas, porque já estamos gastando uma terra inteira e mais um quarto de planeta que já estamos pilhando das gerações futuras.
Enquanto Deus criou a maravilha do Natal, o sistema capitalista inventou o papai Noel que não passa de uma contrafação. Esse velho barbudo que, no tempo natalino, toma conta das ruas e praças e praticamente de toda a mídia é o símbolo por excelência do apelo ao consumismo.
Alguns anos atrás, no auge de nossas Comunidades de Base, era costume ensinar às crianças que enquanto o papai Noel é dos ricos, os pobres têm o Menino Jesus. Hoje, talvez até por causa dos bons ofícios do governo Lula que trouxe inúmeros benefícios para o pobrerio que enche as periferias, como a “Bolsa Família”, as mais variadas políticas públicas como a possibilidade dos próprios catadores de contrair um empréstimo no banco para comprar um carrinho, etc. o sistema consumista anda treinando levas e levas de papais noéis que invadem as vilas e vem à frente das caravanas que distribuem presentes até pelos mais afastados grotões periféricos. O que querem mesmo é esvaziar o bolso dos pobres do que ainda resta de um décimo terceiro salário, ou de algum biscate de final de ano a fim de saldar alguma dívida. O tal de papai Noel é um tormento para as mães pobres que, praticamente são obrigadas pelas crianças cantadas pela propaganda a passar horas numa fila imensa, sob um sol escaldante, para o tal presente distribuído diretamente pelo personagem barbudo, geralmente uma boneca ou um caminhãozinho, tudo de plástico. Objetos de nenhum valor. Melhor seria chamar o símbolo do consumismo, em vez de papai Noel, de o velho de plástico. Todo esse horror de lixo acaba entulhando arroios e mananciais em geral.
Tão difícil quanto salvar o mundo do consumismo e do desperdício é acabar com o símbolo que o capitalismo se apressa em aperfeiçoar de ano para ano. Temos que começar a gritar: Viva o Menino Jesus e abaixo o papai Noel! Aliás o catolicismo popular criou, para o sábado santo, a brincadeira de fundo religioso, da queima ou do enforcamento de Judas o traidor, não raro personificado no cotidiano das Comunidades em alguma figura de político safado. Em face do planeta terra em exaustão por causa de tanto desperdício, não seria o caso de enforcar um boneco chamado papai Noel, símbolo do consumismo e destruidor do Natal cristão?
Então, sim, teríamos feito algo para somar com os milhares de militantes que, do lado de fora da aula magna em que se realizou o Encontro de Copenhage, sofreram maus tratos e prisões pela luta incansável que travaram contra os governos inermes de 193 países, omissos em relação à nossa casa comum que é o planeta Terra.
Antonio Cechin é irmão marista, miltante dos movimentos sociais. Jacques Távora Alfonsin é advogado do MST e procurador do Estado do Rio Grande do Sul aposentado.
Eis o artigo.
Os ambientalistas e ecologistas do mundo todo estão lamentando as chances perdidas por lideranças de países ricos como China e Estados Unidos, por exemplo, de garantir a recuperação climática da terra, na recente Conferência de Copenhague, impondo ao futuro do planeta um aquecimento de tal forma progressivo que é capaz de diminuir as possibilidades da espécie humana sobreviver.
Por mais que a história confirme em que medida a concentração da riqueza, o volume astronômico do PIB, a quantidade de dinheiro desviada da produção de bens indispensáveis à reprodução da vida saudável, são inversamente proporcionais ao respeito devido às/os pobres, à terra, à água, à toda a natureza, nenhum prognóstico de futuro do nosso meio-ambiente, mesmo que se prove catastrófico, consegue motivar as potências nacionais que o agridem a mudarem o rumo da depredação violenta que marca o seu interesse econômico.
O sangue das pessoas necessitadas, a semente e a seiva das árvores e dos frutos, a água dos rios e dos mares, o ventre líquido de petróleo e o sólido dos metais, tudo o que a terra abriga, gera e transforma em vida, tem que ser transformado em mercadoria, traduzido em dinheiro, para ser consumido como coisa que tem preço. Mesmo que esse seja o da perda de qualidade de vida na terra. A Conferência de Copenhague não aceitou qualquer vacina contra esse mal. Justamente nessa época do ano, com esse frenesi de aquisição de coisas, de presentes, de shoppings e de supermercados lotados, de papai Noel abraçando e beijando crianças inocentes, de multidões se endividando, comprometendo o seu orçamento familiar para o resto do ano vindouro, a Conferência traduziu bem a cultura dos nossos tempos. Já não são muitas as pessoas que conseguem parar para pensar sobre a distância que tudo isso guarda do Menino nascido em Belém e que deu origem à festa do dia 25, toda ela repassada de sinais retirados da vida, da natureza, do mundo que habitamos.
Uma Criança filha de pais tão pobres que só encontrou refúgio num abrigo de animais, berço num coxo, companhia de pastores, veio para o que era seu “e os seus não a receberam” como diz São João no início do seu evangelho.
Os “seus” de hoje, quem sabe aqueles que estiveram reunidos em Copenhague, será que recebê-la-iam? As semelhanças das agruras e dificuldades de ontem não garantem mudança nenhuma. O casal tinha chegado a Belém obedecendo uma ordem de recenseamento. Os líderes das nações em Copenhague também queriam saber quantas/os somos, mas, pelo que ficou lá decidido, melhor dizendo não decidido, é pouco provável que fosse para tomar as providências urgentes em comida, casa, educação, saúde e outras condições de vida boa e ambiente saudável que o nosso crescimento demográfico exige.
Estamos cansados de constatar que o mundo capitalista transforma tudo o que existe em mercadoria, isto é em produto de venda, com vistas a um ganho em dinheiro e em lucro. É o consumismo desenfreado que dá origem a um desperdício sem tamanho, como se as matérias-primas que a terra nos fornece fossem infinitas. Caminhamos para o desastre, dizem os ecologistas, porque já estamos gastando uma terra inteira e mais um quarto de planeta que já estamos pilhando das gerações futuras.
Enquanto Deus criou a maravilha do Natal, o sistema capitalista inventou o papai Noel que não passa de uma contrafação. Esse velho barbudo que, no tempo natalino, toma conta das ruas e praças e praticamente de toda a mídia é o símbolo por excelência do apelo ao consumismo.
Alguns anos atrás, no auge de nossas Comunidades de Base, era costume ensinar às crianças que enquanto o papai Noel é dos ricos, os pobres têm o Menino Jesus. Hoje, talvez até por causa dos bons ofícios do governo Lula que trouxe inúmeros benefícios para o pobrerio que enche as periferias, como a “Bolsa Família”, as mais variadas políticas públicas como a possibilidade dos próprios catadores de contrair um empréstimo no banco para comprar um carrinho, etc. o sistema consumista anda treinando levas e levas de papais noéis que invadem as vilas e vem à frente das caravanas que distribuem presentes até pelos mais afastados grotões periféricos. O que querem mesmo é esvaziar o bolso dos pobres do que ainda resta de um décimo terceiro salário, ou de algum biscate de final de ano a fim de saldar alguma dívida. O tal de papai Noel é um tormento para as mães pobres que, praticamente são obrigadas pelas crianças cantadas pela propaganda a passar horas numa fila imensa, sob um sol escaldante, para o tal presente distribuído diretamente pelo personagem barbudo, geralmente uma boneca ou um caminhãozinho, tudo de plástico. Objetos de nenhum valor. Melhor seria chamar o símbolo do consumismo, em vez de papai Noel, de o velho de plástico. Todo esse horror de lixo acaba entulhando arroios e mananciais em geral.
Tão difícil quanto salvar o mundo do consumismo e do desperdício é acabar com o símbolo que o capitalismo se apressa em aperfeiçoar de ano para ano. Temos que começar a gritar: Viva o Menino Jesus e abaixo o papai Noel! Aliás o catolicismo popular criou, para o sábado santo, a brincadeira de fundo religioso, da queima ou do enforcamento de Judas o traidor, não raro personificado no cotidiano das Comunidades em alguma figura de político safado. Em face do planeta terra em exaustão por causa de tanto desperdício, não seria o caso de enforcar um boneco chamado papai Noel, símbolo do consumismo e destruidor do Natal cristão?
Então, sim, teríamos feito algo para somar com os milhares de militantes que, do lado de fora da aula magna em que se realizou o Encontro de Copenhage, sofreram maus tratos e prisões pela luta incansável que travaram contra os governos inermes de 193 países, omissos em relação à nossa casa comum que é o planeta Terra.
QUANTO CUSTA UM MUNDO MAIS LIMPO ?
O número, no entendimento que surgiu de Copenhague, não existe, mas, antes ou depois, começar a trabalhar para diminuir pela metade as emissões de gás carbônico até 2050 com relação a 1990 será inevitável, se não se quiser que o impacto do efeito estuda (secas e inundações, segundo os cientistas) nos destrua, aumentando a temperatura média do planeta em mais dois graus.A reportagem é de Maurizio Ricci, publicada no jornal La Repubblica, 22-12-2009.
A tradução é de Moisés Sbardelotto.É um corte a ser visto com temor, um remédio necessário mas muito amargo? Os passos a serem dados nós os conhecemos: diminuir o consumo de combustíveis fósseis, como o petróleo, o carbono, o gás, expandir maciçamente as centrais de energia limpa (sol, vento, energia nuclear).Trata-se de investimentos enormes. Além disso, todas as indústrias que emitem CO2 deverão pagar pelos direitos às emissões e descarregarão os custos maiores sobre os preços. Uma avalanche que arrasará o nosso estilo de vida, obrigando-nos a renúncias e penitências? A resposta é não. Reduzir as emissões pela metade não significa que seremos obrigados a andar por aí de sandálias e lã crua. Pelo contrário, os efeitos sobre a vida cotidiana são extraordinariamente limitados.
Os modelos econométricos têm um valor de predição necessariamente limitado, ainda mais quando se trata de prever o comportamento dos preços daqui a 40 anos. Se dermos fé aos exercícios mais recentes dos economistas, porém, menos emissões não significam desastres à vista.Segundo um estudo realizado no último verão [europeu] pela Northwestern University, cortar as emissões em 50% comportaria, nos EUA, um aumento geral dos preços ao consumo não superior, em média, a 5%. É verdade, porém, que, para chegar a um corte global de 50% das emissões, os países industrializados teriam que reduzir as suas emissões (como Obama já anunciou querer fazer) em 80%. Mas esse corte também não teria efeitos dramáticos, segundo o Pew Center on Global Climate Change: "Cortar as emissões em 80% no arco de quatro décadas também teria, na grande parte dos casos, um efeito muito limitado sobre os consumidores".
O mesmo vale para a Europa. A revista New Scientist pediu à Cambridge Econometrics – uma sociedade de consultoria que regularmente fornece modelos econométricos sobre as mudanças climáticas para o governo britânico – uma previsão do impacto sobre os preços para os consumidores ingleses de um corte das emissões até 2050 de 80% com relação a 1990. Os pesquisadores chegaram à resposta, tendo como referência a experiência histórica. Isto é, quanto as mudanças do custo da energia influenciaram os preços de 40 produtos diversos de consumo no passado.
O resultado? O impacto sobre os preços de grande parte dos produtos de consumo é modesto: 1-2%.O preço dos alimentos aumentaria, em média, 1%, assim como o das roupas e dos automóveis. Uma garrafa de cerveja custaria 2% a mais, um laptop de mil euros passaria a custar 1.020 euros. Uma lava-roupas ou uma geladeira também custariam só 2% a mais. Isso ocorre porque a energia necessária para produzir esses bens representa exatamente 1-2% do preço final. Os bens e produtos em que a energia mais pesa sofreriam um impulso mais forte, mas são relativamente poucos. A conta de luz, por exemplo, encareceria 15%. E ainda mais as viagens aéreas, nas quais a energia representa mais de 7% do preço final. Dado que as companhias aéreas, neste momento, não têm uma alternativa de baixo conteúdo de gás carbônico como combustível, pagar os direitos às emissões seria um custo pesado. A Cambridge Econometrics prevê um aumento de 140% do preço das passagens aéreas.Com efeito, os cálculos do modelo pressupõem duas hipóteses. A primeira é que o governo forneça incentivos aos cidadãos, para que, em vez do gás, usem a eletricidade para a cozinha e, principalmente, para o aquecimento. A segunda é que o próprio governo invista maciçamente nas infraestruturas necessárias para os carros elétricos.
Para daqui a 40 anos, não são, porém, hipóteses remotas. E, portanto, diz outro estudo realizado por uma gigante mundial da consultoria como a McKinsey, têm um preço relativo: "Quatro quintos das reduções nas emissões – defendem os analistas da McKinsey – podem ser realizados explorando tecnologias que já existem hoje em escala comercial". Bastaria, dizem, um preço dos direitos às emissões de 50 dólares por tonelada de CO2. "E 40% das reduções – acrescentam – de fato permitem que se economize dinheiro".
Mas e as previsões catastróficas como as de uma autoridade de Yale, William Nordhaus, segundo o qual estabilizar o clima e as temperaturas custaria, só para os EUA, 20 trilhões de dólares? É preciso entender. Stephen Schneider, da Stanford, refez os cálculos de Nordhaus. Os 20 trilhões de dólares, de fato, não são o custo imediato, mas para 2100. Se assumirmos que, daqui até então, a economia norte-americana crescerá em média 2% ao ano, um ritmo muito ordinário para o gigante EUA, o preço a ser pago para salvar o planeta não parece muita coisa: "Só quer dizer – segundo Schneider – que os norte-americanos terão que esperar até 2101 para serem ricos tanto quanto teriam sido em 2100, sem tocar nas emissões".
FRACASSO DA CÚPULA, DESRESPEITO COM O MUNDO !
Caso um mundo não chegue a um acordo para reduzir suas emissões, os cenários para o aquecimento global preveem uma mudança drástica na face da Terra. De uma elevação da temperatura média do planeta em dois graus Celsius — o limite que os cientistas anseiam e o teto das negociações em Copenhague —, até o pesadelo de uma elevação de cinco graus Celsius, eis os cenários previstos:
DOIS GRAUS CELSIUS: As ondas de calor que atingiram a Europa em 2003, deixando milhares de mortos, voltarão a acontecer, todos os anos. O sudeste da Inglaterra vai se acostumar com temperaturas de 40 graus Celsius no verão. Partes da Floresta Amazônica começam a se transformar num deserto, enquanto o aumento de CO2 na atmosfera vai promover a acidificação dos oceanos, tornando improvável a sobrevivência de recifes de corais e milhares de formas de vida marinha.
Mais de 60 milhões de pessoas, a maioria na África, sofrerão com aumento de casos de malária.
A cobertura de gelo no lado ocidental da Antártica e na Groelândia vai derreter. Geleiras vão se retrair em todo o mundo, reduzindo também o suprimento de água potável para as grandes cidades. Regiões costeiras serão alagadas, afetando mais de 10 milhões de pessoas. A extinção atingirá um terço das espécies do planeta à medida em que a elevação transforma rapidamente seus habitats.
TRÊS GRAUS CELSIUS: Um cenário cada vez mais provável.
Com tal elevação, o aquecimento global se torna incontrolável, fazendo com que esforços para mitigação passem a ser inviáveis.
Milhões de quilômetros da Floresta Amazônica serão queimados, liberando carbono das árvores e do solo, incrementando o aquecimento, talvez até em 1,5 grau Celsius. Desertos vão avançar no sul da África, na Austrália e no oeste dos EUA. Bilhões de pessoas serão forçadas a abandonar suas terras, em busca de água e alimento. Na África e no Mediterrâneo, a oferta de água vai diminuir entre 30% e 50%. No Reino Unido, secas no verão serão seguidas por enchentes no inverno. A elevação do nível do mar vai causar o desaparecimento de países-ilha, e também de lugares como Nova York, Flórida e Londres.
A reportagem é do jornal O Globo, 19-12-2009.
QUATRO GRAUS CELSIUS: Cenário possível, com um acordo fraco. Nesse estágio, o permafrost (solo congelado) do Ártico se torna grande ameaça. Metano e carbono aprisionados no solo serão liberados na atmosfera. Ainda no Ártico, a cobertura de gelo desaparecerá, causando a extinção do urso polar e outras espécies nativas. Na Antártica, o degelo vai se acelerar, incrementando a elevação do nível do mar, fazendo com que diversas ilhas fiquem submersas.
Itália, Espanha, Grécia e Turquia podem virar desertos. A região central da Europa passa a ter temperaturas médias de 50 graus Celsius no verão, típicas de desertos.
CINCO GRAUS CELSIUS E ALÉM: Um pesadelo altamente improvável. Com um aumento médio de cinco graus, as temperaturas na Terra vão ficar tão quentes quanto àquelas de 50 milhões de anos atrás. No Ártico, as temperaturas subirão bem mais do que a média global — acima de 20 graus Celsius —, significando que a região ficará sem gelo o ano inteiro. A maior parte das regiões tropicais, subtropicais e mesmo as regiões de latitudes média se tornarão inabitáveis por causa do calor. A elevação do nível dos mar fará com que a maioria das cidades costeiras do planeta tenha que ser abandonada. A população humana será drasticamente reduzida..
Mais de 60 milhões de pessoas, a maioria na África, sofrerão com aumento de casos de malária.
A cobertura de gelo no lado ocidental da Antártica e na Groelândia vai derreter. Geleiras vão se retrair em todo o mundo, reduzindo também o suprimento de água potável para as grandes cidades. Regiões costeiras serão alagadas, afetando mais de 10 milhões de pessoas. A extinção atingirá um terço das espécies do planeta à medida em que a elevação transforma rapidamente seus habitats.
TRÊS GRAUS CELSIUS: Um cenário cada vez mais provável.
Com tal elevação, o aquecimento global se torna incontrolável, fazendo com que esforços para mitigação passem a ser inviáveis.
Milhões de quilômetros da Floresta Amazônica serão queimados, liberando carbono das árvores e do solo, incrementando o aquecimento, talvez até em 1,5 grau Celsius. Desertos vão avançar no sul da África, na Austrália e no oeste dos EUA. Bilhões de pessoas serão forçadas a abandonar suas terras, em busca de água e alimento. Na África e no Mediterrâneo, a oferta de água vai diminuir entre 30% e 50%. No Reino Unido, secas no verão serão seguidas por enchentes no inverno. A elevação do nível do mar vai causar o desaparecimento de países-ilha, e também de lugares como Nova York, Flórida e Londres.
A reportagem é do jornal O Globo, 19-12-2009.
QUATRO GRAUS CELSIUS: Cenário possível, com um acordo fraco. Nesse estágio, o permafrost (solo congelado) do Ártico se torna grande ameaça. Metano e carbono aprisionados no solo serão liberados na atmosfera. Ainda no Ártico, a cobertura de gelo desaparecerá, causando a extinção do urso polar e outras espécies nativas. Na Antártica, o degelo vai se acelerar, incrementando a elevação do nível do mar, fazendo com que diversas ilhas fiquem submersas.
Itália, Espanha, Grécia e Turquia podem virar desertos. A região central da Europa passa a ter temperaturas médias de 50 graus Celsius no verão, típicas de desertos.
CINCO GRAUS CELSIUS E ALÉM: Um pesadelo altamente improvável. Com um aumento médio de cinco graus, as temperaturas na Terra vão ficar tão quentes quanto àquelas de 50 milhões de anos atrás. No Ártico, as temperaturas subirão bem mais do que a média global — acima de 20 graus Celsius —, significando que a região ficará sem gelo o ano inteiro. A maior parte das regiões tropicais, subtropicais e mesmo as regiões de latitudes média se tornarão inabitáveis por causa do calor. A elevação do nível dos mar fará com que a maioria das cidades costeiras do planeta tenha que ser abandonada. A população humana será drasticamente reduzida..
DIANTE DESTA REPORTAGEM, FICO COM SENTIMENTO DE FRACASSO....
Fracasso. Não há outra palavra à altura do resultado de Copenhague.
O maior encontro diplomático de todos os tempos se arrastava para um desfecho inglório, sem nenhum compromisso concreto de redução de emissões por parte dos países ricos nem garantia de dinheiro para os pobres.
O comentário é de Herton Escobar e publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, 19-12-2009.
A declaração do presidente americano Barack Obama, que saiu de uma reunião com China, Índia, África do Sul e Brasil dizendo ter chegado a um acordo "sem precedentes" com os países emergentes, deverá entrar para a história como um desrespeito igualmente sem precedentes aos milhares de ativistas, diplomatas, empresários e jornalistas que passaram frio, apanharam da polícia, ficaram sem comer e sem dormir durante duas semanas de desgastantes negociações na capital dinamarquesa. Sem falar nos outros milhões de pessoas que acompanharam o processo à distância, pela imprensa, à espera de um acordo minimamente efetivo no sentido de combater as mudanças climáticas.
Obama também se esqueceu de dizer que o tal acordo "sem precedentes" - e sem metas - ainda precisava ser aprovado em reunião plenária por todos os outros países signatários da Convenção do Clima das Nações Unidas (193 no total). Pegou o avião e foi embora sem perguntar para Tuvalu e outras pequenas nações insulares se elas estavam de acordo com o risco de serem inundadas pela elevação do nível do mar. Mas não esqueceu de ressaltar que os EUA "não estão legalmente vinculados a nada do que aconteceu aqui". Ou seja: além de não trazer metas, o acordo não teria força de lei. Seria só um acordo político.
Todas as decisões da Convenção precisam ser tomadas por consenso, com aval de todas as nações. E até as 3 horas da madrugada de Copenhague, a plenária final não havia começado. Os presidentes foram embora, deixando seus diplomatas à espera de algum anjo ou sábio capaz de resolver a questão. O tal acordo anunciado por Obama não passa de uma carta de intenções, com algumas promessas de financiamento, mas nenhuma obrigatoriedade de resultados.
O comentário é de Herton Escobar e publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, 19-12-2009.
A declaração do presidente americano Barack Obama, que saiu de uma reunião com China, Índia, África do Sul e Brasil dizendo ter chegado a um acordo "sem precedentes" com os países emergentes, deverá entrar para a história como um desrespeito igualmente sem precedentes aos milhares de ativistas, diplomatas, empresários e jornalistas que passaram frio, apanharam da polícia, ficaram sem comer e sem dormir durante duas semanas de desgastantes negociações na capital dinamarquesa. Sem falar nos outros milhões de pessoas que acompanharam o processo à distância, pela imprensa, à espera de um acordo minimamente efetivo no sentido de combater as mudanças climáticas.
Obama também se esqueceu de dizer que o tal acordo "sem precedentes" - e sem metas - ainda precisava ser aprovado em reunião plenária por todos os outros países signatários da Convenção do Clima das Nações Unidas (193 no total). Pegou o avião e foi embora sem perguntar para Tuvalu e outras pequenas nações insulares se elas estavam de acordo com o risco de serem inundadas pela elevação do nível do mar. Mas não esqueceu de ressaltar que os EUA "não estão legalmente vinculados a nada do que aconteceu aqui". Ou seja: além de não trazer metas, o acordo não teria força de lei. Seria só um acordo político.
Todas as decisões da Convenção precisam ser tomadas por consenso, com aval de todas as nações. E até as 3 horas da madrugada de Copenhague, a plenária final não havia começado. Os presidentes foram embora, deixando seus diplomatas à espera de algum anjo ou sábio capaz de resolver a questão. O tal acordo anunciado por Obama não passa de uma carta de intenções, com algumas promessas de financiamento, mas nenhuma obrigatoriedade de resultados.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
A DECISÃO É.... NADA... BRIGAS À PARTE... NADA DE CONCRETO... COPENHAGUE FOI UM FIASCO !
Infelizmente, não era blefe. As negociações em Copenhague chegam aos instantes finais do mesmo jeito que começaram - sem nenhum consenso sobre nenhuma das questões mais importantes que deveriam constar do novo acordo internacional de combate às mudanças climáticas.Não há acordo à vista sobre quanto os países industrializados deverão reduzir suas emissões de gás carbônico nem sobre quanto dinheiro eles darão para ajudar os países em desenvolvimento a fazer o mesmo - conforme determina a Convenção do Clima das Nações Unidas, o tratado internacional que rege as discussões sobre esse tema desde 1992.
O comentário é de Herton Escobar, jornalista, e publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, 18-12-2009.
De fato, não há consenso nem mesmo sobre qual documento deve servir de base para as negociações. Vários rascunhos foram colocados na mesa, mas nenhum agradou o suficiente para ser levado adiante. O "problema" é que as decisões só podem ser tomadas por consenso. Todos os 192 países signatários da Convenção precisam concordar com cada vírgula do texto final que, eventualmente, selará um acordo sobre como o mundo vai lidar com o problema das mudanças climáticas daqui para frente. Se um deles bater o pé e disser que a vírgula deveria estar mais para a direita, não há acordo.
A lista de 192 países inclui desde os mais miseráveis até os mais ricos do mundo, com interesses e necessidades completamente diferentes. Portanto, é natural que as negociações sejam difíceis e se arrastem até o último minuto. Funciona como um jogo de pôquer. Todo mundo guarda sua melhor carta para o final, enquanto tenta espiar as cartas dos outros. Quando se chega à última rodada sem nem ao menos um texto-base de negociação sobre a mesa, porém, fica difícil acreditar que alguma cartada de mestre poderá salvar o jogo em que todos deveriam sair vencedores.
A situação no momento é a seguinte. O Protocolo de Kyoto (um acordo complementar à Convenção, assinado em 1997) obriga os países desenvolvidos a reduzir suas emissões em 5% até 2012. Depois dessa data, se não houver uma renovação de metas em Copenhague, o protocolo vai pelo ralo. A ciência diz agora que é preciso uma redução de 25% a 40% até 2020 para garantir que a temperatura do planeta não suba mais do que 2°C - limite considerado "seguro".
Os países em desenvolvimento exigem que o corte seja de 40%, mas as metas propostas pelos desenvolvidos até agora não chegam nem a 20%. A Convenção diz que só os países industrializados têm obrigação de reduzir suas emissões, mas estes querem que as nações emergentes (como China e Brasil) também se comprometam com metas obrigatórias.
O outro grande debate é sobre financiamento. A Convenção também diz que os países ricos têm obrigação de dar ajuda financeira e tecnológica para que os países pobres consigam crescer de maneira limpa (emitindo menos carbono) e, ao mesmo tempo, lidar com as mudanças climáticas que já estão em curso. O problema é o mesmo das metas: os valores oferecidos pelos países desenvolvidos estão muito abaixo do necessário, e eles querem que os países em desenvolvimento doem dinheiro para o bolo também.
O que acontecerá, então, se não houver acordo esta noite em Copenhague? Nada. Esse é o problema.
O comentário é de Herton Escobar, jornalista, e publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, 18-12-2009.
De fato, não há consenso nem mesmo sobre qual documento deve servir de base para as negociações. Vários rascunhos foram colocados na mesa, mas nenhum agradou o suficiente para ser levado adiante. O "problema" é que as decisões só podem ser tomadas por consenso. Todos os 192 países signatários da Convenção precisam concordar com cada vírgula do texto final que, eventualmente, selará um acordo sobre como o mundo vai lidar com o problema das mudanças climáticas daqui para frente. Se um deles bater o pé e disser que a vírgula deveria estar mais para a direita, não há acordo.
A lista de 192 países inclui desde os mais miseráveis até os mais ricos do mundo, com interesses e necessidades completamente diferentes. Portanto, é natural que as negociações sejam difíceis e se arrastem até o último minuto. Funciona como um jogo de pôquer. Todo mundo guarda sua melhor carta para o final, enquanto tenta espiar as cartas dos outros. Quando se chega à última rodada sem nem ao menos um texto-base de negociação sobre a mesa, porém, fica difícil acreditar que alguma cartada de mestre poderá salvar o jogo em que todos deveriam sair vencedores.
A situação no momento é a seguinte. O Protocolo de Kyoto (um acordo complementar à Convenção, assinado em 1997) obriga os países desenvolvidos a reduzir suas emissões em 5% até 2012. Depois dessa data, se não houver uma renovação de metas em Copenhague, o protocolo vai pelo ralo. A ciência diz agora que é preciso uma redução de 25% a 40% até 2020 para garantir que a temperatura do planeta não suba mais do que 2°C - limite considerado "seguro".
Os países em desenvolvimento exigem que o corte seja de 40%, mas as metas propostas pelos desenvolvidos até agora não chegam nem a 20%. A Convenção diz que só os países industrializados têm obrigação de reduzir suas emissões, mas estes querem que as nações emergentes (como China e Brasil) também se comprometam com metas obrigatórias.
O outro grande debate é sobre financiamento. A Convenção também diz que os países ricos têm obrigação de dar ajuda financeira e tecnológica para que os países pobres consigam crescer de maneira limpa (emitindo menos carbono) e, ao mesmo tempo, lidar com as mudanças climáticas que já estão em curso. O problema é o mesmo das metas: os valores oferecidos pelos países desenvolvidos estão muito abaixo do necessário, e eles querem que os países em desenvolvimento doem dinheiro para o bolo também.
O que acontecerá, então, se não houver acordo esta noite em Copenhague? Nada. Esse é o problema.
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