domingo, 25 de julho de 2010

Países africanos promovem eleições, mas ainda estão distantes da democracia


Embora o número de eleições na África seja motivo de esperanças, ele não necessariamente representa um aumento na democracia. O mapa acima mostra como as nações do continente se qualificam em termos democráticos.
Apesar de ir mais às urnas, população do continente ainda enfrenta problemas como corrupção eleitoral.
Até dezembro, boa parte dos 48 países da África subsaariana terá realizado eleições locais, regionais ou nacionais em 2010. Num continente que ficou famoso pela violência de seus golpes de estado, as eleições se tornaram um evento comum.
Desde o fim dos anos 1990, o número de golpes caiu (veja o gráfico abaixo) enquanto as visitas às urnas aumentaram, em muitos casos, em nações onde isso era inimaginável.

Vários fatores explicam o recente entusiasmo africano pelas eleições. A possibilidade de exercer pressão sobre políticos quase sempre arrogantes e corruptos é uma das principais motivações dos africanos. Na Nigéria, a corrupção praticada pelo Partido Popular Democrático nas eleições de 2007 despertou a fúria dos eleitores, que obrigaram o governo a fazer concessões com relação às eleições de 2011. A nomeação do professor Attahiru Jega como chefe da Comissão Eleitoral Nacional deu ao eleitorado a esperança de que a organização se torne realmente independente, e não uma máquina governamental de reeleição. As próximas eleições nigerianas serão monitoradas em todo o continente. Os dias da Guerra Fria, em que ditadores eram patrocinados pelos poderes dos dois lados do globo ficaram para trás.
No entanto, isso não necessariamente significa que a situação tenha passado por grandes mudanças. Uma análise das eleições recentes mostra que várias delas foram uma completa farsa. No Burundi, Pierre Nkurunziza se reelegeu com 92% dos votos e sem candidatos de oposição. Na Etiópia, os partidos de oposição conseguiram apenas duas das 547 cadeiras do parlamento. No Sudão, Omar Al-Bashir assegurou mais um mandato numa eleição que foi largamente ignorada pela oposição. Por toda a África, eleições são armadas para manter os partidos de situação no poder, e mesmo com a pressão para que os líderes permitam eleições livres, os governos manipulam todos os estágios do processo eleitoral.
Outro problema atrapalha a evolução do processo democrático africano: a recusa de líderes em aceitar a derrota e sair de cena. Apesar de exemplos positivos como o do território da Somalilândia no início do mês de julho e o de Gana, na década passada, líderes como Robert Mugabe, do Zimbábue, e Mwai Kibaki, do Quênia, se recusaram a abandonar a presidência mesmo após uma derrota nas urnas. Ambos tiveram como consequência surtos de violência em seus países, e acordos com a oposição que os mantiveram no cargo.
REPORTAGEM RETIRADA:
http://opiniaoenoticia.com.br/internacional/africa-oriente-medio/paises-africanos-promovem-eleicoes-mas-ainda-estao-distantes-da-democracia/?optin

O BRASIL DESIGUAL. E OS LUCROS DAS MULTINACIONAIS...

A MÍDIA NOS CONTA UMA REALIDADE... BONITA, DAS NOVELAS, DAS BELAS PAISAGENS QUE O BRASIL POSSUI.... MAS, AINDA ASSIM....


A POBREZA ESTÁ GANHANDO CONTORNOS MUITI PERIGOSOS NO BRASIL...
ENQUANTO ISSO, MUITAS EMPRESAS ESTÃO LUCRANDO COM TUDO ISSO...

É COMUM LERMOS NOTÍCIAS DE QUE O BRASIL É UM PAÍS DESIGUAL...
É MAIS COMUM AINDA LERMOS NOTÍCIAS DE QUE AS MULTINACIONAIS SÓ NOS EXPLORAM...
ENTÃO, NESTA POSTAGEM DE HOJE, VOU EXPOR AS DUAS IDÉIAS, TENTANDO FAZER VOCE PERCEBER, AS ASSOCIAÇÕES ENTRE ELAS...
SOMOS UM PAÍS DE DESIGUALDADES, MAS EMPRESAS VEM AQUÍ E LUCRAM, PARA POUCOS... O QUE FAZER ?

Em seu primeiro relatório sobre desenvolvimento humano para a América Latina e Caribe em que aborda especificamente a distribuição de renda, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) constatou que a região continua sendo a mais desigual do planeta. Dos 15 países do mundo nos quais a distância entre ricos e pobres é maior, 10 estão na América Latina e Caribe. O Brasil tem o terceiro pior Índice de Gini — que mede o nível de desigualdade e, quanto mais perto de 1, mais desigual — do mundo, com 0,56, empatando nessa posição com o Equador.
A reportagem é de Carolina Brígido e publicada pelo jornal O Globo, 23-07-2010.
Concentração de renda pior só é encontrada em Bolívia, Camarões e Madagascar, com 0,60; seguidos de África do Sul, Haiti e Tailândia, com 0,59. O relatório considera a renda domiciliar per capita e o último dado disponível em que era possível a comparação internacional.
No caso do Brasil, porém, a desigualdade de renda caiu fortemente nos últimos anos e, em 2008, o Índice de Gini estava em 0,515.
Na região, os países onde há menos desigualdade são Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai, com Gini inferior a 0,49. Na média, segundo o Pnud, o Índice de Gini da América Latina e do Caribe é 36% maior que o dos países do leste asiático e 18% maior que os da África Subsaariana.
O relatório, denominado “Atuar sobre o futuro: romper a transmissão intergeneracional da desigualdade”, mostra que a concentração de renda na região é influenciada pela falta de acesso aos serviços básicos e de infraestrutura, baixa renda, além da estrutura fiscal injusta e da falta de mobilidade educacional entre as gerações.
No Brasil, educação dos pais tem forte influência
No Brasil, por exemplo, a escolaridade dos pais influencia em 55% o nível educacional que os filhos atingirão.
O estudo também mostra que ser mulher indígena ou negra na região é, em geral, sinônimo de maior privação. As mulheres recebem menor salário que os homens pelo mesmo tipo de trabalho, têm maior presença na economia informal e trabalham mais horas que os homens. Em média, o número de pessoas vivendo com menos de um dólar por dia é duas vezes maior entre a população indígena e negra, em comparação com a população branca.
Ainda segundo o relatório, a desigualdade na região é historicamente “alta, persistente e se reproduz num contexto de baixa mobilidade social”. No entanto, para a entidade, é possível romper esse círculo vicioso — não com meras intervenções para reduzir a pobreza, mas com a implementação de políticas públicas de redução da desigualdade. Um exemplo são mecanismos de transferência de renda.
De 2001 a 2007, gasto social cresceu 30% na região “A desigualdade deve ser combatida per se, como objetivo de política explícito”, diz o documento.
Mas essa diretriz parece não ter funcionado na região. “Os altos níveis de desigualdade têm sido relativamente imunes às diferentes estratégias de desenvolvimento implementadas na região”, conclui o estudo.
Entre as conquistas da América Latina e Caribe, o estudo mostra que as mudanças na política social da região na década de 1990 se refletiram na distribuição de renda. O gasto público social apresentou tendência crescente e gira em torno de 5% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) dos 18 países da região, apesar das limitações fiscais enfrentadas pela maioria dessas economias.
Além disso, registrou-se na região um aumento do gasto social por habitante, em média, de quase 50% entre 1990 e 2001. Entre 2001 e 2007, o aumento foi de 30%. A maior parte do dinheiro concentrouse nas áreas de seguridade e de assistência social — esta última, representada principalmente pelo aumento no número de aposentados.

Relatório divulgado ontem pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) trouxe duas notícias ruins para o Brasil. Pela primeira vez na história do país, as remessas de lucros e dividendos vão superar a entrada de novos Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE). A previsão do organismo é que as remessas somem entre US$ 32 bilhões e US$ 35 bilhões, enquanto o IDE deve chegar no máximo a US$ 30 bilhões em 2010. Isso é efeito da crise financeira internacional, que obrigou as empresas a aumentarem as transferências para cobrir prejuízos das matrizes.
A reportagem é de Wagner Gomes e publicada pelo jornal O Globo, 23-07-2010.
A outra notícia é que o Brasil caiu quatro posições em 2009 no ranking dos países que mais receberam investimentos diretos, passando da 10º para A 14º posição O país recebeu US$ 25,9 bilhões, o que correspondeu a uma queda de 42,4%. Essa variação ficou acima da queda do fluxo de IDE no mundo em 2009, de 34,4%, para US$ 1,1 trilhão.
País mantém a dianteira na América Latina Ainda assim, o Brasil manteve a liderança na América Latina na atração de novos recursos produtivos.
A Argentina recebeu em 2009 apenas US$ 4,9 bilhões, contra US$ 12,7 bilhões do Chile e US$ 12,5 bilhões do México.
No topo da lista global, aparecem os EUA (US$ 129,9 bilhões de investimentos) e logo a seguir a China (US$ 95 bilhões), que tomou o lugar da França.
— O efeito da crise, sentido por outros países já em 2008, foi mais forte no Brasil somente em 2009. Por isso, a queda dos investimentos foi maior no ano passado — disse o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima.
Para o presidente do conselho da Sobeet, Hermann Wever, além da crise financeira, o câmbio valorizado e a carga tributária elevada também provocaram queda no fluxo de investimento estrangeiro no Brasil. Ele disse que o maior prejuízo é o impacto negativo nas contas externas do país, já que o aumento do déficit em transações correntes não é compensado pela entrada de investimento estrangeiro.
Do ponto de vista estrutural, Lima apontou a ausência do Brasil no conjunto de países que assinaram tratados para proteger os investimentos. No mundo, nos últimos 10 anos, foram assinados 1.004 tratados.
— Até hoje o Itamaraty não deu uma explicação contundente sobre isso. As empresas estrangeiras se sentiriam mais seguras de investir no Brasil se assinassem um tratado —disse.
Wever afirmou que o Brasil não só deixou de assinar tratados nos últimos 10 anos como também perdeu um que tinha com a Alemanha. Lima disse que os tratados são importantes porque várias empresas já enfrentaram problemas no exterior e tiveram acordos descumpridos, como a Petrobras, na Bolívia, e a Odebrecht, no Equador.
Segundo o levantamento da Unctad, a retração de fluxos de investimentos não foi uniforme no mundo. Em economias desenvolvidas, o recuo foi de 48%, enquanto para os países em desenvolvimento a queda, a primeira em seis anos, foi de 21%.
Emergentes receberão de 50% do fluxo global este ano Houve redução de investimentos em todos os setores, mas na manufatura a queda foi maior (77%) do que no setor de serviços (57%) e no setor primário (47%). Entre os que tiveram aumento no fluxo de investimento estiveram os setores de energia elétrica, gás, saneamento, construção civil e telecomunicações, relacionados à infraestrutura.
Segundo a Unctad, as economias em desenvolvimento já respondem por 49,2% dos fluxos e a perspectiva é que em 2010 esse percentual ultrapasse 50% pela primeira vez. As empresas transnacionais latinoamericanas estão sendo favorecidas por baixo endividamento e maior resistência à crise, diz o relatório.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A ECONOMIA MUNDIAL VAI CRESCER...E A RENDA VAI SER DISTRIBUÍDA COM ISSO ?

A ECONOMIA MUNDIAL VAI VOLTAR A CRESCER EM 2010... A CRISE ECONÔMICA PARECE ESTAR DANDO SINAIS DE UM FIM, OU PELO MENOS, PARECE ESTAR CHEGANDO LÁ...
É DINHEIRO , MAIS DINHEIRO, QUE NÃO SE PODE CABER AQUI, DE TANTO DINHEIRO....
MAS, SERÁ QUE TODOS, EM TODAS AS PARTES DO MUNDO, GANHARÃO COM ESTA NOTÍCIA FABULOSA??? OU CONTINUAREMOS A VER IMAGENS COMO ESTA ABAIXO??

VAMOS PARAR DE DIVAGAR, E LER A NOTÍCIA ABAIXO:
Comércio mundial crescerá 10% em 2010, aponta OMC
DA FRANCE PRESSE, EM XANGAI
O comércio mundial aumentará 10% em 2010, depois de ter sofrido uma redução de 12% no ano passado, anunciou nesta sexta-feira, em Xangai, o diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy, ao apresentar o relatório anual da instituição.
"Nossa previsão para o comércio mundial este ano é de alta de 10% em volume, depois do recuo de 12% de 2009", declarou Lamy.
A OMC elevou sua previsão em relação à cifra adiantada em março, que era de crescimento de 9,5%.
Segundo a OMC, em 2009 ocorreu uma queda sem precedentes do volume de negócios desde a Segunda Guerra Mundial, por culpa da crise econômica, que afetou fortemente a demanda.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O VELHO CONTINENTE: AÇÕES CONTRA AQUELES QUE SÃO RELIGIOSOS !

ACIMA, NO BRASIL, AS MULHERES SE ESCONDEM, E NÃO MOSTRAM SEUS ROSOTOS, POR CAUSA DO MEDO, QUE É RESULTADO DA VIOLÊNCIA....
ABAIXO, NA EUROPA, ELAS QUEREM TER A LIBERDADE DE PODER ACREDITAR NO QUE QUEREM, E O DESEJO DE EXPOR SEUS ROSTOS DO JEITO QUE QUISEREM...
AQUÍ NO BRASIL, AS MULHERES ESTÃO SENDO TRATADAS COM VIOLÊNCIA E CRUELDADE... NA EUROPA, NÃO FICA POR MENOS, SÓ QUE A VIOLÊNCIA LÁ É FEITA DE FORMA DIFERENTE....

ESTA É BOA, APROVAR MEDIDAS COMO ESTA EM NOME DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO É ATENTAR CONTRA A PRÓPRIA LIBERDADE DE EXMPRESSÃO EM UM PAÍS, CONTINENTE QUE ESTÁ PERDENDO SUA IDENTIDADE E APOSTA NAS PROIBIÇÕES COMO FORMA DE MANTER SUA PUREZA COMPORTAMENTAL...

QUE VIVA A LIBERDADE!

QUE CADA UM SE PRODUZA OU VISTA DE ACORDO COM QUE ACREDITA... SEM DESRESPEITAR AS IDENTIDADES DOS OUTROS...

Câmara da Espanha rejeita lei que bane véu islâmico em locais públicos
Já aprovada no Senado, proposta foi vetada por 183 votos a 162.Há uma semana, parlamentares franceses aprovaram lei que bane véu.
Do G1, em São Paulo
Deputados da Espanha rejeitaram nesta sexta-feira (20), por 183 votos a 162 e duas abstenções, a proposta do oposicionista Partido Popular de proibir o uso de véu islâmico integral (niqab ou burca) em lugares públicos no país, informa o diário espanhol “El País”.Foi a primeira votação sobre o assunto na Câmara baixa espanhola, após o Senado ter aprovado a proposta de lei para banir a vestimenta.A resolução do PP pedia ao Executivo a “proibição em todos os espaços públicos que não tenham finalidade estritamente religiosa do uso de véus integrais, assim como qualquer outro acessório que ocultem o rosto ou dificultem a identificação da pessoa ou a comunicação visual”.
País com mais de 40 milhões de habitantes, a Espanha tem cerca de 1 milhão de muçulmanos, a maioria proveniente do Marrocos, onde o uso do véu é comum.
Na semana passada, parlamentares franceses votaram a favor de banir o uso de véus em locais públicos, deixando a França mais perto de se tornar o segundo país europeu a tornar seu uso ilegal.
A França tem a maior população minoritária muçulmana, com cerca de 5 milhões de pessoas. A medida passou com grande maioria na Assembleia, e ainda precisa passar no Senado.
Medida semelhante havia sido aprovada pela Bélgica em abril.

terça-feira, 20 de julho de 2010

O CAPITAL ESPECULATIVO VOLTA, E ISSO PREOCUPA!

O CAPITAL ESPECULATIVO SUGA, E O DINHEIRO VAI EMBORA....

SEMPRE DIGO QUE JUROS ALTOS ATRAI TODO TIPO DE INVESTIDOR, SENDO QUE O QUE É MAIS MALÉFICO NESTE SENTIDO, É O CAPITAL ESPECULATIVO, AQUELE QUE NÃO TEM RESPONSABILIDADE COM NINGUÉM E JÁ LEVOU A QUEBRADEIRA VÁRIOS PAÍSES, E FOI UM DOS RESPONSÁVEIS PELA CRISE ECONÔMICA NOS EUA....
POR QUE NÃO LIMITAR ESTE CAPITAL NO BRASIL?
PORQUE NÃO CRIAR REGRAS PARA ELE VIR AQUÍ ?
É PRECISO TER PREOCUPAÇÃO E PRECAUÇÃO...
ELES NÃO ESTÃO NEM, AÍ PARA NÓS....

O aumento do chamado investimento em carteira (que engloba a renda fixa) preocupa alguns analistas. Eles argumentam que, mesmo que os estrangeiros comprem hoje títulos de longo prazo do Brasil, é muito mais fácil se desfazer de um ativo financeiro do que de uma aplicação na produção - como fábrica ou empresa.
A reportagem é de Leandro Modé e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 19-07-2010.
Para o professor da PUC-SP Antônio Corrêa de Lacerda, o grande risco é o País ficar cada vez mais dependente dos capitais especulativos. Isso ocorre porque o Brasil tem hoje um déficit no setor externo. Ao final de maio, o buraco acumulado em 2010 era de US$ 14 bilhões, o equivalente a 2,35% do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa de analistas do mercado financeiro é de que encerre o ano um pouco acima disso.
Para que as contas externas fechem, é preciso que o rombo seja coberto. A alternativa seria a taxa de câmbio fazer o ajuste, o que implicaria uma indesejável maxidesvalorização do real.
Por enquanto, o financiamento do déficit não tem sido problema, justamente por causa da disposição dos estrangeiros em investir no Brasil, tanto em instrumentos financeiros quanto na produção (o chamado Investimento Estrangeiro Direto, IED).
Mas Lacerda nota que a importância da parte financeira vem aumentando. Neste ano, por exemplo, o IED acumulado até maio atingiu US$ 11,4 bilhões, abaixo dos US$ 12,1 bilhões dos investimentos em renda fixa.
O especialista observa que a situação atual do País é totalmente diferente daquela que vigorou na década de 90. Na época, o Brasil adotava um regime de câmbio praticamente fixo. Para conseguir manter a cotação determinada, precisava atrair capitais externos, o que era feito por meio da elevação da taxa básica de juros. Era um ambiente perfeito para o especulador de curto prazo.
Hoje, Lacerda lembra que o regime é de câmbio flutuante - ou seja, a própria taxa pode subir ou descer para equilibrar melhor os fluxos - e o País tem reservas grandes, superiores a US$ 250 bilhões. Mesmo assim, o professor enxerga o longo prazo com certo desconforto. "O risco, hoje, é de vermos o sapo cozinhar em fogo brando."
O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, acredita que o maior problema em potencial da combinação de déficit entre conta corrente e investimento em carteira é uma volatilidade maior da taxa de câmbio. "Hoje, esse movimento está favorável ao real. Mas, e lá na frente, o que pode acontecer?", indagou.
Público e privado
Os estrangeiros estão investindo tanto em títulos públicos quanto em papéis de empresas, sobretudo as de grande porte. Afinal, o juro básico da economia serve de referência para as emissões do setor privado. A maior parte do dinheiro que entrou até maio - US$ 7,9 bilhões dos US$ 12,1 bilhões - teve como destino os títulos do governo brasileiro. É bem mais do que em igual período do ano passado - quando deixaram o País US$ 600 milhões -, mas menos do que no mesmo intervalo de 2008 (US$ 9,3 bilhões) e 2007 (US$ 9,6 bilhões).
Segundo especialistas, a tendência é de que os investimentos nos papéis brasileiros de renda fixa, principalmente os do governo, continuem crescendo. A ressalva, evidentemente, fica por conta da crise. Se a situação externa piorar e os temores de um duplo mergulho nos países desenvolvidos se confirmar, o cenário muda completamente.
Mas, assumindo que as condições que vigoraram até agora em 2010 permaneçam, as perspectivas são positivas. O diretor executivo de serviços transacionais do Citibank no Brasil, Pedro Guerra, observa que, hoje, a participação de estrangeiros na dívida pública brasileira é de pouco menos de 10%. No México, é de quase 15% e, na Polônia, de 32%.
PARA ENTENDER
1.- O que atrai os investidores estrangeiros?
O Brasil tem a maior taxa de juros do mundo, descontada a inflação, e é considerado um lugar seguro para se investir.
2.- No que eles investem?
Em papéis emitidos pelo governo e por empresas (debêntures, commercial papers, etc).
3.- Qual é o impacto da entrada desse dinheiro para o País?
O real, quando comparado a uma cesta de 11 moedas, está no nível mais alto desde o início do segundo semestre de 2008, pouco antes da quebra do banco americano Lehman Brothers.

"A saída do túnel ainda está longe e exige, para poder se realizar, uma mudança radical nas políticas dos Estados, com o abandona o simples laissez-faire e a reivindicação de um papel de controle também no campo econômico, com o fim de dirigir as escolhas para o bem comum."A opinião é do teólogo italiano Giannino Piana, professor de ética cristã na Universidade de Urbino e de ética e economia na Universidade de Turim.
O artigo foi publicado na revista Jesus, de julho de 2010.
A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
A CRISE ECONÔMICO-FINANCEIRA está tudo menos superada.
As consequências negativas são sempre evidentes e se fazem sentir tanto no campo do emprego – todos os dias assiste-se também no nosso país ao fechamento de novas empresas –, quanto no dos consumos, que sofreram uma forte contração.Mas o que principalmente desperta desconcerto é o fato de que – como observava George Soros há alguns meses no Financial Times – os operadores financeiros, isto é, os principais responsáveis pela crise parecem os únicos a ganhar com ela.
Depois de um breve período de silêncio devido ao medo das reações da opinião pública, eles retornaram desafiadoramente ao mercado, usando toda a sua influência para restabelecer o status quo, isto é, para restaurar a maximização dos seus lucros às custas dos consumidores. Quem se tornou vencedor hoje, de fato, foi a maior parte dos grandes bancos e agências financeiras norte-americanas e europeias, que celebram em 2009 ganhos superiores aos de 2007.
O que propiciou esse resultado foi o empenho profuso dos governos e dos bancos centrais no resgate das entidades em dificuldade (bancos privados, particularmente). Empenho, além disso, necessário, em vista da criação de condições para o relançamento das empresas em grave crise de liquidez. As somas destinadas para buscar esse resultado foram muito ingentes.
Os países do G-20 gastaram até agora nove bilhões de dólares, igual a 18% do seu PIB (e há quem hipotetize até uma cifra duplicada).
As perplexidades acerca desse maciço empenho do "público" foram, porém, florescendo gradualmente, principalmente pelo modo com que bancos e sociedades financeiras utilizaram (e utilizam) os fundos recebidos: de fato, parece que o maior esforço se concentrou na busca de ganhos sempre mais elevados e nos pagamentos dos banqueiros que, de acordo com o que o Wall Street Journal refere, superam, nas 23 maiores instituições financeiras norte-americanas, o recorde alcançado em 2007.
As consequências dessas operações se revelaram extremamente graves: vai-se do aumento do déficit público – calcula-se que tenha se atingido em quase todo o Ocidente a 100% do PIB – à redução das entradas fiscais, até ao crescimento do gasto estatal, que alcançou nos EUA mais de 100% do PIB. Além desses dados preocupantes, devem ser acrescentados: a contração sem precedentes do crédito às empresas, também por isso em grande dificuldade; a perda seca do posto de trabalho para um número muito amplo de trabalhadores (calcula-se que, em 2009, os desempregados aumentaram em mais de 60 milhões, e que o percentual dos menores de 25 anos que se encontram sem trabalho é de 18,2% nos EUA e de 19,8% na Europa); o crescimento sempre maior dos débitos das famílias; e, por fim, a menor disponibilidade das instituições públicas de investir em campos fundamentais como a saúde, a educação e a cultura e, em geral, os serviços.
Quem paga a conta maior dessa difícil conjuntura são principalmente os cidadãos comuns e as suas famílias, que se encontram tendo que enfrentar problemas sempre mais inoportunos de subsistência, tendo à disposição um quantitativo sempre menos consistente de recursos em nível pessoal e podendo contar sempre menos com a proteção do público.
Mas o que desperta as maiores preocupações, além das recaídas imediatas da crise, pelas quais se exige a criação de amortizadores sociais adequados, é a constatação de que o que está sendo verificado nestes meses, longe de anunciar uma saída do atual estado de dificuldades, crise as premissas para que se precipite, em tempos iminentes, em um abismo ainda mais profundo, com resultados dramáticos.
A inexistente busca de alternativas verdadeiras, que provoquem uma alteração nas relações entre economia financeira e economia produtiva, subvertendo a ordem atual e restituindo o primado à produtividade dos bens, mas principalmente a renúncia a impôr regras severas ao mercado para recolocá-lo a serviço do desenvolvimento humano são sinais que mortificam toda esperança de mudança.
A saída do túnel ainda está longe e exige, para poder se realizar, uma mudança radical nas políticas dos Estados, com o abandona o simples laissez-faire e a reivindicação de um papel de controle também no campo econômico, com o fim de dirigir as escolhas para o bem comum. Mas, enquanto isso, exige a presença de uma sociedade civil madura, que saiba sustentar responsavelmente a ação política, também ao custo de inevitáveis sacrifícios, e principalmente que seja capaz de reagir à situação presente com a adoção de estilos de comportamento que tenham como objetivo o desenvolvimento de um novo modelo de civilização, centrado na promoção de uma melhor qualidade de vida.
E AÍ, AINDA CREDITA NO CAPITAL ESPECULATIVO ???
AINDA CREDITA QUE LE PODE TRAZER SUCESSO PARA ALGUÉM, SE NÃO SE PRÓPRIO PROPRIETÁRIO ?