terça-feira, 31 de março de 2009

SUL-AMERICANOS E ÁRABES SE UNEM, POR UM MUNDO MULTIPOLAR !

Doha, 31 mar (EFE).- Os 12 países sul-americanos e os 22 árabes uniram hoje suas vozes para resgatar a velha reivindicação de um mundo multipolar, e reivindicar às nações mais ricas do mundo que eles sejam incluídos na luta contra a crise global.
A cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne as nações mais ricas e principais emergentes), que será realizada a partir do dia 2 em Londres, ocupou boa parte dos discursos da 2ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da América do Sul e dos Países Árabes (Aspa), no Catar.
No encontro, os líderes anteciparam algumas de suas propostas para combater a crise financeira mundial.
Em Londres estarão presentes três países - Brasil, Argentina e Arábia Saudita - dos 34 que se reuniram hoje, um percentual pouco menor que os 10,5% que a população representa para o total do mundo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva antecipou no discurso na sessão inaugural que o grande objetivo destes países deveria ser defender o papel do Estado perante o G20.
O discurso do presidente foi marcado por apelos à regulação e à maior transparência dos mercados financeiros, e ele também insistiu na necessidade de concluir a Rodada de Desenvolvimento de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Enquanto isso, a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, destacou que seus planos são "levar ao G20 a voz das economias emergentes".
"Para nós, é vital recriar uma ordem multipolar, que vai implicar em uma reversão das políticas implementadas e em que todos tenhamos respeito às decisões da ONU", ressaltou.
A presidente chilena, Michelle Bachelet, como presidente de turno da União de Nações Americanas (Unasul), respaldou essas palavras e as de Lula.
Após o fim da cúpula, Bachelet deu uma entrevista para apresentar o documento final, batizado de Declaração de Doha, e ressaltou que o consenso alcançado "terá uma força suficiente" para que, no G20, a voz de árabes e sul-americanos "possa estar presente".
Em várias ocasiões durante os discursos dos chefes de Estado e de Governo em Doha foram ouvidas três palavras: "nova ordem mundial".
Durante alguns momentos, a cúpula recuperou algumas essências clássicas do Movimento dos Não-Alinhados, entre alusões constantes à cooperação sul-sul e à necessidade do multilateralismo e de órgãos internacionais mais efetivos.
O discurso do presidente venezuelano, Hugo Chávez, verdadeiro ídolo de massas no mundo árabe após romper relações com Israel em janeiro, após a ofensiva israelense contra Gaza, foi a única a ser ovacionada antes mesmo de começar o pronunciamento.
Chávez retomou várias propostas, como a criação de um banco de investimento entre os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que contou com nove representantes na Aspa, ou a adesão à iniciativa chinesa de criar uma nova moeda de referência internacional.
O líder venezuelano também dedicou duras palavras à ordem de detenção emitida pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o presidente sudanês, Omar al-Bashir, por crimes de guerra e de lesa-humanidade em Darfur.
"Por que (o TPI) não ordenará a captura de (George W.) Bush? Por que não ordenará a captura do presidente de Israel? A Venezuela aqui se põe de joelhos e nos alinhamos com a Liga Árabe", disse à imprensa logo depois de chegar ao Catar.
Horas mais tarde, em seu discurso perante a cúpula, convidou Bashir a visitá-lo em Caracas.
No entanto, este assunto, que foi o protagonista da cúpula da Liga Árabe realizada um dia antes em Doha, ficou relegado a segundo plano na reunião da Aspa.
Somente nos discursos de Chávez e do próprio Bashir, que não pediu um apoio explícito aos sul-americanos, houve alguma alusão ao tema.
Desta forma, foram aplacados os temores que fontes diplomáticas sul-americanas tinham expressado anteriormente à Agência Efe de que o conflito com Bashir centrasse as discussões, em detrimento de uma ação concertada contra a crise. EFE

domingo, 29 de março de 2009

O G-20 E SUAS QUESTÕES !

EU JÁ PUBLIQUEI AQUÍ POSTAGEM SOBRE A REUNIÃO DO G-20, QUE OCORREU NO BRASIL, EM SÃO PAULO, NO ANO PASSADO!
AGORA, QUE ANTECEDE A PRÓXIMA REUNIÃO...
PENSADORES, ECONOMISTAS, POLÍTICOS E A GALERA EM GERAL, ESCREVEM SOBRE O QUE SE ESPERA DESTA PRÓXIMA REUNIÃO.

O G20 em 10 questões, segundo Robert Kurz

Robert Kurz, sociólogo alemão, autor de "O Colapso da Modernização", em 10 questões, descreve, no jornal Folha de S. Paulo, 29-03-2009, o que estará em jogo na reunião do G20, nesta semana.

1. Renovação
Nos tempos da economia das bolhas financeiras e da conjuntura global de déficits, as instituições econômicas internacionais, sobretudo o Fundo Monetário Internacional, eram consideradas quase supérfluas. O dinheiro parecia existir em abundância, desde que se estivesse em condições de participar do jogo. Agora o jogo acabou. Sob a impressão da devastadora crise financeira global, a cúpula do G20 pretende renovar na íntegra a arquitetura do sistema financeiro internacional e, mais especificamente, revivificar o FMI. Mas, a rigor, já é tarde demais. De onde o FMI receberá seus recursos? Em uma situação de "perplexidade desorganizada", bons conselhos ameaçam tornar-se proibitivamente caros.

2. Poder institucional
Já antes da realização da cúpula, brigava-se pelas competências institucionais. A China propõe que o FMI controle, no futuro, o sistema financeiro internacional, reservando ao Banco para Pagamentos Internacionais, na Basiléia [Suíça], o papel de definir as novas regras. Isso, porém, provoca a reação dos EUA, que não aceitam quem lhes prescreva regras. Além disso a distribuição do poder institucional refere-se a um futuro que talvez nem se concretizará. Se, de certo modo, nada mais há para controlar, a única tarefa remanescente será a gestão da crise. E aqui é de pouquíssima serventia regatear em torno de competências futuras.

3. Beco sem saída
Na situação emergencial momentânea, numerosos "Estados cadentes" ("falling states"), nos quais a falência do Estado deveria ser evitada, ameaçam entrar em cena, da Islândia à Romênia. Nesses países, o FMI não mais deve impor exigências discriminadoras quando da concessão de créditos. Apesar disso, a ajuda do fundo nesses mercados está vinculada a um estigma, que tende a piorar a situação. Por isso, por exemplo, a Coreia do Sul não pretende lançar mão de recursos, embora deles necessite. Tal situação configura um beco sem saída.

4. Financiamentos
Para superar a crise, o FMI pretende inventar um novo programa de créditos, denominado Linha de Crédito Flexível. Mas esse nome bonito não diz nada sobre a origem do dinheiro com que o programa deve ser financiado e, tampouco especifica sua destinação. Não existe mais nenhuma cornucópia cujas benesses possam ser derramadas. Os espaços monetários centrais já precisam enfrentar suas crises internas.

5. Potência inflacionária
A médio prazo, todos os programas de crédito do FMI só podem ser implementados com base no dólar. Mas são justamente os EUA que agora acionam a máquina de imprimir cédulas. Neste ano, o endividamento deverá aumentar no mínimo em 15% do Produto Interno Bruto. A mesma tendência já se entremostra no Japão e na União Europeia. A potência inflacionária que ela contém e que, de qualquer modo, já é global só pode se reforçar, em razão dos créditos adicionais concedidos pelo FMI.

6. China e Índia
Países como a China e a Índia reivindicam uma cota mais elevada de direitos especiais de saque no FMI. De momento, a China detém apenas uma cota de 3,7%. Afirma-se que isso já não mais corresponde ao peso da economia chinesa. Mas uma cota mais elevada para a China afetaria outros países, como a Suíça, que naturalmente resistem contra essa medida. Além disso, a China e a Índia se transformarão, logo mais, de pesos pesados em pesos leves no decurso da crise econômica global. A redistribuição das cotas refere-se ao passado.

7. Crise do dólar
Outro tema do G20 será a substituição do dólar como moeda mundial, naturalmente às expensas dos EUA. O primeiro-ministro russo Vladimir Putin pretende "minar" a posição do dólar. Mas ele é uma toupeira incompetente, pois o próprio rublo [moeda russa] está despencando. O iene e o euro também não podem substituir o dólar. Todas as moedas centrais sofrem os efeitos da mesma crise financeira. Trata-se de uma crise generalizada da moeda enquanto "equivalente geral", não apenas de uma mera debilidade da moeda de reserva na concorrência normal entre as moedas nacionais.

8. Moeda fictícia
Com boas razões, a China vê com ceticismo os objetivos de Putin, mas a ideia chinesa de substituir o dólar como moeda de reserva justamente pelos direitos especiais de saque junto ao FMI não é, em nada, melhor. Essa moeda fictícia não tem nenhum fundamento na economia real e deve fracassar enquanto moeda de aplicação de reservas internacionais, por representar apenas uma superestrutura sintética da moeda real de todos os Estados nacionais envolvidos. Com esse sucedâneo, não há como conquistar a famosa "confiança" dos mercados.

9. Cooperação e protecionismo
É certo que na cúpula do G20 será invocada, em termos ritualísticos, a construtiva cooperação internacional em meio à crise. Mas, quanto mais fortes forem os clamores de advertência de todos contra o risco de "reflexos protecionistas", tanto mais todos estarão preparando, no plano doméstico, suas medidas protecionistas. Isso vale em especial para a China e os EUA, cujas advertências são particularmente audíveis. Cada um cuida primeiramente de si, embora todos saibam que, no patamar econômico entrementes atingido, a globalização só é reversível ao preço de colapsos de crises muito mais profundas.

10. Resultados duvidosos
Causam perplexidade não apenas as contradições entre os países envolvidos, mas também suas contradições internas. Em todos os países, os partidos lutam por concepções igualmente arriscadas. A queda dos governos tcheco e húngaro coloca a pergunta se os ministros presentes ao encontro de Londres genericamente ainda podem falar em nome de seus países e se a cúpula ainda tem capacidade de negociar soluções a longo prazo. O êxito da cúpula da crise é mais do que duvidoso. Provavelmente os participantes se despedirão com cortesia, sem terem chegado a resultados palpáveis, e procurarão depois salvar a própria pele. A interdependência de todos tende mais à paralisia, pois o mundo do capital desconhece uma instância comum.

O G20 em 10 questões, segundo professor da USP

Angelo Segrillo, professor de história contemporânea na USP e, atualmente, "visiting scholar" na American University (Washington), descreve, em 10 questões, para o jornal Folha de S. Paulo, 29-03-2009, o que estará em jogo na próxima reunião do G20.

1. Ação coordenada
A crise econômica é o tema que vai dominar. O G20 não é um grupo de países, é uma reunião de ministros das Finanças e de presidentes de Bancos Centrais. Mesmo se não fosse essa sua vocação, o tema central seria mesmo a crise, atraindo líderes de Estado -o que dá dimensão política ao evento. A possibilidade de uma ação coordenada entre os países para combater a crise será a questão central. Até agora cada país seguiu uma receita diferente. Há várias resistências a essa coordenação, inclusive dos EUA, um dos países mais isolacionistas.

2. A diferença entre EUA e Europa
Os EUA estão sendo keynesianos, preferindo o estímulo fiscal. Os europeus consideram que o problema nos EUA era a falta de regulação, e estão dando ênfase à "rerregulação" do mercado financeiro. O difícil não é regular apenas cada país por si, e sim em nível mundial. Essas duas abordagens devem entrar em embate -se bem que o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, propõe uma forma de regulação.

3. Fundo Monetário Internacional
O FMI sempre foi um "clube dos países ricos". No G20, que inclui emergentes, deve-se discutir como mudar o FMI para abordar não só os desenvolvidos. O órgão já vem dando sinais de mudança, como não exigir a ortodoxia fiscal de antes.

4. China
Uma grande discussão será como integrar a China, principalmente, à questão da governança financeira global. No FMI, os EUA têm um peso desproporcional, por exemplo. Há que discutir como fazer o FMI refletir o peso crescente da economia chinesa.

5. Moeda internacional
A ideia, sugerida pelo presidente do Banco Central chinês, de criar uma moeda internacional para trocas em lugar do dólar, é importantíssima: atualmente os EUA têm o poder de emitir a moeda internacional, o que dá uma vantagem tremenda. Na prática, os EUA não vão aceitar, a China não deve levar a questão adiante nesta reunião, mas a ideia deve ficar para outras discussões.

6. Mercado financeiro internacional
Se nos EUA os fundos de hedge não eram regulados nacionalmente, mais difícil seria regulá-los internacionalmente. Deve-se discutir se é possível uma regulação financeira internacional. Não se deve chegar a esse extremo, mas pode-se discutir a criação de um mecanismo supervisor internacional. Agora haveria muita resistência, mas a ideia pode ser lançada para implementação futura.

7. Protecionismo
É uma tendência natural: para criar empregos em seu país, quanto menos importar, melhor. Um problema da crise de 1929 foi o protecionismo. Nesse caso, pode melhorar para uns e piorar para os outros. Sem protecionismo, de maneira geral acaba sendo melhor para todos, mas a reação irracional à crise pode levar a medidas protecionistas.

8. Temas de Doha
Países como o Brasil podem querer retormar questões levantadas na Rodada Doha (não a Rodada Doha em si, pois se dá no âmbito da Organização Mundial do Comércio): abrir os mercados industriais do Terceiro Mundo e os agrícolas do Primeiro Mundo.

9. Obama e Medvedev
O encontro dos presidentes dos EUA e da Rússia será muito importante. Obama está propondo uma mudança nas relações com a Rússia, o "Reset" (Reiniciar), e eles devem aproveitar para ir além das questões econômicas, discutindo o escudo de mísseis na Europa e a relação entre Rússia e Geórgia, por exemplo.

10. Distúrbios sociais
Um tema fundamental será como evitar distúrbios sociais em regiões mais empobrecidas, que não avançam em desenvolvimento. A elevação dos preços dos alimentos está criando uma tensão grande e, com a crise e o desemprego, a situação pode se tornar explosiva. Discutem-se os chamados "Estados falidos", em que praticamente não há mais Estado. Um exemplo é a Somália, cujos piratas ameaçam cargueiros do mundo inteiro. Nos EUA há o medo de o México se tornar um Estado falido, por conta da violência na região da fronteira.

11. E um tema esquecido
A questão ambiental vai ser mencionada, mas não ficará no primeiro plano -espero estar errado. Apenas Obama está aproveitando a oportunidade na crise: ele poderia se preocupar só com reativar a economia, mas, em vez disso, está propondo uma mudança de paradigma. Quer incentivar uma indústria alternativa, carros ecológicos... Ao emprestar dinheiro, os governos têm nas mãos o poder de cobrar algum avanço.

sexta-feira, 27 de março de 2009

60 MINUTOS ! PODEMOS IR LONGE, É SÓ QUERER!

AMANHÃ, dia 28 de março de 2009 acontecerá, em todo o mundo, a Hora do Planeta, uma ação do WWF (World Wildlife Fund) que conta com meu total apoio, divulgação.
Nessa data, empresas, governos e sociedade civil serão convidados a apagarem as luzes por sessenta minutos, a partir das 20h30 - num ato simbólico contra o aquecimento global.
O projeto, que já conta com a adesão de mais de 500 cidades no mundo inteiro – incluindo Sidney, Nova York e Londres, foi lançado oficialmente no Brasil no último dia 28 de janeiro. Espera-se que o movimento mobilize 12 milhões de pessoas no Brasil e mais de 1 bilhão no mundo.
FAÇA SUA PARTE, E DEPOIS ME CONTE COMO FOI !

terça-feira, 24 de março de 2009

A HORA É AGORA ! VAMOS TODOS APAGAR AS LUZES !

A hora é essa. No próximo dia 28, sábado, entre 20h30m e 21h30m, diversas cidades do Brasil e do mundo vão apagar as suas luzes para chamar a atenção para o aquecimento global.
A reportagem é de Carlos Albuquerque e publicada pelo jornal O Globo, 24-03-2009.


Iniciativa da rede WWF, o evento, apropriadamente batizado de Hora do Planeta, é um ato simbólico no combate às mudanças climáticas.
No Brasil, mais de 30 cidades e 53 instituições aderiram ao movimento, que já conta com 2.140 localidades de 82 países. Ícones mundiais, como o Cristo Redentor, no Rio; a Torre Eiffel, em Paris; e a ponte Golden Gate, em San Francisco (EUA) serão apagados, marcando a adesão global ao evento.
— Com o gesto de apagar a luz, queremos passar uma mensagem de alerta contra o aquecimento global — afirma a secretária-geral do WWFBrasil, Denise Hamú.
— Temos a ambição de, através de um simples ato simbólico, provocar uma mudança de comportamento, que faça com que não apenas governos e instituições mas também cidadãos comuns se engajem e tenham mais compromisso com o planeta.
O evento aconteceu pela primeira vez em Sydney, na Austrália, em 2007, como um movimento local.
— Desde então, o evento tem crescido de forma impressionante, se espalhando no ano seguinte por 35 países — conta o australiano Andy Ripley, diretor-executivo da Hora do Planeta.
— Com o crescimento, ampliamos o nosso foco para a causa maior, que é o aquecimento global.
De acordo com Ripley, o evento vai servir como “um mandato” para que os políticos se engajem cada vez mais no debate sobre as mudanças climáticas, na esperança que, no fim do ano, durante a Conferência do Clima, da ONU, em Copenhague, na Dinamarca, se consiga chegar, enfim, a um novo acordo que possa suceder, satisfatoriamente, o Protocolo de Kioto, que expira em 2012.
— Passamos aos políticos a mensagem de que confiamos neles para que façam bem o seu papel em Copenhague — explica Ripley.
Esta é a primeira vez que o Brasil (“Um dos países-chave para as negociações em Copenhague”, segundo Ripley) participa da campanha.
Apesar de possuir uma matriz energética limpa — 85% do território nacional é abastecido por hidrelétricas — e ter um baixo consumo per capita de energia, a “dívida” do país com o clima se dá através do desmatamento. A devastação das florestas — principalmente a Floresta Amazônica — é responsável por 75% das emissões de CO2 do Brasil, fato que coloca o país entre os cinco maiores emissores de gases-estufa.
— A participação do Brasil na Hora do Planeta é extremamente importante para chamar ainda mais a atenção para o desmatamento — diz Denise Hamú.
— Além disso, o país tem um peso muito grande nas atuais negociações climáticas.
Mas como lembra Roberto Schaffer, professor de planejamento energético da Coppe/UFRJ, apesar de o Brasil ter uma matriz limpa, as emissões de outras fontes, como agricultura e energia elétrica, não devem ser menosprezadas na busca por um desenvolvimento sustentável.
— Embora nossa matriz seja limpa, ela pode ficar suja se construirmos térmicas a carvão ou óleo combustível — afirmou Schaffer.
— Quanto mais eficiente formos, menos vamos precisar dessas usinas consideradas suja.

segunda-feira, 23 de março de 2009

PLANO DE SOCORRO AOS BANCOS : ALÍVIO ? OU ESPECULAÇÃO ? SALVAÇÃO ? OU DERROCADA FINAL ?

Tesouro americano anuncia plano para livrar bancos de ativos 'podres'
Da AFP
O Tesouro americano revelou nesta segunda-feira duas modalidades de seu plano de recompra de até US$ 1 trilhão em ativos tóxicos dos bancos, que prevê a criação de dois mecanismos associando investidores privados, um para os empréstimos e outro para títulos atrelados a ativos imobiliários.
Conforme já havia anunciado em fevereiro, o Tesouro espera dedicar num primeiro momento de US$ 75 a US$ 100 bilhões de fundos públicos para mobilizar com o setor privado até US$ 500 bilhões de "potência de compra" para adquirir os ativos herdados da última bolha imobiliária.
A Comissão federal de garantia dos depósitos bancários (FDIC), reguladora do sistema bancário, aconselhará os bancos que desejarem se desfazer de seus créditos de risco e dará sua garantia, assim como uma ajuda ao financiamento aos investidores que quiserem comprá-los. Os empréstimos em questão serão em seguida vendidos em um sistema de leilões para que declarar o maior lance.
Para os títulos endossados a ativos imobiliários, os investidores interessados poderão se beneficiar da facilidade da ajuda ao crédito ao consumo (TALF) recentemente lançada pelo Fed (Federal Reserve, o banco central americano) para obter uma boa parte do financiamento necessário para estas aquisições.
Somente os títulos que tiveram na origem da melhor nota possível das agências de classificação financeira poderão se beneficiar deste mecanismo.
Para a recompra e a gestão a longo prazo destes títulos, o Tesouro vai se associar a estabelecimentos de gestão de fundos privados (até cinco no total) e fornecer no momento desta parceria um financiamento suplementar.
Os fundos interessados têm até 10 de abril para se apresentar, o Tesouro pretende fazer uma primeira escolha até 1º de maio.
O Tesouro se manteve fiel à sua ideia de base, segundo a qual os títulos imobiliários invendáveis acumulados pelos bancos na última bolha imobiliária ainda têm um valor intrínseco forte, e que é, sobretudo, a falta de financiamento decorrente da crise que impede o funcionamento de um mercado normal de compra e venda destes títulos.
O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, fragilizado pelo escândalo dos bônus pagos aos executivos de grandes empresas ajudadas pelo governo, uma entrevista ao Wall Street Journal, justificou o plano para que os bancos se livrem de seus ativos desvalorizados, incluindo portfólios de empréstimos devastados pela explosão da bolha imobiliária em 2007.
"Em nossa opinião, a melhor maneira de sair disso é trabalhar junto com os mercados", declarou Geithner.

Analistas elogiam pacote de socorro a bancos dos EUA
Para especialistas, além de compartilhar o risco com o setor privado, o governo conseguiu evitar desgastes na implementação das medidas

Portal EXAME -
Os especialistas viram com bons olhos o plano de resgate aos bancos divulgado nesta segunda-feira (23/03) pelo Tesouro americano. Para eles, a decisão do governo de envolver o setor privado foi acertada não só pelo compartilhamento do risco com o setor privado, mas também por permitir uma melhor gestão da operação. "Outra grande vantagem é escapar de uma nova rodada de negociação com o Congresso. Isso poderia retardar demais a implementação das medidas e trazer sérios riscos para o país", destaca a analista da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro.

O governo americano tem mostrado grande preocupação em não repetir os erros cometidos pelo Japão, que levou mais de dez anos para começar a se recuperar da crise bancária provocada pelo estouro da bolha imobiliária no país na década de 1990. Por isso, o Tesouro dos Estados Unidos se uniu ao Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e à Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC, na sigla em inglês), e criou dois modelos para a compra de ativos podres.
O primeiro, destinado ao setor bancário, terá como objetivo limpar o balanço dos bancos. O governo criará fundos para a compra dos ativos, que contarão com recursos públicos e de investidores privados. Serão oferecidos estímulos a investidores individuais, fundos de pensão e companhias de seguros para que participem dos fundos, que contarão com garantias do governo.
O sistema funcionará da seguinte forma: imagine que um banco tem uma carteira de empréstimos imobiliários avaliada em 100 milhões de dólares e deseja vender esses papéis. O banco, então, procura a FDIC que prepara um leilão para a venda dos ativos. Os investidores privados interessados fazem suas propostas e, a melhor delas, fica com os títulos, formando um fundo em pareceria com o governo americano. Suponhamos que o vencedor do leilão tenha aceitado pagar 84 milhões de dólares pelos ativos. Destes 84 milhões de dólares, 72 milhões de dólares seriam garantidos pelo FDIC. Os outros 12 milhões de dólares ficariam a cargo do Tesouro americano e do investidor privado. O Tesouro aplicaria 50% do valor - no caso 6 milhões de dólares - e o investidor privado os outros 50%.
As garantias do FDIC sempre serão equivalentes a até seis vezes o valor aplicado pelo Tesouro e pelo investidor individual. Os fundos serão geridos pelos investidores privados, ficando submetidos à fiscalização da FIDC. Ganhos e perdas serão compartilhados pelos participantes.
"É uma boa saída porque ninguém sabe quanto valem esses ativos. Se o governo socorresse os bancos sozinho, ninguém saberia se o valor pago pelos ativos teria sido barato ou caro. Se fosse muito baixo, não ajudaria os bancos e, se fosse muito alto, prejudicaria o contribuintes", afirma Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.
O segundo modelo é destinado a papéis lastreados em hipotecas que estão no mercado secundário, e consiste em uma expansão do Programa de Crédito a Termo de Títulos Lastreados em Ativos (Talf, na sigla em inglês), criado para comprar títulos lastreados em empréstimos a consumidores e pequenas empresas. Somente poderão ser negociados os títulos que inicialmente receberam nota máxima das agências de classificação de risco.
O Tesouro selecionará até cinco gestores para levantar os recursos necessários para a compra dos ativos. Para cada dólar levantado pelo gestor, outro dólar será depositado pelo governo, que também providenciará os recursos do Talf. Digamos que o gestor de um dos fundos tenha levantado 100 milhões de dólares para a compra de ativos tóxicos. O Tesouro colocará no fundo mais 100 milhões de dólares e providenciará outros 100 milhões de dólares do Talf, totalizando 300 milhões de dólares para a compra dos ativos.
Os especialistas acreditam que haverá demanda pelos títulos, que hoje apresentam baixo valor, mas que no futuro poderão gerar um alto retorno para os investidores. "O resultado poderá ser parecido com o do Proer, que gerou bons ganhos para quem investiu", diz Campos Neto. O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer) foi lançado nos anos 1990 no Brasil para recuperar os bancos em dificuldade.
Em artigo publicado nesta segunda-feira pelo Wall Street Journal, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, explica que o plano de ajuda, batizado de Programa de Investimento Público-Privado, vai criar um mercado para os ativos tóxicos. Com o tempo, o governo espera que esses títulos voltem a ganhar valor, que os bancos aumentem sua capacidade de emprestar e que as dúvidas em relação aos prejuízos dos bancos sejam reduzidas.
"O governo americano está demonstrando disposição para resolver o problema. Como essas medidas são inéditas, não sabemos se irão ou não dar certo. A expectativa é de que aos poucos a confiança no sistema bancário seja restabelecida", diz Mariam Dayoub, estrategista da Arsenal Investimentos.
A princípio, o Programa de Investimento Público-Privado utilizará entre 75 e 100 bilhões de dólares do Tesouro para gerar 500 milhões em poder de compra de ativos podres. Com o tempo, o governo espera que o potencial de compra seja expandido para 1 trilhão de dólares.
Esses recursos fazem parte do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp), o pacote de 700 bilhões de dólares aprovado pelo Congresso em outubro do ano passado para socorrer as instituições financeiras.

domingo, 22 de março de 2009

SLOW FOOD SE ESPALHA POR CIDADES BRASILEIRAS !

Há 20 anos atrás...
Naquele verão de 86 um grupo de amigos fundou o primeiro núcleo de um movimento que foi acusado de elitismo, mas que hoje fixou raízes em 106 países. E que aposta num futuro do planeta, onde, a ditar a agenda da produção e do desenvolvimento serão os pescadores, os pastores, os trabalhadores da terra.
A reportagem é do jornal italiano Repubblica, 4-6-2006, que traduzimos e publicamos na íntegra. "Foi um capricho. Um capricho de doido..." Começa assim a entrevista-relato de Carlo Petrini sobre balanços e projetos. "Foi uma extravagância. Uma extravagância de Langaroni...." Vinte anos após, aquela "extravagância" se tornou um fenômeno mundial.
Fundada com o nome de Arcigola, em julho de 86, regenerada como Slow Food três anos mais tarde, fixou raízes em cento e seis nações do planeta Terra.
Somente nos Estados Unidos, os plantões de Slow Food são 173, e os inscritos muitos milhares. "Chamá-los de "plantões" - conta agora Carlo Petrini - foi quase um vezo, inspiramo-nos serviços veterinários de plantão, no médico de plantão, para indicar a radicação num território preciso. Trata-se de pequenos grupos de produtores e consumidores, unidos na tutela de um tipo particular de alimento, de um modo de produção, de uma maneira de viver. Os americanos os chamam de "convivium". E se me tivessem dito quando começamos, que um dia também teríamos um plantão em Uzbechistão, teria pensado numa piada..."


ATUALMENTE, E NO BRASIL
Comer com prazer, defender tradições e a agricultura regional, proteger a biodiversidade. São alguns princípios de um movimento que surgiu na Itália, na década de 80, e ganha cada vez mais adeptos no Brasil: o Slow Food. Por todo o País já são 19 centros Convivium - onde se praticam seus preceitos. Três deles ficam em São Paulo - um na capital e os outros dois em Campinas e Piracicaba. No mundo todo são mais de mil.

A reportagem é de Talita Figueiredo e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 22-03-2009.

O ponto alto da filosofia Slow Food é incutir o prazer de comer bem a todos. Mas, para isso, se faz necessário defender a cultura dos alimentos. Os conviviuns do Brasil promovem eventos ligados à gastronomia, visitas a pequenos produtores de alimentos orgânicos e regionais e degustações de alimentos em risco de extinção. Esses produtos constam de um catálogo mundial chamada A Arca do Gosto. São 750 alimentos ameaçados no mundo todo, incluindo alguns brasileiros: arroz vermelho, babaçu, bergamota montenegrina, farinha de batata-doce Krahô, marmelada de Santa Luzia, pirarucu, umbu, palmito juçara, guaraná nativo sateré-mawé, feijão canapu e castanha de baru. Nove deles fazem parte das Fortalezas, projetos feitos desde 2004 com grupos de pequenos produtores, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, para protegê-los.
Em alguns encontros, integrantes do Slow Food criam um menu especial a partir desses alimentos. "É uma dificuldade terrível, porque são produtos de diferentes partes do País, perecíveis e caros para transportar. Nos últimos dois anos, no entanto, conseguimos fazer a Semana Slow, onde não apenas preparamos um menu mas colocamos os produtos à venda", diz Margarida Nogueira, que faz parte da comissão da Arca e inaugurou em novembro de 2000 no Rio o primeiro Convivium brasileiro. Em 1999, três anos após descobrir o movimento na internet, ela fez uma viagem para a Itália e almoçou por acaso numa cantina ao lado de Carlo Petrini, que fundara o Slow Food em 1986.
Além do prazer de comer bem, devagar, em companhia de amigos ou parentes, saboreando alimentos e escolhendo com cuidado o que leva à boca - em oposição absoluta ao conceito do fast-food -, o grupo batalha ao redor do mundo para proteger produtos quase esquecidos. "Num dos livros, Petrini conta que gostava muito de uma salada de pimentões que comia no Piemonte quando garoto. Numa viagem por lá, pediu num restaurante. O gosto não era o mesmo. Ele descobriu que os pimentões vinham da Holanda e não eram mais produzidos ali. Ficou horrorizado."
A chef Teresa Corção usa a filosofia slow profissionalmente desde que conheceu o movimento e se tornou especialista em mandioca. Em 2002, ela participou de um festival gastronômico em Pernambuco no qual 80% da lista de produtos locais que deveriam ser usados era subproduto da mandioca. Começou a estudar o tubérculo e fundou a ONG Maniva - nome do caule da mandioca - que ensina crianças em escolas públicas a fazer tapioca.
A ONG já produziu um curta-metragem - Professor da Farinha -, em que conta como são feitas farinhas d'água e de mandioca, e um longa - Seu Bené Vai para a Itália -, que mostra a participação de um produtor de farinha de Bragança, no Pará, num evento do Slow Food na Itália e foi apresentado no Festival de Berlim do ano passado. "Slow é uma proposta de vida e eu uso muito isso no restaurante. Além da mandioca, temos outros produtos regionais do Rio, privilegiamos orgânicos, produtores regionais e os valores usados na produção. Não é um instrumento de marketing, porque o sustentável está na moda. Procuramos fazer com que a filosofia contamine nossa vida", diz Teresa.

CRISE DIFICILMENTE RIVALIZARÁ COM A GRANDE DEPRESSÃO !

A GRANDE DEPRESSÃO DE 30, SE REPETIRÁ ?
TEM GENTE QUE DIZ SIM, OUTROS NÃO !

Do Cox News Service
Michael E. Kanell
Em Atlanta
Nos últimos dias, você ouviu - muito - como a atual crise financeira é a pior desde a Grande Depressão.Pode ser. Muito menos claro é se ela se transformará em algo de fato parecido com a Depressão, quando em três anos a economia encolheu quase pela metade e o desemprego chegou a 24%.As atuais medições econômicas ainda são muito mais animadoras que isso. Também há outras diferenças tranqüilizadoras.
Quando a Depressão começou, o país virtualmente não contava com uma rede de segurança para os necessitados e nenhuma regulação para os bancos. As autoridades do governo na época relutaram em resgatar os agentes do mercado em apuros.
Mas para alguns historiadores, o enredo atual exibe temas familiares."É um processo muito semelhante ao da Grande Depressão, porque o que você tem são pessoas não gastando dinheiro suficiente", disse o historiador Bryant Simon, da Universidade Temple, diretor de estudos americanos.Consumidores altamente endividados e bancos com problemas são tóxicos para uma economia movida pelo consumo, ele disse."Não é tão severo quanto daquela vez", disse Simon. "Mas se os bancos não emprestarem dinheiro, não é possível recolocar a economia em movimento, já que as pessoas não gastarão dinheiro suficiente."Os Estados Unidos têm enfrentado recessões periódicas e dolorosas durante sua história.
Mas a Grande Depressão foi tão ampla e profunda que provocou ação dramática para mudar as regras do mercado.Algumas dessas mudanças - como a garantia aos depósitos - tornam outra Depressão muito menos provável, concordam muitos especialistas.O atual arrocho de crédito pode testar a teoria.
O falecido economista Hyman Minsky disse que os sistemas capitalistas tendem a "se alavancarem constantemente com mais dívida", notou o ex-economista do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Tim Yeager, que foi um dos alunos de Minsky e agora é professor de finanças na Universidade de Arkansas."O crédito fica mais fraco, os empréstimos ficam cada vez piores e o risco cresce", disse Yeager. "É como um esquema de Ponzi."Ele ouve ecos nas manchetes financeiras atuais."Esta é uma boa explicação para o que aconteceu desta vez. É uma boa explicação para o que aconteceu na Grande Depressão."Na memória popular, o crash do mercado de ações em 1929 provocou a Depressão, apesar de muitos especialistas dizerem que o crash foi mais um sintoma do que a causa.
Novamente nas últimas semanas, o mercado tem oscilado de forma tensa."Isso é o que todos estão vendo agora e é onde as semelhanças terminam no momento", disse Tom Smith, professor de finanças da Escola de Negócios Goizueta da Universidade Emory.Mas apesar das semelhanças, o mercado de ações está longe de reproduzir o colapso da Grande Depressão.
O Dow, o índice das ações das grandes empresas, perdeu cerca de 40% em um ano.
Em outubro de 1929, as ações perderam 40% em um mês e perderiam quase 90% em três anos.Os bancos eram um foco na época assim como agora, mas por motivos diferentes, disse Smith."Nos anos 30 foi um fracasso do sistema bancário. O que tivemos desta vez foi um fracasso das práticas bancárias."Estas práticas incluíram a criação de papéis inovadores que visavam diluir o risco de empréstimos ruins. Em vez disso, eles espalharam o veneno financeiro ao redor do mundo quando o mercado imobiliário estagnou, já que muitos dos papéis eram apoiados por hipotecas.Outra diferença: durante a Depressão, a maioria dos empréstimos vinha de bancos comunitários pequenos, virtualmente não regulados. O governo não garantia os depósitos e os bancos podiam investi-los da forma que quisessem.
Assim que os Estados Unidos foram apanhados pela recessão econômica mundial, milhões de americanos viram suas rendas caírem. A aprovação da tarifa Smoot-Hawley exacerbou o problema ao reduzir o comércio. Muitos - especialmente na América rural - não conseguiam pagar suas dívidas.
A necessidade de obter dinheiro se acelerou até uma corrida frenética aos bancos, que não dispunham de dinheiro suficiente à mão para atender todos os depositantes ao mesmo tempo.Durante os primeiros 10 meses de 1930, 744 bancos faliram, disse Roger Cominsky, um sócio sediado em Buffalo da firma Hiscock & Barclay's Financial Institutions & Lending. Ao final da década, 9 mil tinham falido - quase um entre três.Em comparação, os bancos comunitários do século 21 são relativamente fortes. Mas eles têm uma participação nacional menor na concessão de empréstimos. Em vez deles, a economia depende de um punhado de grandes bancos e outras instituições financeiras.Ambas as crises ocorreram após "bolhas" econômicas que inflaram a riqueza de muitos americanos, pelo menos no papel.
Nos anos 20 foram as ações, e nesta década os imóveis.Em ambos os casos a propriedade foi impulsionada pelo crédito fácil, termos e regras fáceis que visavam encorajar os compradores a irem além de sua capacidade de pagar.Com as ações, era uma "margem" - os investidores precisavam apenas de uma fração do preço para realizar a compra. Um corretor emitia uma "call" (opção de compra) que exigia que o comprador apresentasse mais dinheiro, mas isso era fácil se os preços subissem. Com os imóveis residenciais, foi uma combinação de política pública que encorajava o crédito fácil, juntamente com práticas de empréstimo e investimento que alimentaram a farra.
Os consumidores usavam refinanciamento ou empréstimos tendo o imóvel como garantia para financiar outras grandes compras.
Tanto nas ações quanto nos imóveis, o jogo podia continuar enquanto os preços continuassem subindo.Durante os primeiros anos da Depressão, cerca de 40% dos empréstimos bancários eram garantidos com ações, disse Brian Olasov, diretor administrativo da McKenna Long & Aldridge, que presta consultoria a bancos e já realizou pesquisa extensa sobre crises bancárias."Agora, cerca de seis décimos dos portfólios dos bancos são relacionados a imóveis."Apesar das semelhanças, a maioria dos especialistas não acha que a crise de 2008 levará a uma repetição plena da Depressão.Mas Yeager, o ex-economista do Fed, disse que o pior ainda pode estar por vir."Há uma grande tempestade se formando."

sábado, 21 de março de 2009

A REUNIÃO DO G 20: DUAS CORRENTES, OU SAÍDAS PARA A CRISE !

Embate de ideias na reunião do G-20, Duas correntes se contrapõem
Enquanto a França estava nas ruas para manifestar a angústia e o sofrimento em consequência da crise econômica, os dirigentes europeus se encontravam ontem à tarde em Bruxelas para se prepararem para a grande e histórica reunião do G-20 (as 20 potências econômicas mundiais), em Londres, no dia 2 de abril, dentro de duas semanas.

A reportagem é de Gilles Lapouge e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 20.03.2009.

Trata-se de uma reunião histórica porque desses debates sairá a estratégia para cortar os tentáculos da crise bancária, financeira, econômica e social que, há seis meses, abala o planeta. Por enquanto, a estratégia é vaga, mutável, hesitante e confusa. Portanto, será preciso "afinar os violinos" para transformar a cacofonia em orquestra.Neste momento, duas escolas se contrapõem. A primeira é a dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, que querem dar prioridade ao saneamento do sistema bancário, o que inclui os ativos tóxicos, e a uma retomada coordenada do crescimento.A segunda é a dos europeus, tendo à frente Alemanha e França, que querem reformar o sistema financeiro, dotá-lo de controles e obrigá-lo à transparência. Paris e Berlim estão mais interessados nas causas da crise do que nas consequências. Querem reformar o sistema, moralizá-lo, transformá-lo. Washington e Londres, ao contrário, preferem sanar os efeitos em vez de investigar as causas.A leitura da imprensa americana e inglesa é eloquente. Há algumas semanas, The Wall Street Journal, The Financial Times e The Economist imploram aos líderes para garantirem em primeiro lugar o salvamento dos bancos e a retomada do crescimento. A City londrina e Wall Street devem beneficiar-se prioritariamente de todas as atenções. Não é essa a ideia dos alemães e dos franceses. Tais divergências de análise são extremamente curiosas, paradoxais.Vemos estes dois homens, de centro ou de esquerda (o democrata Obama, e o trabalhista Brown) determinados a salvar o "capitalismo financeiro". E, diante deles, dois dirigentes de direita, a cristã democrata Merkel e o "bonapartista" Sarkozy, que se lançaram numa cruzada para reformar e purificar o capitalismo financeiro.Em suma, cada um dos dois campos ideológicos inspira-se para as suas análises e suas armas no arsenal do outro: a esquerda segue uma linha de direita. A direita arrola ao seu serviço o arsenal da esquerda. Em Londres, o embate será direto.Evidentemente, podemos até sorrir notando que Sarkozy, um liberal frenético há dois anos, se passou repentinamente, de armas e bagagens, para o lado dos que execram o capitalismo selvagem e querem controlá-lo, regulá-lo e saneá-lo. Pelo menos procura fazê-lo com a mesma energia com a qual ontem celebrava o capitalismo, chegando a reconciliar-se com sua inimiga preferida, a chanceler alemã, Angela Merkel.

A CRISE JÁ ATINGE A TODOS: MAS ALGUNS PAÍSES TENDEM PIORAR !

A crise econômica mundial já está causando um grave impacto social em muitos países, principalmente o rápido aumento do desemprego.
O impacto político pode levar mais tempo para ser sentido: até agora apenas dois governos eleitos, na Islândia e na Letônia, tombaram após protestos populares.
No entanto, à medida que a crise se agravar poderá haver outros casos - e possivelmente menos pacíficos.
De acordo com um relatório da Economist Intelligence Unit, neste ano e no próximo 95 países correm um alto de risco de ficar vulneráveis a instabilidades políticas e sociais em decorrência da crise econômica.
Em 2007, eram 35.
As nações mais vulneráveis, como o Zimbábue, sofrem com um governo ruim e uma economia em queda-livre.

terça-feira, 17 de março de 2009

42% DO DESMATE DO MUNDO ENTRE 2000 e 2005 OCORREU NO BRASIL !

O Brasil registrou a maior perda absoluta de floresta no mundo entre 2000 e 2005 e 42% da mata cortada no planeta nesses anos ocorreu dentro do território nacional.
A conclusão é da FAO, que destaca que o País terá grandes dificuldades de frear o desmatamento diante dos interesses agrícolas e do etanol de expandir a produção no próximos anos.
No mundo, a FAO alerta que a crise internacional também deve aumentar a vulnerabilidade das florestas e secar os financiamentos para projetos ambientais. Entre 2000 e 2005, 200 quilômetros quadrados de florestas foram perdidos no mundo a cada dia.
A reportagem é de Jamil Chade e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 16-03-2009. Segundo a FAO, o Brasil perdeu 3,1 milhões de hectares de florestas por ano entre 2000 e 2005. Isso significou uma redução de 0,6% na cobertura florestal a cada ano. Segundo a FAO, o País observou uma aceleração no desmatamento em comparação ao período entre 1995 e 2000. Naqueles anos, a perda de floresta foi de 2,6 milhões de hectares por ano, 0,5% da cobertura. O levantamento feito pela entidade com sede em Roma destacou que 75% do desmatamento na América do Sul ocorreu no Brasil. Na região, 4,2 milhões de hectares de mata foram perdidos entre 2000 e 2005. Em comparação a outros países, o Brasil lidera amplamente com a maior área desmatada no planeta, mesmo que seu território ainda esteja coberto por floresta em 57,2%. Em toda a África, a perda de florestas foi de cerca de 4 milhões de hectares por ano entre 2000 e 2005. O único país com dados parecidos ao do Brasil é a Indonésia, com o corte de 1,8 milhão de hectares de floresta por ano. Em termos percentuais, o desmatamento no território indonésio é mais significativo que o do Brasil, já que atingiu 2% da cobertura por ano. Outros países que também sofreram foram Mianmar, que perdeu 466 mil hectares por ano de floresta, contra 445 mil em Zâmbia e 400 mil na Nigéria. Na Europa, a FAO registrou uma alta na área de cobertura de floresta, com um ganho de 600 mil por ano.

domingo, 15 de março de 2009

AS 30 MAIORES INOVAÇÕES DOS ÚLTIMOS 30 ANOS !

VOU TE DEIXAR DE PERNAS PRO AR!!!!!
Essa é para você pensar: O que o homem consegue realizar, que pode gerar possibilidades legais e satisfatórias para a humanidade ?

Quais são aquelas invenções que nos deixam de boca aberta sobre o assunto?
Tá certo que algumas delas, são hoje, meio ultrapassadas, mas ainda assim...
O Homem evoluiu...
evolui,
Está caminhando para lugares...

O programa de televisão norte-americano Nightly Business Report e a Universidade de Wharton fizeram um levantamento das 30 maiores inovações dos últimos 30 anos.

Um juri formado por oito pessoas recebeu uma lista com 1200 sugestões para selecionar e organizar em ordem de importância as 30 inovações.
A internet foi a primeira colocada na decisão dos jurados.

O Brasil ficou representado na lista pelos biocombustíveis, na 25ª posição.

Abaixo, a relação completa:

1. Internet, banda larga, WWW (browser e html)

2. Computadores PC/laptop

3. Telefone Celular

4. E-mail

5. Teste e sequenciamento de DNA/Mapeamento do genoma humano

6. Geração de imagem através de Ressonancia Magnética

7. Microprocessadores

8. Fibra Ótica

9. Softwares de Escritório (planilhas e processadores de texto)

10. Laser não invasivo/Cirurgia Robótica (Laparoscopia)

11. Softwares e serviços open-source (código aberto) (ex: Linux, Wikipedia)

12. LED (Diodo de Emissão de Luz)

13. LCD (Display de cristal liquido)

14. Sistema GPS

15. Vendas Online/e-commerce/leilões virtuais

16. Compressão de arquivos de mídia (jpeg, mpeg, mp3)

17. Microfinanças/microcrédito

18. Energia Solar Fotovoltaica

19. Turbinas de vento para grande escala

20. Redes Sociais pela internet

21. Interface gráfica do usuário (GUI)

22. Fotografia/Videografia Digital

23. Identificação por Rádio Frequência (RFID) e aplicações (ex: EZ Pass)

24. Plantas Geneticamente Modificadas

25. Biocombustíveis

26. Códigos de barras e Scanners

27. Caixa Eletrônico28. Stent (endoprótese para desentupimento das artérias)

29. Memória SRAM (Memória Estática de Acesso Aleatório)

30. Tratamentos Anti-Retrovirais para AIDS


E AÍ, QUAL DELAS MAIS TE CONVENCEU DO PROGRESSO HUMANO ?

sábado, 14 de março de 2009

BARACK OBAMA: UM SOCIALISTA ?

Eminências da direita mais empedernida da política americana deram para denunciar que as medidas tomadas por Obama para combater a crise estão colocando os Estados Unidos na rota do socialismo. O senador republicano Jim DeMint, da Carolina do Sul, diz que Obama é "o melhor propagandista do socialismo". O ex-quase-presidenciável Mike Huckabee, que perdeu a disputa pela candidatura para o senador John McCain, disse que Obama está criando "repúblicas socialistas" no país, e completou: "Lênin e Stálin iam amar isso aqui".
O assunto virou capa de revista e está nos parachoques dos carros na forma de adesivos que saúdam o presidente como "camarada Obama" e o país como "União dos Estados Socialistas da América". Os trombeteiros do "socialismo americano" começaram a se agitar porque, para domar a crise, o governo americano está drenando oceanos de dinheiro público na economia, despertando o perigo do gigantismo estatal.
A uma única seguradora, a AIG, já deu 180 bilhões de dólares. Só para os dois maiores bancos, Bank of America e Citigroup, entregou 100 bilhões. Às duas maiores indústrias automobilísticas, GM e Chrysler, foram 17 bilhões e talvez despache mais 22 bilhões. O mais pedestre raciocínio ideológico concluiu que, se a Casa Branca está se metendo em diversos setores da economia, o socialismo chegou à América. Ou, se ainda não chegou, está a caminho.
A coisa piorou quando Obama entregou ao Congresso sua proposta de Orçamento para o ano fiscal de 2010. Com 10 000 páginas e 3,6 trilhões de dólares, a proposta é ousada e promete uma guinada radical em boa parte das políticas públicas que os Estados Unidos vêm adotando nos últimos trinta anos. Obama propõe universalizar o sistema de saúde, incorporando os 40 milhões de americanos que hoje não têm qualquer tipo de assistência.
Mas a intervenção do governo americano - seja despejando dinheiro na economia, ampliando a rede de proteção social aos mais humildes ou estatizando bancos - não resultará em nada que se pareça com socialismo. Socialismo não taxa os ricos - elimina-os, fisicamente inclusive. Socialismo não indeniza empresários ao nacionalizar seus bens, expropria-os. Socialismo também não estatiza um pedaço da economia - estatiza tudo, a começar pelo sistema financeiro, como fez Lênin (1870-1924) assim que sua revolução bolchevique tornou-se vitoriosa na Rússia, em 1917. Ninguém, além dos corneteiros da provocação ideológica, acha que isso esteja sendo discutido nos Estados Unidos.

sexta-feira, 13 de março de 2009

OS PAÍSES DO BRIC'S E AS RELAÇÕES COM O FMI !

BRICs condicionam dinheiro extra para o FMI à reforma da instituição,BBC, 13/03/09
Brasil, Rússia, Índia e China - o grupo de países conhecido pela sigla BRIC - anunciaram nesta sexta-feira que não vão dar recursos extras ao Fundo Monetário Internacional (FMI) enquanto a instituição não for reformada para permitir maior participação dos quatro países emergentes.A posição conjunta será levada à reunião dos ministros das Finanças dos países do G20 que acontece neste sábado em Horsham, no sul da Grã-Bretanha. "Nós tomamos a posição de não fazer aportes adicionais de capitais ao Fundo Monetário Internacional enquanto não houver uma reforma de cotas e vozes", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao sair da reunião com seus colegas de pasta de Rússia, Índia e China."Mantido o status quo, a nossa representação no FMI é pequena diante do peso dos BRICs", completou.A reunião dos ministros das Finanças serve de preparação para o encontro de chefes de Estado do G20 em abril em Londres. O objetivo da cúpula é buscar medidas conjuntas das principais economias do mundo contra a crise financeira global.Os países ricos do G20 têm pressionado por um reforço do FMI, para que a instituição possa agir contra a crise financeira mundial. Os Estados Unidos querem triplicar os fundos da instituição, chegando a US$ 700 bilhões, e a União Europeia defende uma cifra de US$ 500 bilhões. Além de pedir a reforma do FMI, os BRICs também pedirão que os Estados Unidos acelerem a busca por uma solução para os problemas do seu sistema financeiro, que seria uma das principais origens da crise atual.Mantega disse que não houve consenso dos BRICs sobre a proposta de definir um percentual obrigatório do PIB de cada país para pacotes de estímulo à economia.Segundo Mantega, o Brasil é contra esse tipo de meta - defendida pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha - já que isso criaria uma "camisa de força" para os governos.
O único consenso entre os quatro emergentes é que os pacotes de estímulo fiscal devem incentivar uma "política fiscal mais ativa", com investimento em infraestrutura, aumento de crédito, estímulo setorial e ajuda social a pessoas desempregadas.Nas últimas semanas, os BRICs divulgaram dados que revelaram que suas economias cresceram menos do que o previsto no último trimestre de 2008 - um sinal de que os emergentes estão sendo afetados pela crise financeira econômica.Sobre o Brasil - que anunciou esta semana uma queda de 3,6% do PIB no último trimestre do ano passado em relação aos três meses anteriores - Mantega disse que o fato de a economia ter desacelerado apenas no final do ano mostraria que o país está sendo menos atingido do que o resto do mundo pela crise global. Mantega acredita que a economia brasileira fechará 2009 com crescimento positivo, com aceleração no segundo semestre.Esta é a segunda vez que os ministros da Fazenda dos BRICs se reúnem para discutir a crise financeira mundial. O primeiro encontro havia sido em São Paulo em novembro do ano passado, durante outra reunião do G20.Mantega disse que os quatro emergentes têm "afinidades muito grandes e procuram sintonizar suas posições diante do G20".Além de Brasil, Rússia, Índia e China, o G20 é composto por Argentina, Coreia do Sul, Turquia, Austrália, Indonésia, México, África do Sul, Arábia Saudita, União Europeia, e pelas sete economias mais industrializadas do mundo: Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Itália e Grã-Bretanha.A reunião de chefes de Estado do G20 acontece no dia 2 de abril em Londres. O encontro terá presença dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Barack Obama.

SOLUÇÃO PARA A CRISE ECONÔMICA: NOVA PERESTROIKA !

KARÇ MARX DEVE ESTAR FELIZ, POR SER TÃO FALADO NESSES TEMPOS DE CRISE !
ESTA PARECE SER MAIS UMA DAS NOTÍCIAS QUE CORREM POR AÍ, SOBRE A CRISE ECONÔMICA!

FINANCIAL TIMES, 13/03/09
Mikhail Gorbachev disse aos jornalistas do "Evening Standard", que não são estranhos à reconstrução, que hoje todo o mundo financeiro e político global precisa de "perestroika".
O antigo líder da União Soviética foi convidado ao "Standard" por seu amigo, Alexander Lebedev, que comprou o jornal vespertino de Londres em dificuldades do Daily Mail & General Trust por uma libra simbólica em janeiro, para oferecer sua visão de uma nova ordem mundial.
Mas a própria presença de Gorbachev entre os repórteres e editores lhes deu uma sensação de que o mundo já é um lugar diferente, desde que seu jornal se tornou propriedade de um oligarca russo."Precisamos encontrar um novo modelo de capitalismo, pegando o melhor do antigo modelo e o melhor do socialismo", Gorbachev disse a uma platéia de jornalistas espantados e ligeiramente maravilhados, de pé sobre um púlpito portátil em um canto da redação.
"Do capitalismo, deve tirar os incentivos e estímulos, e do socialismo, mais igualdade e justiça social", disse Gorbachev, usando terno risca-de-giz e um pulôver preto com gola rulê.A América não está mais em posição de dizer como os outros devem agir, e hoje precisa de sua própria "perestroika" - que significa reestruturação -, 20 anos depois de ele ter implementado esse processo no bloco soviético.
No futuro os problemas do mundo terão de ser solucionados através de discussão: na ONU e em nível regional e local entre os países, ele disse mais tarde em uma entrevista coletiva."Muitas pessoas podem pensar que isso é utopia, porque estão acostumadas a ver uma espécie de pastor que diz para todo mundo o que deve fazer", disse Gorbachev. "

Mas essa fase já terminou.
"Ele elogiou o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, por tomar "várias decisões realmente sensatas", e disse que a oposição conservadora não havia abandonado a "reaganomia", as políticas econômicas promovidas pelo ex-presidente americano Ronald Reagan. "Talvez eles gostassem de tomar a iniciativa, mas não estão prontos para isso."Lebedev atuou como intérprete entre seu amigo - os dois possuem 49% do jornal russo "Novaya Gazeta" - e seus novos funcionários.Gorbachev disse mais tarde que está interessado em enfrentar a globalização estabelecendo uma rede mundial de jornalismo no modelo da organização ProPublica dos EUA, que é financiada por organizações humanitárias e realiza investigações que então oferece para os jornais e outras mídias publicarem.
Lebedev, que já foi um oficial do serviço secreto soviético (KGB) em Londres, disse que está "em princípio" preparado para dar aos seus funcionários do "Standard" uma participação na empresa em algum momento no futuro, de modo a motivá-los a produzir um jornal melhor que não dependa de sua fortuna pessoal. Perguntado se isso quer dizer que ele poderia colocar o jornal na Bolsa, respondeu: "Sim, isso é coisa para os advogados. Vamos apenas esperar algum tempo e voltar a essa questão".
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

terça-feira, 10 de março de 2009

TENSÃO PRÉ-SAL E PRÉ-OBAMA !

Os governos de Brasil e EUA estão mantendo contatos informais com o objetivo de fechar um futuro acordo comercial que aumente o fluxo de petróleo e derivados do Brasil para o vizinho do Norte, revelou ontem reportagem do “El País”. Segundo o jornal espanhol, o governo de Barack Obama já deixou clara sua intenção de aumentar consideravelmente as importações de petróleo brasileiro, com o objetivo de diminuir a dependência energética dos EUA em relação à Venezuela.
A reportagem é de Mônica Tavares e Eliane Oliveira e publicada pelo jornal O Globo, 10-03-2009.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ontem que o Brasil tem interesse em ampliar os embarques de petróleo para o mercado americano.
Segundo o “El País”, o tema estaria na pauta de discussões entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama, que se encontram em Washington no próximo sábado, mas a informação foi desmentida pelo chanceler brasileiro, Celso Amorim.
— O mundo inteiro quer comprar o nosso petróleo. Temos excesso de petróleo pesado. E Tupi e os poços (novos) vão produzir petróleo leve — disse Lobão, referindo-se à descoberta de campos de pré-sal.
Sobre a possibilidade de investimentos americanos no pré-sal, Lobão afirmou:
— Queremos investidores no pré-sal, venham de onde vierem. Se o acordo for concretizado, a consequência mais direta seria o deslocamento da Venezuela do mercado energético americano, o qual consome entre 40% e 70% da produção petrolífera venezuelana.
Do total das importações americanas de petróleo, 11% provêm da Venezuela. Tudo dependerá da quantidade de petróleo que a Petrobras conseguirá produzir nos próximos anos dos poços do pré-sal.
Amorim sugere que EUA comprem o etanol brasileiro
Em Brasília, a prioridade do governo é garantir o abastecimento interno, deixando de depender de importações de petróleo. Uma vez que essa meta seja alcançada, a Petrobras vai disputar os mercados mundiais de petróleo e seus derivados. Por sua proximidade geográfica e a fluidez do diálogo político que já estabeleceu com seu novo presidente, os EUA se convertem em um grande comprador potencial do petróleo brasileiro.
Amorim aproveitou a oportunidade para defender o etanol brasileiro:
— Se os EUA têm necessidade diversificar sua matriz energética, que comprem o etanol e eliminem as barreiras às importações do produto. Essa fonte de energia tem efeitos positivos sobre o meio ambiente.Ontem, o secretário de Agricultura, Tom Vilsack, disse que os EUA devem agir com rapidez para elevar a taxa de 10% de mistura de etanol à gasolina em dois ou três pontos percentuais.
Grupos agrícolas e de comercialização de etanol disseram que a proporção pode ser elevada para 15% ou 20% sem prejudicar os motores dos carros.

Se Obama vier com esse papinho de multiplicar as compras de petróleo brasileiro para reduzir a dependência venezuelana, Lula já tem uma resposta pronta: Negativo. Ou, como Celso Amorim diz, não em "diplomatês", mas em bom e claro português: "Querem comprar mais? Então comprem mais etanol. E sem sobretaxa!".
O comentário é de Eliane Cantanhêde, jornalista, e publicado no jornal Folha de S. Paulo, 10-03-2009.
A jornalista escreve:
"Essa reação, meio extemporânea, foi por causa de uma reportagem do jornal espanhol "El Pais", com o título "Obama quer o petróleo de Lula". E para quê? Para diminuir a dependência que os EUA têm do petróleo da Venezuela, sem falar de outros países nada amistosos. Até onde se saiba, o tema petróleo não está previsto no encontro Obama-Lula, no sábado. Aliás, nem foi colocado na reunião preparatória entre Amorim e a secretária de Estado, Hillary Clinton. Ao contrário, a intenção é aprofundar as conversas que vão de vento em popa desde o governo Bush sobre cooperação em biocombustíveis.
O governo brasileiro acha que o tema é chique e pega bem. Já falar em aumentar a venda de petróleo brasileiro para os EUA tem uma série de inconvenientes, e a reportagem do "El País" trouxe esse novo e explosivo, da redução da dependência norte-americana do petróleo da Venezuela e de Hugo Chávez. O Brasil correu a desmentir, por vários motivos.
Três deles:
1) a Venezuela é aliada preferencial e já está bastante atingida pela queda da demanda e do preço do petróleo no mercado internacional;
2) Lula vai a Obama como presidente do Brasil e como enviado informal da América do Sul para abrir portas, não para fechar;
3) apesar de as vendas de petróleo já estarem naturalmente aumentando, não é realista falar em aumentar mais nesta fase pré-pré-sal. O etanol é um vistoso e simpático pássaro na mão; o petróleo do pré-sal é um caro, incerto e não sabido pássaro voando. Entre ele e a Venezuela, Venezuela, claro!

domingo, 8 de março de 2009

NORTE-AMERICANOS FICAM MAIS POBRES !

O PAVOR, TOMA CONTA DE MUITOS AMERICANOS,
AGORA,
NO MUNDO DAQUELES QUE ESTÃO MAIS POBRES...
QUEM DIRIA..
ESTE MUNDO TEM DE TUDO...
TUDO AINDA PODE ACONTECER...
AGORA,
OS EMERGENTES,
COMO SEMPRE FORAM POBRES,
SÓ RESTA,
DEITAR
RELAXAR,
E PEDIR ESMOLAS,
OU FICAR DESESPERADO ?
OS EUA ESTÃO FICANDO MAIS POBRES,
E OS PAÍSES EMERGENTES...
NEM SE FALA!
AQUÍ ESTOU,
MAIS UMA VEZ,
FALANDO SOBRE A CRISE ECONÔMICA !


Os norte-americanos
estão enfrentando um súbito processo de empobrecimento que já destruiu cerca de US$ 16,5 trilhões da riqueza disponível entre as famílias nos últimos 15 meses. Os números são do IIF (Instituto de Finanças Internacionais), que reúne 380 grandes bancos, e foram divulgados em antecipação a dados semelhantes a serem publicados pelo Fed (o banco central dos EUA) nos próximos dias.
O valor de US$ 16,5 tri equivale a mais do que tudo o que os EUA produzem em um ano e a quase 13 PIBs do Brasil. Só de setembro para cá, as famílias ficaram US$ 9,5 trilhões mais pobres.
O motivo é porque duas das principais fontes de poupança dos norte-americanos, seus imóveis e as aplicações na Bolsa de Valores, estão entre as que mais perderam valor nos últimos meses.
Embora os preços dos imóveis continuem a cair sem parar nos EUA há quase três anos, a velocidade da queda diminuiu nos últimos meses. O impacto maior e direto da "destruição da riqueza" das famílias está concentrado na Bolsa, onde fica a poupança líquida que pode ser sacada a qualquer hora.

Os países em desenvolvimento
enfrentarão neste ano um déficit de financiamento de US$ 270 bilhões a US$ 700 bilhões, avalia o Banco Mundial em um estudo publicado neste domingo, advertindo que as instituições internacionais não poderão financiar esta falta de crédito.
"Os países em desenvolvimento enfrentam um déficit de financiamento de US$ 270 a US$ 700 bilhões devido ao fato de que os investidores privados fugiram dos mercados emergentes e só um quarto dos países mais vulneráveis dispõem de recursos para impedir um aumento da pobreza", escreve o Banco Mundial em um comunicado que acompanha a publicação do estudo.
Segundo destaca a instituição, 98 de 129 países em desenvolvimento não serão capazes de atrair investimento privado suficiente para cobrir suas necessidades financeiras. NO documento, US$ 270 bilhões seria o valor de captações que não seriam realizadas. Os US$ 700 bilhões seriam atingidos caso a fuga de capitais se acelere ou esses países tenham dificuldade para refinanciar suas dívidas.
O documento, preparatório da reunião de ministros da Economia e presidentes de bancos centrais do G20 (grupo de 20 países ricos e em desenvolvimento), previsto para Londres em 13 e 14 de março, diz que "as instituições financeiras não podem cobrir sozinhas este déficit [que inclui a dívida] para 129 países".
O comunicado do Bird indica que seu presidente, Robert Zoellick, pede que se "reaja a tempo real contra uma crise que se intensifica e que afeta a população dos países em desenvolvimento".
Por fim, o Banco Mundial estima, além da retração da economia global, que o comércio internacional deve registrar a maior queda em 80 anos. "A crise precisa de uma solução global e prevenir uma catástrofe econômica nos países em desenvolvimento é importante para a sua superação', diz Robert Zoellick.
Em fevereiro passado, Zoellick anunciou a criação de um fundo para os países mais vulneráveis destinado a incentivar os países ricos a ajudar os mais pobres.

LETÔNIA, A BOLA DA VEZ !

AÍ ESTÁ O MAPA DA LETÔNIA, CONSIDERADO "TIGRE BÁLTICO", EX-REPÚBLICA SOVIÉTICA, MODELO DE SUCESSO ECONÔMICO, VÊ NAUFRAGAR TODO ESSE MILAGRE, COM PEDIDO DE SOCORRO AO FMI.




PROTESTOS E MAIS PROTESTOS ESTÃO ACONTECENDO NESTE PAÍS BÁLTICO.

Fuga de capitais, desemprego em massa, empobrecimento e revolta.
Abatido pela crise, o antigo “tigre do Báltico” segue o caminho da Islândia — e pode abrir uma espiral de instabilidade na Europa
A estranha assimetria que marca o sistema financeiro internacional floresceu com todas as cores, nos últimos meses, na Letônia. Atingido simultaneamente por paralisia nos mercados de crédito e redução brutal das receitas de exportações, o país mergulhou rapidamente em crise econômica e social. No quarto trimestre de 2008, o PIB despencou 10% — e a queda, estima-se, pode chegar a 15%, até o final do ano. A taxa de desemprego, de apenas 5,6% até outubro, disparou para 8,3% em janeiro e as demissões não cessam. Os produtores rurais (especialmente de leite) não têm a quem vender: os mercados nos países ricos da Europa secaram; as compras internas, também: o preço do litro caiu 45%, em poucas semanas.
Nos Estados Unidos, Japão e Europa Ocidental — mas também em países como a China e o Brasil — tendências assim têm sido parcialmente compensadas pelo Estado, por meio de medidas de estímulo à economia e, em certos casos, proteção social. Na Letônia, não. Um acordo com o Fundo Monetário Internacional, no final de 2008, evitou que o país se tornasse inadimplente, mas impôs cortes severos dos gastos públicos. O salário dos servidores foi rabaixado em 25%. Os subsídios à agricultra, reduzidos em 40% a 50% — o que agravou o sofrimento dos produtores.
Em janeiro, a população se revoltou. Uma marcha de 10 mil pessoas terminou em confronto com a polícia. Pouco depois, os agricultores cercaram Riga, a capital, com tratores e gado. Em 20 de fevereiro, o primeiro-ministro, de centro-direita, caiu, logo depois de perder apoio de dois partidos da coalizão governante. Na manhã desta quarta-feira, 26/2, o presidente nomeou um substituto. Valdis Dombrovskis, o escolhido, parece ainda mais conservador: assumiu anunciando mais cortes orçamentários e culpando seu antecessor por “não haver cumprido todos os compromissos com o Fundo Monetário”. Nada indica que a situação vá se acalmar. Mas os fatos ajudam a compreender três fenômenos ligados à crise atual.

Nenhum fim previsível para a crise
Primeiro: a crise esmaga as certezas dos países que não se protegem contra ela. Até o final de 2006, com o PIB chegando a subir mais de 10% ao ano, a Letônia era o país de crescimento econômico mais rápido na Europa. Chamavam-na “tigre do Báltico”. Mas seu avanço apoiava-se em déficits e endividamento irresponsáveis. Desde que se separou da antiga União Soviética, em 1990, o país eliminou progressivamente as barreiras à entrada (e saída…) de capitais. A oferta de crédito externo parecia não ter fim. O sistema bancário foi radicalmente internacionalizado. Instituições estrangeiras — em especial austríacas e suecas — assumiram o controle de cerca de 90% dos financiamentos. Além disso, a produção de mercadorias voltou-se crescentemente para a União Europeia.
Estas formas de dependência tornaram a crise, agora, muito mais virulenta. Obrigados a cobrir prejuízos em seus países de origem, os bancos estrangeiros reduziram praticamente a zero a concessão e renovação de créditos na Letônia. Para piorar, boa parte das dívidas (especialmente as hipotecárias) está denominada em divisas estrangeiras, como o euro e a coroa sueca. Por enquanto, o lat, moeda nacional, está atrelado à moeda europeia. Se sofrer desvalorização, como parece cada vez mais provável, tornará ainda mais difícil a situação dos devedores, comprometidos em moedas fortes. Já a abertura comercial sem controle, e a aposta na exportação de commodities agrícolas, tornaram a Letônia muito vulnerável às reduções no poder consumo de seus vizinhos ricos.
Segundo: não há nenhum fim previsível para a crise, porque as formas de contágio estão se multiplicando. A Letônia é apenas o caso mais agudo, na longa relação de países do Leste Europeu que foram irrigados com créditos fartos, sem que houvesse nenhum sinal de que estivessem se capacitando para saldá-los. A lista inclui Estônia, Lituânia, Hungria, Romênia e Bulgária. Em situação ligeiramente menos desconfortável estão Turquia, Bielorrúsia e Ucrânia. Numa conjuntura internacional já marcada por falências e calotes, uma crise cambial num destes países poderia ter conseqüências explosivas.
Como a Europa pode ser contagiada – Haveria dois mecanismos de propagação. O primeiro, entre os próprios países do Leste. Como todos estão comprometidos com um pequeno conjunto de bancos estrangeiros, uma eventual falência bancária, provocada pela quebra de qualquer dos elos da corrente, repercutiria de imediato nos demais. O segundo, potencialmente muito mais perigoso, envolve os próprios países centrais da União Europeia. A febre de empréstimos ao Leste foi vasta e lucrativa. Os bancos da Áustria, por exemplo, emprestaram para a região o equivalente a 70% do PIB austríaco. Uma crise generalizada no Leste quebraria o país. E então: qual seria a peça seguinte do dominó?
Terceiro: apesar dos riscos, não há nem resposta comum, nem articulação política suficiente, entre os governos. Num artigo publicado em 26/2 pelo jornal londrino The Guardian, o analista Timothy Ash frisa que, por tudo o que se viu até aqui, uma eventual derrocada na antiga Europa Oriental colocaria em risco a própria União Europeia, hoje constituída por 27 membros. Além das consequências financeiras e econômicas, há as políticas. Nos países do Leste, cresce o ressentimento contra a chamada “armadilha” representada pela adesão à UE. Entre os governos do Oeste, contudo, não há sinais de solidariedade. Ela poderia vir, lembra Ash, na forma de “qualquer construção prática capaz de oferecer abrigo durante a tempestade”. Por exemplo, uma sinalização do Banco Central Europeu, sinalizando que não permitirá o colapso dos sistemas de crédito orientais.
O motor da Europa — Alemanha e França, principalmente — permanece paralisado. No Leste, persiste a crise econômica e social, e não parece haver, no espectro político, saída à vista (vide a mudança para pior no governo da Letônia). Assim como na Islândia, onde a crise começou a detonar a mudança, a mobilização social parece ser o único caminho…

sábado, 7 de março de 2009

O TAMANHO DA CRISE !

GOSTEI DA IMAGEM !
NÃO GOSTO DESTA CRISE !
MAS ESTOU LENDO SOBRE ELA,
E CADA DIA FICO MAIS INTRIGADO,
POIS NÃO SEI ATÉ ONDE,
PESSOAS COMUNS PERCEBERÃO
A TRAGÉDIA EM SUAS VIDAS !
O QUE FAZER ?
DESESPERAR ?
ACREDITO,
QUE É HORA DE BUSCAR ALTERNATIVAS,
POSSIBILIDADES NOVAS PARA TODOS !
É HORA DE BUSCAR NOVOS FOCOS,
NOVOS OLHARES...
MAS, ENQUANTO ISSO NÃO VEM,
DÊ UMA LIDA ABAIXO:

“O quadro internacional é grave. Teremos muita crise pela frente. Os políticos brasileiros precisam parar de fabricar factoides, de olhar para o próprio umbigo e de discutir ninharias”, afirma Cesar Benjamin, editor da Editora Contraponto em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 07-03-2009.
Os ativos bancários podres já conhecidos superam o trilhão de dólares, apenas nos EUA.


Estima-se que mais US$ 3 trilhões devam aflorar nos próximos meses.
O PIB americano caiu 3,8% no último trimestre de 2008, a taxa de desemprego subiu e as indústrias automobilísticas ainda admitem a possibilidade de falência, tudo isso depois de pacotes trilionários. O governo Obama tem o mérito de ter aprovado um programa que pretende não apenas combater a crise mas promover mudanças mais estratégicas, principalmente na área de energia e no padrão tecnológico. Ainda não cogita avançar na estatização do setor bancário. Por meio de simulações, tenta antecipar necessidades futuras, para cobrir caso a caso os ativos podres que ainda estão por surgir.
Muitos acham que é perda de tempo e que a estatização de vários dos 19 grandes bancos, ou de todos ("grandes demais para quebrar"), vai se impor. Em média, dois bancos de médio porte estão sendo estatizados por semana. Mesmo prometendo cortes de subsídios e elevação de impostos para os ricos, o governo prevê um déficit orçamentário de 12,3% do PIB no ano fiscal de 2009.
A crise bancária é igualmente generalizada na Europa, acompanhada da queda de 5,9% do PIB no último quadrimestre. A estatização parcial do sistema bancário começou na Irlanda, passou pelo Reino Unido e atingiu a Alemanha. A União Europeia discute em alto nível novos padrões de regulamentação do sistema, tentando aprová-los em semanas, a tempo de serem levados à reunião do G20 em abril. Até aqui, porém, não chegou a um consenso.
Um dos pontos sensíveis é a percepção de que nenhuma regulamentação funcionará em um mundo repleto de paraísos fiscais. A extinção dessas zonas francas, em que se realizam grandes operações obscuras - muitas das quais ilegais -, sempre foi um assunto tabu, especialmente para os EUA, mas começa a entrar na ordem do dia, diante da necessidade premente.
Os limites de déficit e de endividamento previstos pelo Tratado de Maastricht e pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento (que criou o euro) foram sepultados até pela conservadora Alemanha, de modo que a economia da União Europeia já funciona sem regras, pois neste momento, em tese, todos os países teriam de ser punidos. A Itália, que precisa rolar 200 bilhões, está à beira da insolvência. Financistas como George Soros pedem a criação de eurobonds para evitar a bancarrota dos países mais vulneráveis, mas, por enquanto, a proposta esbarra no veto alemão. Diante do impasse, discute-se o abandono do euro, algo impensável há pouco tempo. A imediata consequência seria uma corrida de desvalorizações cambiais que trariam grande desordem macroeconômica no espaço europeu. O Japão anda de lado desde 1991.
De lá para cá, empreendeu vários programas de grandes obras públicas que não funcionaram. Há quem diga que gastou demais em obras inúteis, duplicadas e redundantes, que só criaram empregos durante o período de construção e não elevaram a produtividade da economia; há quem diga que gastou de menos e de forma muito diluída no tempo. Mesmo sem consenso, mas também premido pela necessidade, o país prepara mais um gigantesco programa de investimentos públicos para tentar reagir a uma queda de 12,7% no PIB no último quadrimestre, com 3,6 milhões de novos desempregados desde dezembro.
O quadro internacional é grave. Teremos muita crise pela frente. Os políticos brasileiros precisam parar de fabricar factoides, de olhar para o próprio umbigo e de discutir ninharias.

terça-feira, 3 de março de 2009

TRANSGÊNICO, PRODUÇÃO DE ALIMENTOS E O COMBATE A FOME !

Sempre defendí e acreditei que muita coisa "estranha" aos interesses "humanitários" estavam por detrás dos chamados transgênicos.
Na reportagem abaixo, temos isso como fato comprovado: produzir mais não resolve o problema da fome, mas distribuindo mais e melhor, é que poderá resolver a fome no mundo.

“A atual produção mundial de alimentos é superior à capacidade de consumo dos seres humanos. Assim, podemos constatar que a fome não resulta de uma baixa produtividade ou de pouca produção de alimentos no mundo”, constata Antônio Inácio Andrioli, professor do Mestrado em Educação nas Ciências da UNIJUÍ - RS e da Universidade Johannes Kepler de Linz (Áustria). Doutor em Ciências Econômicas e Sociais pela Universidade de Osnabrück (Alemanha), em artigo publicado na revista Espaço Acadêmico e reproduzida pela Agência Envolverde/Mercado Ético, 02-03-2009. Para ele, no entanto, “a questão é a seguinte: como os 860 milhões de seres humanos que passam fome podem ter acesso aos alimentos? Alternativas técnicas, como a transgenia, poderiam contribuir para combater a fome?”
Eis o artigo.
A atual produção mundial de alimentos é superior à capacidade de consumo dos seres humanos. Assim, podemos constatar que a fome não resulta de uma baixa produtividade ou de pouca produção de alimentos no mundo. A questão, entretanto, é a seguinte: como os 860 milhões de seres humanos que passam fome podem ter acesso aos alimentos? Alternativas técnicas, como a transgenia, poderiam contribuir para combater a fome?
As questões políticas fundamentais que se colocam no debate sobre a produção de alimentos giram em torno do que, porque, como, por quem e para quem algo é produzido. Nos últimos anos, se vislumbrou, de forma crescente, a possibilidade de lucrar com a produção de alimentos. Uma das formas é disponibilizar alimentos baratos sob tais condições que a produção local em outros países seja destruída e se gere uma dependência na importação. Por exemplo, o Brasil exporta frangos para a Europa, os europeus consomem as partes mais nobres e as que não desejam consumir são exportadas gratuitamente para a África, com o suposto propósito de combate à fome. Assim, o frango exportado para os países africanos destrói a produção local, pois estes não têm condições de competir com as doações de alimentos. Essa é uma forma de dependência acompanhada de um “espírito de solidariedade” e assistencialismo, pois os europeus argumentam que, assim, estariam ajudando os países pobres.
Mas, quais alimentos são produzidos? No caso do Brasil, é evidente que o país produz demasiadamente soja, que, em sua maior parte, se destina à alimentação de bovinos, suínos e aves dos europeus, estadunidenses e chineses. E, atualmente, também passa a contribuir para abastecer veículos na forma de agrodiesel. A monocultura da soja destrói o meio ambiente e a produção local de alimentos para servir de combustível para os países ricos.
O Brasil produz excessivamente soja, café, algodão, cacau, laranja, enfim, as monoculturas destinadas à exportação, produtos que, em sua maioria, não são consumidos pelos brasileiros. Por outro lado, o país produz pouco arroz, feijão e mandioca, produtos que constituem a base alimentar dos brasileiros e passaram a ser importados com dinheiro das assim chamadas divisas do superávit da balança comercial, resultante das exportações agrícolas. Essa é uma das formas de desigualdade que contribui para a concentração de renda nos países ricos e pobres e para o aumento da fome. Por exemplo, o Brasil é o maior produtor de café em grão do mundo. A Alemanha, país mais rico da Europa, é o maior exportador de café refinado do mundo sem produzir um único grão do produto. Isso não ocorre somente com o café. Trata-se de uma política de geração de dependência, que há mais de 500 anos vigora no Brasil. Por isso, a fome e a produção de alimentos constituem uma questão política e não técnica. Trata-se da soberania alimentar de uma população. Além disso, determinadas tecnologias, como a transgenia, proporcionam a algumas empresas o poder de se apropriarem de recursos naturais, que deveriam estar à disposição de todos, para o aumento de seus lucros. Essas mesmas empresas são beneficiadas com a fome (a assim chamada crise alimentar), que é muito mais resultado de uma especulação com alimentos do que da sua falta de disponibilidade ou do aumento do consumo em algumas regiões do mundo. Os chineses, por exemplo, estão consumindo mais alimentos importados exatamente em função do forçado processo de industrialização e urbanização em curso naquele país, diminuindo a produção de alimentos, aumentando o êxodo rural e, por consequência, o número de pessoas que deixam de produzir para consumo próprio.
Além dos fatores anteriormente citados, é principalmente a concentração no sistema alimentar mundial que tem contribuído para o aumento da fome. No Brasil, isso não significa apenas afirmar que determinadas empresas monopolizam diretamente a produção de alimentos, pois elas estão controlando o uso da terra. A terra continua concentrada como propriedade de empresas que passam a produzir soja, etanol, agrodiesel e celulose. É esse o futuro projetado para a agricultura brasileira pelo “agronegócio” e, com isso, se produz mais fome, pois estão sendo excluídos do acesso à alimentação aqueles que poderiam produzir para alimentarem a si mesmos e que estariam em condições de produzir um excedente para abastecer o mercado local e regional. Esse tipo de agricultura está sendo destruído, o qual é responsável pela alimentação da maior parte das pessoas no planeta: a agricultura familiar.
A agricultura familiar não recebe apoio público na forma como deveria receber, considerando sua importância para a soberania alimentar das nações. O debate sobre os subsídios agrícolas também é fundamental no que se refere à alimentação. Na Europa, por exemplo, é subsidiada a agricultura que não precisa do subsídio (os grandes produtores rurais e corporações agrícolas), em função da pressão política das suas organizações. O governo apoia, prioritariamente, quem expande sua capacidade produtiva, o que gera um problema de superprodução. Em seguida, para compensar os baixos preços decorrentes do excesso produzido, os governos subsidiam a exportação desses produtos, que entram no mercado internacional, destruindo a produção em outros países e gerando uma nova dependência.
Com referência aos transgênicos, que foram anunciados com a promessa de contribuir para o aumento da produção de alimentos, é evidente que empresas como a Monsanto, a Syngenta, a Bayer e a Basf não estão interessadas em combater a fome. Seu objetivo é aumentar o poder de controle sobre a produção de alimentos desde a gênese do alimento: a semente. Nunca na história da humanidade se obteve um domínio tão grande sobre a produção de alimentos, porque nunca era possível determinar a partir de uma técnica a apropriação dos resultados econômicos dessa tecnologia. Atualmente isso é possível. A transgenia e algumas outras biotecnologias que ainda estão por vir permitem que algumas empresas possam controlar onde e qual planta será cultivada, que tipo de insumos se vai utilizar (os insumos que essas empresas tem a oferecer) e para quem essa comida será produzida.
Há diversos problemas éticos envolvidos nesse debate. Existem pesquisadores (intelectuais liberais) que não conseguem entender porque as pessoas pobres não querem consumir o que os ricos rejeitam: os alimentos transgênicos, com altos riscos à saúde, enormes conseqüências ao meio ambiente e problemas sociais, que se tornaram conhecidos nos últimos dez anos, em que apenas duas formas de transgenia foram liberadas para cultivo. Trata-se de uma planta resistente a um herbicida e uma planta resistente a determinados insetos. Após 5 anos de cultivo essa tecnologia passa a perder a sua validade e precisam ser acrescentadas novas características para que ela possa continuar sendo eficiente, representando um alto custo econômico, ecológico e social.
Está comprovado que a transgenia é uma tecnologia que não deu certo, com a constatação de resistência de inços ao glifosato, no caso da planta resistente a herbicida, e a resistência dos insetos contra a toxina produzida pela bactéria bacilus turinguiensis, introduzida nas plantas Bt. Mas, apesar disso, existe um lobby enorme sobre parlamentos e governos, uma forte pressão da mídia e um aparato de propaganda para forçar a sociedade a consumir o que ela não está disposta a consumir e os agricultores estão sendo forçados a produzir de uma só forma. Se o agricultor não consegue mais produzir de outra forma, o consumidor não terá mais a possibilidade de escolher o tipo de alimento. Portanto, de uma só vez, estão sendo restringidos dois direitos históricos dos seres humanos: a) a liberdade dos agricultores de definirem sua forma de produzir; b) a liberdade dos consumidores em sua opção de consumirem alimentos melhores, mais saudáveis e que não contenham toxinas ou resíduos de agrotóxicos.
Com os transgênicos estão sendo produzidos alimentos de pior qualidade, com menor produtividade e com mais custos econômicos, ecológicos e sociais. Por detrás dessa temática está o debate sobre o tipo de agricultura que um país pretende priorizar, o acesso aos recursos naturais, a Reforma Agrária, enfim, a possibilidade de um povo se alimentar de uma forma mais saudável e de viver com mais qualidade. A silenciosa contaminação de solos e alimentos[1], através dos cultivos transgênicos, integra uma estratégia de dominação associada a uma perspectiva de aumento dos preços dos alimentos. Assim, é possível controlar populações inteiras que ficam subordinadas aos interesses de algumas corporações multinacionais, fazendo da produção de alimentos uma forma de enriquecimento privado e um poder político sem precedentes na história da humanidade.
[1] Cf. Andrioli, A./Fuchs, R. (2008): Transgênicos: as sementes do mal. A silenciosa contaminação de solos e alimentos. São Paulo: Expressão Popular. http://www.andrioli.com.br/livros/livro_as_sementes.htm