quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

ESTOU DE FÉRIAS ! MAS O MUNDO CONTINUA... !

ESTOU TIRANDO FÉRIAS, PARA AS PRAIAS !

ESTAREI DE FÉRIAS,
MAS ACOMPANHAREI DE PERTO
AS COISAS DESTE MUNDO DE DEUS !

A TODOS AQUELES QUE DESEJAREM FALAR COMIGO:
ME ENCONTRE NAS PRAIAS DA VIDA !
ENTÃO... FUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII, DE FÉRIAS...
ATÉ 2009 !
Última Publicação de 2008... Acabou mais um ano !
Um Ano de Sucesso !
Um Ano de Muitas Lutas !
Um Ano de muitas Vitórias, algumas derrotas !
Um Ano de muitas Alegrias, e algumas tristezas...
Estarei de Férias, merecidas....
Afinal, NINGUÉM É DE FERRO !
EU MEREÇO, E POR ISSO, ESTAREI NAS PRAIAS,
FAZENDO O QUE MAIS GOSTO : ONDAS,
MUITO BANHO,
MÚSICAS, FAMÍLIA,
ALEGRIA, ALEGRIA !
EM 2009, PROMETO SER MELHOR !
EM 2009, PROMETO TODA DEDICAÇÃO E MELHORAR ESTE E OS OUTROS !
BOAS FESTAS, FELIZ 2009 !
PUBLICAÇÃO AGORA, SÓ NO FINAL DE JANEIRO,
QUIÇÁ, FEVEREIRO !

domingo, 28 de dezembro de 2008

EXPECTATIVAS E PERSPECTIVAS PARA 2009 !

Eu acredito num MUNDO FELIZ ! Onde as pessoas possam sorrir e se alegrar com a vida cheia de possibilidades...

Eu acredito em um Mundo onde TODOS possam dar as mãos e trabalhar para salvar o PLANETA, dos problemas ambientais, sociais, econômicos e gerar qualidade de vida para todos....
Eu declaro meu Amor ao Planeta Terra, e digo que em 2009, serei mais defensor de tudo que possa preservá-lo de ações criminosas...
Declare seu Amor ao Planeta Terra....
Fazer previsões nunca foi meu forte, mas diante dos CENÁRIOS que se projetam,... lá vão as EXPECTATIVAS e PERSPECTIVAS para 2009.
NÃO SE ESQUECENDO, SÃO OPINIÕES E ANÁLISES LIVRES DE PESQUISAS FEITAS, QUE NÃO CONDIZEM, NECESSARIAMENTE COM A VERDADE, SÃO APENAS PROJEÇÕES E VISÕES DE UM MUNDO QUE VIRÁ...
A crise econômica que assolou o mundo em 2008 continua a embutir uma série de incertezas quanto à extensão, magnitude e conseqüências sobre o nível de atividade das economias desenvolvidas e emergentes em 2009. Acreditamos que o crescimento das economias emergentes recuará significativamente, uma vez que seus mercados internos não serão suficientes para compensar a redução da demanda global, desencadeada pela recessão das economias desenvolvidas (principalmente EUA, Europa e Japão). O PIB mundial, por sua vez, também deverá apresentar forte recuo, passando de um possível crescimento de 3,7% em 2008 para um crescimento de apenas 2,2% ou menos em 2009.

Cenário Atual e Perspectivas Econômicas
Estados Unidos
A situação econômica do país agravou-se substancialmente ao longo de 2008. A crise, que teve origem no mercado imobiliário, acabou se estendendo para o mercado de crédito, trazendo graves conseqüências para o ritmo de investimentos e
consumo das famílias. As condições financeiras adversas provavelmente deverão continuar afetando negativamente a atividade econômica dos EUA ao longo de 2009, traduzindo em retração do PIB. Acreditamos que a redução do consumo das
famílias e dos investimentos residenciais e não residenciais deverá continuar em 2009, devido sobretudo à forte incerteza e a falta de confiança no sistema, que tem levado os americanos a poupar ao invés de consumir, além de buscar fontes mais
seguras de investimentos. Vale lembrar que o consumo é considerado o principal motor da economia americana, representando cerca de dois terços do PIB do país. Acreditamos que o país deverá crescer 1,4% em 2008 e apresentar retração de
0,7% em 2009. Em relação ao mercado de trabalho, a situação permanece desanimadora, com possibilidade de piora em 2009. Atualmente, a taxa de desemprego está situada em 6,7%, o maior patamar desde 1993, podendo chegar a 8,6% no final de 2009. No que tange à inflação, a desaceleração da atividade e a redução dos preços das commodities deverão contribuir para sua redução. As taxas de juros deverão permanecer próximas a zero até o fim de 2009.
Europa
A redução da liquidez, motivada pela forte contração do crédito, afetou significativamente o sistema financeiro europeu, levando muitos países a registrarem desaceleração e até mesmo contração em seus níveis de atividade. Acreditamos que a
zona do Euro apresentará crescimento de 0,8% em 2008 e retração de 1,3% em 2009. A recessão na Europa provavelmente deverá ser mais dolorosa do que se imaginava e, diante dessa situação, os bancos centrais realizaram cortes recordes
nas taxas de juros. O Banco Central Europeu (BCE), por exemplo, reduziu a taxa de 3,25% ao ano para 2,5% ao ano, podendo chegar a 2,0% até o final de 2009.
China e Índia
A economia chinesa vem sendo impactada diretamente pelo desaquecimento econômico das economias americana e européia. Como temos visto, o governo vem adotando uma combinação de política fiscal ativa e política monetária frouxa, com o objetivo de expandir a demanda doméstica do país e assim estimular a economia, evitando uma desaceleração mais inten-
sa. Acreditamos que a redução do crescimento mundial impactará diretamente nas exportações chinesas, e conseqüentemente no nível de atividade do país. A expectativa é que em 2008 o país cresça 9,7% e 8,5% em 2009.
Para a Índia, a expectativa é que cresça 7,9% em 2008 e 6,9% em 2009. A Índia, assim como a China, anunciou pacotes de estímulos à eco-
nomia para tentar frear os efeitos da crise internacional sobre o país.
Brasil
A economia brasileira não sairá ilesa da crise financeira internacional como muitos previam anteriormente. Apesar do país estar mais sólido, quando comparado a períodos anteriores, uma forte redução no desempenho econômico em 2009 não
deve ser descartada. Não afastamos a possibilidade de retração no PIB, em função da redução do consumo das famílias e menor crescimento dos investimentos privados. A incerteza que contagiou a economia externa vem deixando marcas significativas no Brasil.
Um exemplo claro foi o desempenho da indústria brasileira no mês de outubro, que apresentou queda de 1,7%. Caso continue o cenário de redução da demanda doméstica, com redução do consumo, a indústria continuará produzindo menos, o que por sua vez poderá elevar o desemprego, piorando assim a saúde econômica do país. Acreditamos que
o PIB crescerá 4,7% em 2008 e 3,2% em 2009.
* Conta Corrente: acreditamos que o déficit em conta corrente deverá fechar o ano de 2008 em US$ 30 bilhões, reduzindo-se para US$ 28 bilhões em 2009. A menor lucratividade das empresas e a taxa de câmbio mais desvalorizada tenderão a
reduzir as remessas de lucros e dividendos. Além disso, as despesas com turismo também deverão ser menores.
* Balança Comercial: o saldo comercial deverá fechar este ano em US$ 23,80 bilhões. Em 2009, no entanto, a desaceleração da demanda interna e externa e os menores preços das commodities deverão contribuir para uma redução do saldo
para aproximadamente US$ 17,9 bilhões.
Vale observar que o peso das commodities é maior nas exportações do que nas
importações.
As opiniões aqui descritas são baseadas em estudos gráficos, estatísticos e fundamentalistas, não se constituindo, portanto, expressão máxima da verdade. Assim sendo, não existem formas de responsabilidade por fatos não conhecidos.
Em síntese, a situação econômica global será fortemente impactada pela crise financeira internacional. De acordo com o nosso cenário, o crescimento das economias desenvolvidas e emergentes obterão perdas significativas, podendo apresentar melhora a partir do 2009.


OUTRA VISÃO DO MUNDO QUE VIRÁ...
Aquela idéia de que os piores pesadelos ainda estavam por vir vai pouco a pouco cedendo lugar a avaliações mais realistas e serenas sobre o cenário econômico de 2009. Ninguém mais ignora a crise, é fato. Ninguém mais a enxerga como uma marola. Porém, os indicadores que o Brasil entrega neste apagar das luzes de 2008 reforçam a impressão de que o País apresenta sim consistência para uma travessia sem maiores traumas. Os números de investimento em maquinário, as respostas rápidas dos consumidores a todo e qualquer estímulo de crédito e a temporada de obras que se abre projetam grandes expectativas. O Brasil já tem uma espécie de seguro anticrise. A dívida pública caiu em 2008 de 56% para 35% do PIB, o que turbina a saúde do Tesouro para o combate.
O BNDES acaba de receber autorização para emprestar mais de R$ 100 bilhões em 2009. As empresas que estão parando projetos no mundo receberam autorização para manter seus investimentos no Brasil porque acreditam que esta é a plataforma mercadológica mais competitiva do futuro. São inúmeros os casos de corporações internacionais com essa posição. O BC está orientado a usar todas as armas possíveis para segurar o câmbio. O colchão de reservas segue robusto. Os bancos tiveram novas sinalizações de crédito. A Petrobras reforçou as apostas no pré-sal e confirmou os investimentos em várias refinarias. Três Norte/Nordeste - Maranhão, Ceará e Pernambuco -, além da maior delas, no Rio de Janeiro. São empreendimentos que deverão movimentar bilhões de reais em negócios paralelos.
Então vamos "tentar" ver o que poderá vir por aí, em 2009 !
ESTA BOLA DE CRISTAL EM NÃO TENHO, MAS VAMOS TENTAR PRECONIZAR AS SITUAÇÕES PARA 2009 !
Como uma série de grandes obras de infra-estrutura está mudando a face de regiões inteiras do País e pode garantir a manutenção do crescimento brasileiro em 2009, em meio a um cenário de crise internacional
Entrevista/Luciano Coutinho – “A crise lá fora é uma oportunidade para nós” – Quem está pessimista em relação ao futuro da economia brasileira deve agendar uma visita ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
Do alto do 19º andar da imponente sede do banco estatal na avenida Chile, no Rio de Janeiro, ele só tem boas notícias.
O BNDES desembolsou mais de R$ 90 bilhões neste ano e, no próximo, terá mais de R$ 100 bilhões para financiar grandes projetos empresariais. (...)
A era dos megaprojetos – O Brasil está colocando em marcha o maior pacote de obras públicas da sua história. Isso pode garantir a continuidade do crescimento em 2009 e também deverá abrir fronteiras de desenvolvimento em todas as regiões do País.
ão Paulo vai andar – Maior obra rodoviária da América Latina e carro-chefe do PAC, o Rodoanel avança a passos largos e pode descongestionar a maior metrópole do País.
Energia amazônica – A construção da megausina no coração da maior floresta do planeta abre uma nova fronteira e dá ao Brasil mais tranqüilidade na questão energética.
Dilma na locomotiva do PAC – À frente do programa, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, garante que não faltarão recursos para os grandes projetos em 2009.
A utopia virou realidade – Apontada como faraônica, quando foi idealizada, a Ferrovia Norte-Sul já é uma realidade que abre uma nova fronteira de expansão agrícola no País.
Trem-bala – Ele sai? – Ligação ultraveloz entre o Rio e São Paulo atrai interesse internacional, mas o custo ainda assusta e o estudo de viabilidade não foi concluído.
Estreito só no nome – A usina de Estreito, no Maranhão, é uma das maiores hidrelétricas em construção no País e já começa a transformar a realidade econômica local.
A nova primavera nuclear – Angra 3 é apenas o primeiro passo de um ambicioso programa energético em torno do urânio nacional.
O fator Petrobras – Além da exploração do pré-sal, a empresa está à frente dos maiores projetos em andamento no País, que não serão paralisados em razão da crise internacional.
Os ventos do Ceará – Usina de geração eólica, a fonte mais limpa de energia, garantem investimentos de R$ 1,7 bilhão ao Estado.
Muito mais que um porto – Suape terá estaleiros, uma grande refinaria da Petrobras e deve consolidar como novo pólo industrial.
O caos vai se repetir? – A alta temporada chegou e com ela vieram também os atrasos nos aeroportos, mas o governo promete que, desta vez, não haverá um apagão aéreo.
Crédito alcança 40% do PIB – É a maior taxa da história, segundo o Banco Central. Em 2009, apesar da crise, volumes serão ainda maiores.
O futuro que você vai viver
Conheça as 7 tendências que estão mudando nossos modelos de consumo e de sucesso
Perspectiva 2009 – Você vai fazer o nosso futuro – As sete tendências que dominarão a sociedade brasileira nos próximos anos estão ligadas à adoção de uma nova postura individual para resolver os problemas coletivos.
Perspectiva 2009 – A era do bem-estar – Nos próximos anos, o cotidiano será marcado por atitudes e serviços que proporcionarão o equilíbrio entre o corpo e a mente.
Perspectiva 2009 – Mentes espertas – Cursos e viagens viram instrumento do aprendizado permanente, ajudam as pessoas a ser mais tolerantes e a prepará-las para situações novas.
Perspectiva 2009 – Pegadas verdes no Planeta – As preocupações com o meio ambiente vencem modismos e afetações e mudam hábitos de pessoas e empresas, que passaram a incorporar um estilo sustentável de viver e trabalhar.
Perspectiva 2009 – Um mundo pronto para os idosos – O envelhecimento da população está fazendo nascer um planeta com lazer, casas mais seguras e muita solidariedade com a velhice.
Perspectiva 2009 - O poder que vem de Obama – Ao final de uma campanha que eletrizou o mundo, a eleição do primeiro presidente negro dos EUA expressa o anseio por mudança.

RETROSPECTIVA 2008 !

O ano de 2008 tem pelo menos três bons argumentos para pleitear o adjetivo "histórico": o show da pujança chinesa na Olimpíada de Pequim, a crise econômica mundial mais séria desde pelo menos a Segunda Guerra Mundial e a eleição do primeiro negro presidente dos Estados Unidos.
No crepúsculo dos anos Bush, não foi a ameaça do terrorismo que mais tirou o sono dos americanos, e sim a crise econômica global. Empresas-símbolo do capitalismo mundial tiveram que se curvar e pedir ajuda, e as bolsas despencaram. Muito além de Wall Street, o mundo inteiro estremeceu e continua sentindo o choque. A China não escapou da crise, mas ainda é menos afetada dos que as maiores economias ocidentais e continua diminuindo a distância que a separa de EUA, Japão e Alemanha. Brasil Só no final do ano o Brasil começa a sentir com mais força o impacto da onda negativa, mas a forma como os males financeiros vão marcar os últimos dois anos de mandato de Luiz Inácio Lula da Silva poderá influenciar a escolha de seu sucessor. No front externo, a diplomacia do Brasil continuou caminhando na direção de uma liderança mais ativa na América do Sul e Latina. Mas a estrada não parece ser sem obstáculos, como mostram os atritos com o Equador e a polêmica em torno de Itaipu com o Paraguai. Iraque Apesar da continuidade dos atentados, o ano termina com alguma esperança no Iraque, com a definição de um cronograma para a saída das tropas americanas e britânicas. Se houve avanços no Iraque, a violência se fez presente no Afeganistão, Paquistão e voltou com força a Índia. No Cáucaso, Rússia e Geórgia se envolveram em uma guerra e ainda há tensão.

Não pretendo aqui expor todos os eventos mais importantes, pois se isso eu viesse a fazê-lo, não haveria espaços para tantas publicações...

Meus objetivos são resgatar os principáis eventos deste ano de 2008.

Relembre esses e outros fatos na nossa retrospectiva.

FEVEREIRO DE 2008
Fidel Castro renuncia ao poder; seu irmão Raúl assume
Depois de 49 anos na liderança do governo socialista de Cuba, Fidel Castro renunciou ao cargo de presidente do país e de comandante do Partido Comunista no dia 19 de fevereiro. Ele estava afastado do cargo desde agosto de 2006 por motivos de saúde, sendo substituído por seu irmão, Raúl Castro. Dias depois, em 24 de fevereiro, o Parlamento cubano aprovou oficialmente o nome de Raúl como o novo presidente do país. Sem mudar a estrutura política de Cuba, Raúl promoveu reformas no sistema.

Kosovo declara independência da Sérvia
O parlamento de Kosovo, de maioria albanesa, aprovou a independência da província da Sérvia no dia 17 de fevereiro. A declaração unilateral foi criticada pelo governo sérvio. O novo país foi reconhecido pelos Estados Unidos e por parte dos países da União Européia, mas não recebeu aprovação da Rússia, um antigo aliado da Sérvia.

ABRIL DE 2008
Fernando Lugo é eleito presidente do Paraguai
O ex-bispo católico Fernando Lugo foi eleito presidente do Paraguai no dia 21 de abril. A vitória de Lugo, com uma plataforma de esquerda, representou o fim de uma hegemonia de mais de 60 anos do Partido Colorado. Algumas das propostas de Lugo tinham relação direta com o Brasil e causaram polêmica. O novo governo propôs uma reforma agrária, o que aumentou a tensão entre o movimento sem-terra paraguaio e os chamados "brasiguaios", brasileiros proprietários de terras no país. Lugo também prometeu renegociar o tratado da Hidrelétrica de Itaipu com o Brasil.

MAIO DE 2008
Terremoto na China deixa cerca de 70 mil mortos
No dia 12 de maio, um tremor de 7,9 na escala Richter atingiu a província de Sichuan, no oeste da China, matando cerca de 70 mil pessoas e deixando aproximadamente 5 milhões de desabrigados. Muitas das vítimas eram crianças, que morreram no desmoronamento de escolas. O terremoto foi um enorme desafio para o governo chinês, que se preparava para os Jogos Olímpicos de Pequim, marcados para agosto.

JULHO DE 2008
Ingrid Betancourt é libertada na Colômbia
Depois de seis anos em poder dos guerrilheiros das Farc, a ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt foi libertada, juntamente com mais 14 reféns, em uma operação do Exército colombiano no dia 2 de julho. O governo da Colômbia diz ter armado uma encenação para enganar os guerrilheiros, fingindo que os reféns seriam entregues a uma missão humanitária internacional. Já as Farc classificaram a libertação de sua refém como uma traição por parte dos guerrilheiros responsáveis pelo cativeiro.

Sérvia anuncia a prisão de Radovan Karadzic
O governo da Sérvia anunciou no dia 21 de julho a prisão do ex-líder sérvio bósnio Radovan Karadzic, acusado de crimes durante a Guerra da Bósnia (1992-1995) e foragido havia 13 anos. Entregue ao Tribunal Criminal Internacional para a Ex-Iugoslávia em Haia, na Holanda, Karadzic enfrenta a acusação de responsabilidade no massacre de Srebrenica, no qual cerca de 8 mil muçulmanos foram mortos em 1995.

AGOSTO DE 2008
Olimpíada de Pequim
A capital chinesa sediou o Jogos Olímpicos de 2008, que tiveram a própria China como grande vitoriosa no quadro de medalhas. O país conquistou 51 ouros, contra 36 dos Estados Unidos. Também foram registradas marcas históricas nos jogos, como a do jamaicano Usain Bolt, que bateu o recorde mundial nos 100m rasos, e da russa Yelena Isinbayeva, que bateu o recorde mundial de salto com vara.

Guerra entre Rússia e Geórgia
A tensão entre a Geórgia e a província separatista da Ossétia do Sul fez com que, no dia 7 de agosto, forças georgianas lançassem um ataque contra o território, cuja população possui laços com a Rússia. Como resposta, Moscou deslocou milhares de soldados para a província e promoveu ataques em alvos espalhados pela Geórgia. Um cessar-fogo foi acertado sob a mediação do presidente francês Nicolas Sarkozy.

SETEMBRO DE 2008
Quebra do Lehman Brothers
O Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, pediu concordata no dia 15 de setembro. O fato é encarado como o marco inicial da crise financeira que se espalhou pelo globo. A quebra do Lehman foi causada por seus altos investimentos em títulos ligados ao mercado do chamado subprime, o crédito imobiliário para pessoas consideradas com alto risco de inadimplência. A desconfiança sobre a saúde do sistema financeiro americano e de outros países gerou fortes quedas nas bolsas de todo o mundo.

Equador manda Exército controlar bens da Odebrecht
No dia 23 de setembro, o presidente do Equador, Rafael Correa, ordenou o embargo dos bens da empreiteira Odebrecht e proibiu seus funcionários de deixarem o país. O governo equatoriano exigia uma indenização da empresa brasileira devido a falhas no funcionamento e da posterior paralisação da hidrelétrica San Francisco, feita pela empreiteira. A medida gerou um conflito diplomático entre o Brasil e o Equador.

Experimento que recria Big Bang é acionado
O maior experimento da história da física começou no dia 10 de setembro na fronteira entre a França e a Suíça. Nessa data foi acionado o gigantesco acelerador de partículas batizado de LHC (sigla em inglês de "Grande Colisor de Hádrons"), que pode ajudar os cientistas a desvendar várias questões sobre a origem do Universo. Um problema técnico, no entanto, interrompeu o experimento, que deve ser retomado em 2009.

OUTUBRO DE 2008
EUA aprovam US$ 700 bi para sistema financeiro
O Congresso dos Estados Unidos aprovou no dia 3 um pacote de US$ 700 bilhões de auxílio ao sistema financeiro do país. O objetivo principal do plano era a compra, por parte do governo, de "papéis podres" (títulos com alta chance de não serem honrados) de instituições em dificuldades. Mesmo após mudanças em novembro, o pacote não foi suficiente para restaurar a confiança nos mercados, que continuaram a sentir fortemente os efeitos da crise.

NOVEMBRO DE 2008
Barack Obama é eleito presidente dos Estados Unidos
Barack Obama foi eleito no dia 4 de novembro o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Advogado, filho de pai queniano e de uma americana branca do Kansas, Obama se apresentou com um candidato cujas propostas iam além da questão racial e sob o slogan da mudança. Usando uma eficiente estratégia de comunicação baseada na internet e aproveitando-se de seu carisma como orador, Obama venceu seu rival, o senador republicano John McCain. A vitória do democrata foi impulsionada por um programa de governo que propõe um Estado mais presente na economia, além de um aumento de programas sociais e da retirada das tropas americanas no Iraque.

DEZEMBRO DE 2008
Jornalista iraquiano atira sapatos em Bush
Pouco mais de um mês antes do final de seu mandato, o presidente dos EUA, George W. Bush, foi vítima de um ataque com sapatos, atirados nele por um jornalista iraquiano. Em visita surpresa ao Iraque, no dia 14, Bush participava de uma coletiva ao lado do primeiro-ministro iraquiano, Nouri Al-Maliki, quando foi surpreendido pelos sapatos lançados pelo jornalista Muntadar Al-Zaidi. Sem ser atingido pelos sapatos, Bush encarou o ato com bom humor. O jornalista, no entanto, foi preso.

Crise chega ao Brasil
A crise econômica internacional atingiu o Brasil, com diversos setores da economia apresentando sinais de desaquecimento. Para tentar frear a crise, o governo lançou uma série de medidas, que no dia 12 de dezembro já ultrapassavam o montante de R$ 250 bilhões. Mas, enquanto muitas das economias do mundo anunciaram cortes de juros, o Banco Central brasileiro preferiu manter a taxa em 13,75%.

Raposa Serra do Sol
Em um dos julgamentos mais aguardados do ano, o Supremo Tribunal Federal voltou, no dia 10 de dezembro, a analisar o polêmico caso da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. De um lado, políticos, o governo de Roraima e os arrozeiros que ocupam a região defendiam a demarcação da reserva em ilhas. De outro lado, estavam ONGs, indígenas e o governo federal, que defendiam a demarcação contínua. Oito dos 11 membros do STF votaram a favor da demarcação contínua.

Ataques de Israel À Faixa de Gaza
Depois de uma tréguia negociada, e seu rompimento Israel lança ataques à faixa de gaza para tentar reprimir as ações do grupo Hamas, que controla a região e tem lançado ataques contra o Sul de Israel. A Comunidade Internacional protesta contra os ataques.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

ENTÃO É NATAL... NOITE DE PAZ....

NOITE DE NATAL
Estarei com minha família Celebrando este que é um dos melhores momentos do ano... Estar junto de meus familiares....

DESEJO A VOCÊ QUE ACESSOU MEU BLOG DESDE O INÍCIO, UM NATAL DE PAZ...

Paz na terra, entre todos os homens de boa vontade.

Paz àquele que anseia crescer, evoluir, entender.

Paz àquele que deseja em cada pensamento, em cada atitude, se melhorar.

Paz àquele que mergulha, dentro do próprio ser, a busca de entendimento, de aceitação.

Paz àquele que estende a mão a procura de bênçãos.

Paz àquele que abençoa com alegria e pureza de coração.

Paz àquele que em um sorriso traz calma, tranqüilidade, equilíbrio.

Paz àquele que procura ensinamentos e que através do pensamento,

neste momento único em que todos os homens se irmanam, ao dobrar dos sinos, esteja em oração.

Paz àqueles que abrem seus corações em luzes puras, amorosas, magneticamente salutares, que envolvem a terra e permitem, neste raro momento, que ela brilhe,
suspensa no espaço, girando em tons azuis, iluminando todo o infinito, abrandando aflitos...

Paz enfim Senhor, a todos os seres que habitam este universo e que rimam amor e dor...

Que a luz se faça e que refaça em todos os homens a fé renovadora, a força e a coragem, a inteligência, a razão.

Que os homens se irmanem na escalada da perfeição.

Que se unam em pensamento todos os de boa vontade.

E que nesta noite busquem a Paz.

A SOCIEDADE DO RISCO E O ANO QUE VIRÁ !

Os perigos criam oportunidades... As adversidades globais desestabilizam a ordem existente e podem ser vistas como um passo vital rumo a novas instituições”. Nesta entrevista, o grande sociólogo alemão Ulrich Beck tenta inverter as análises apocalípticas sobre o nosso tempo. E propõe uma “saída estratégica” para se aprender a viver bem, apesar do terrorismo, das mudanças climáticas e das crises econômicas.
A reportagem é de Riccardo Staglianò, publicada no jornal La Repubblica, 21-12-2008. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
A segurança é o novo totem. Sempre mais, o mundo escapa das mãos. Se algum dia nos iludimos com isso, hoje certamente não o controlamos mais. Terrorismo, mudança climática, crise financeira, ou seja, inimigos reais, mas sem rosto. E depois a precariedade no trabalho e nos afetos. Não há mais nenhuma lajota existencial, daqueles sobre as quais estávamos acostumados a ficar de pé, que não tenha sido removida pelo grande cisma da pós-modernidade globalizada. Sobre esse terreno desconexo, avança um homem inevitavelmente cambaleante. Ele não sabe mais lidar com os novos perigos. Os políticos, na mesma condição, exageram nos alarmes, para que ninguém possa acusá-los, depois, de negligência. Com o pé-de-cabra da emergência, fazem passar leis e limitações da liberdade que ninguém aceitaria de outra forma. Já os nomeando, falando tanto disso, esses espantalhos intoxicam a convivência e o discurso público. A sua mise-en-scène antecipada já é a catástrofe. Que, depois, os eventos se realizem ou não se torna quase um opcional.
É nesse estado febril de medo e ansiedade, a nova conditio humana, que devemos aprender a nos mover. Dando um robusto desconto às preocupações para sobreviver. Essa é a lição que Ulrich Beck, um dos maiores sociólogos contemporâneos e inventor do conceito de Risikogesellschaft, “sociedade do risco”, nos dá nesta entrevista. Iluminando muitos dos paradoxos dos quais, muitas vezes, somos espectadores inconscientes. E presenteando ao leitor, carregado pela narrativa apocalíptica destes tempos, uma saída estratégica metodológica: “Os riscos criam oportunidades”. Só os mortos não correm mais atrás delas. Os vivos se alimentam delas, sem se deixar esmagar. Portanto, nenhum tabu.

Professor, no verão de 2006, foi desvendado um suposto ataque aos aviões da Grã-Bretanha sobre os Estados Unidos. Perigo desvendado, mas desde então ninguém pode levar líquidos nos vôos. Conseqüência desproporcional?
Não é um ritual fenomenal – e divertido – que milhões de passageiros, em cuja mente se aninhou a ameaça terrorista, aceitem, dia após dia, limitações do gênero à sua liberdade? Isso me faz lembrar a dança da chuva dos índios. Eles dançavam para convencer os deuses a fazer chover, nós para produzir um sentimento de segurança frente a uma ameaça terrorista aparentemente presente.

Os riscos estão em todos os lugares. Como podemos calculá-los?
Mesmo que nos esforcemos, os riscos não podem ser evitados. Na carreira, arrisca-se tomar o caminho errado. Nos transportes, de causar um acidente. No amor, o coração despedaçado. E, às vezes, nos agrada também arriscar, correndo mais rápido ou desafiando um amor incerto contra todas as possibilidades. Mas a ameaça terrorista é fundamentalmente diferente. Não pode ser enfrentada individualmente, nem existe uma base científica sobre a qual avaliar suas probabilidades. Simplesmente, não sabemos calculá-las.

O senhor descreve o presente distinguindo “incertezas fabricadas” dos ricos aos quais éramos habituados. Poderia nos explicar melhor?
A diferença principal está no fato de que se perdeu o controle do risco. Acontece quando pelo menos uma quantidade no cálculo clássico (o ator, a tentativa e o potencial) fica desconhecida. Como acontece nos casos das mudanças climáticas, dos riscos terroristas e financeiros. O novo ponto crucial, porém, não é só a consciência dessa ignorância, mas também que o Estado responde fingindo ter um maior conhecimento e controle. Entende a ironia na ostentação de segurança sobre algo, mesmo se não se sabe se isso existe! Isso nos leva à dança da chuva de que falávamos no começo.

Mas por que devemos ficar preocupados com aquilo que nem ao menos conhecemos?
A resposta sociológica é: porque, frente à produção de incertezas fabricadas, a sociedade, mais do que nunca, confia e insiste na segurança e no controle. E isso não é verdade só nas esferas da política nacional e internacional, mas também nas da vida cotidiana, como demonstra a prontidão em aceitar limitações à liberdade, como nos vôos. Por isso, a sociedade mundial do risco deve enfrentar o desagradável problema de ter que tomar decisões sobre bilhões de dólares ou euros e também sobre a guerra e a paz sobre a base de uma ignorância mais ou menos admitida.
Não se acaba, assim, confundindo o limite entre racionalidade e histeria?
Certamente. Os políticos, particularmente, podem facilmente ser obrigados a proclamar uma segurança que não chegam a honrar, porque os custos políticos de tais omissões seriam muito mais altos do que os de uma sobrevalorização. Por isso, no futuro, não será fácil limitar e prevenir o diabólico jogo de poder com a histeria do não-saber. E aqui não ouso nem pensar nas tentativas deliberadas de instrumentalização da situação.

Escrevendo sobre Bin Laden, o senhor aponta o dedo contra a imprensa, que cria um público para as ações da Al Qaeda. Mas como ela deveria se comportam para não cooperar involuntariamente com o inimigo sem renunciar à missão de informar o público?
Exagerando um pouco, pode-se dizer que não é tanto o ato terrorista, mas sim a sua representação global e as antecipações políticas que ele cria, com ações e reações, que estão destruindo as instituições ocidentais de liberdade e democracia. Talvez, se o novo governo dos EUA, os europeus e os jornalistas começassem a refletir sobre a importância dessa representação para a sustentação involuntária do projeto dos criminosos, se poderia enquadrar o terrorismo de uma forma diferente. Por exemplo, não como questão militar, mas de inteligência e de política que precisa de novos tipos de cooperação transnacional.

O senhor defende que não faz falta uma catástrofe para mudar o mundo, porque sua antecipação já é suficiente. De verdade, é tão fácil?
Basta olhar à comédia impagável que está sendo apresentada no palco mundial nestas semanas. Estou, naturalmente, falando da crise financeira. Da noite para o dia, a idéia missionária do Ocidente, a economia de mercado, colapsou. E o que está assumindo o seu lugar é um socialismo de Estado para os ricos, ao lado de um duro neoliberalismo para os trabalhadores e os pobres. Eis porque não sou completamente alarmista ao sustentar que a antecipação da catástrofe pode mudar fundamentalmente a política mundial. Porém, isso abre também uma oportunidade de reconfigurar o poder em termos de realpolitik cosmopolita.

Pode nos dar um exemplo?
Sim. Entre os tantos paralelos entre a tempestade financeira atual e os anos 30, poucos são mais importantes do que as implicações do descontentamento econômico para a segurança nacional. A Grande Depressão nos trouxe a Segunda Guerra Mundial, um cenário que não podemos repetir. Hoje, devemos reaprender que a política econômica e a externa não são domínios diferentes. Constituem, pelo contrário, um nexo estratégico, cujas interconexões podemos escolher ignorar sob nosso risco e perigo. As políticas do nacionalismo econômico devem, por isso, ser constituídas com novas regras e instituições, que evitem o protecionismo e o caos das taxas de câmbio. Só a cooperação internacional pode reavivar as economias nacionais.

Se a preocupação crescente e constante com os riscos plasma o que o senhor chama de nova conditio humana, como podemos sobreviver a eles?
Bom, eu não sou Jesus, não tenho todas as respostas, nem para as perguntas mais centrais. Mas contra a semente daquilo que ocorre, difuso sentimento de apocalipse, me pergunto: qual é o estratagema intrínseco que a sociedade mundial do risco inventou para si? Apesar de que alguns insistam em ver um excesso de reações aos riscos globais, estes têm também uma função iluminadora. Desestabilizam a ordem existente e podem também ser vistos como um passo vital rumo à construção de novas instituições; confundem os mecanismos da irresponsabilidade global e abrem-nos a uma ação política.

Já antes da crise financeira, existia um outro grave problema, o da precariedade do trabalho. Como essa moderna incerteza influi sobre a sociedade?
A “flexibilidade do mercado do trabalho” se tornou um mantra político, mais do que uma realidade. Especialmente para as gerações mais jovens, a flexibilidade significa uma redistribuição dos riscos: do Estado e da economia sobre o indivíduo. Os trabalhos disponíveis são sempre mais de breve duração e facilmente termináveis. Por isso, a “flexibilidade” significa: força e coragem, as tuas competências e o teu conhecimento são obsoletos, e ninguém pode te dizer o que tu deves aprender para que se precise de ti no futuro! Eu acho que temos que distinguir entre ansiedade (sentimento direto, concreto, urgente e pessoal, como a fome e a violência) e medo (indireto, abstrato, impessoal). A política do medo, tão necessária para se enfrentar, por exemplo, as mudanças climáticas, é minada pelas políticas da ansiedade, induzir pelo fato de se ter experimentado a insegurança laboral.

É possível que o temor de uma catástrofe futura seja o único modo para fazer com que as pessoas se comportem de um modo mais respeitoso ao ambiente? E em quanto isso aumenta as nossas ansiedades cotidianas?
Dizemos até que está se desenvolvendo um “capitalismo verde”. Partes importantes da economia global pedem uma ação política forte contra as mudanças climáticas, também como fonte para novas oportunidades de crescimento. Esses não são neo-samaritanos que agem por impulso humanitário. Porém, o consenso global sobre a proteção do clima cria novos mercados, como sempre ocorre quando um risco global é reconhecido como tal. E os princípios precavidos abraçados pelos Estados encorajam a produção com emissão zero e as tecnologias energéticas eficientes, com claras recaídas econômicas. Nesse caso, a antecipação de uma catástrofe futura pode ensinar não tanto as pessoas, mas os governos e as empresas a abrir novas estradas a serem conquistadas. Porém, há razão quando se pergunta se as pessoas estão prontas, e até que ponto, a um estilo de vida mais ambientalista. É uma pergunta ainda em aberto.

Voltemos ao risco financeiro. Como ele está minando a confiança em nós mesmos?
Procurando olhar por outro ângulo, existem dois cenários que se devem considerar. No primeiro, 2009 será “só” o ano de uma grave recessão mundial com todas as suas implicações sociais e políticas, como a radicalização de desigualdades sociais dentro e entre as nações, altos níveis de desemprego, novos tipos de lutas de classe e assim por diante. Mas o ponto central desse cenário soft é que, depois de um ou dois anos, a economia mundial irá se estabilizar, e o mundo aparecerá de novo como era antes. Pelo contrário, o segundo cenário é o seguinte: em 1989, o mundo experimentou a queda do comunismo. Vinte anos depois, o do capitalismo. A fé no livre mercado é o que fez do Ocidente o Ocidente. Em teoria, pelo menos, quanto menos intervenção do governo havia, melhor: o mantra é que os mercados sabem disso mais do que todos. Esse refrão justifica a nossa repulsão pelo comunismo, a distância filosófica com o sistema chinês e a abordagem reformista das sociedades modernas, seja em se tratando de mercado de trabalho como de universidades.
E é aqui que se coloca a fundamental dissolução da identidade e da racionalidade ocidental: poderemos confiar de novo no mercado? O que nos salvará dos seus desastres internos, senão a própria ruína? Alguns dizem isso, e seria necessário ter bom senso: banqueiros, especialistas, ministros do tesouro, os primeiros responsáveis desse caos! Mas não é como pedir a Bin Laden que organize a guerra contra o terrorismo?
A última mas não menos importante instabilidade se refere à afetividade. Há muitos anos, o senhor escreveu "Il normale caos dell´amore". Podemos dizer que as relações sentimentais também são vítimas da Risikogesellschaft?
As pessoas se casam por amor e se divorciam porque ainda o desejam. As relações são vividas como se fossem intercambiáveis, não porque queremos nos libertar do peso do amor, mas porque a lei do amor verdadeiro o exige. A batalha cotidiana entre os sexos, turbulenta ou muda, dentro ou fora do casamento, é talvez a medida mais vívida da fome de amor com a qual nos atacamos uns aos outros. “Paraíso agora” é o grito daqueles seres terrenos que encontram o paraíso ou o inferno aqui ou em nenhuma outra parte. Muitos provaram que liberdade mais liberdade não é igual a amor, mas, mais provavelmente, a algo que o ameaça. Dito isso, os enamorados não são vítimas, mas protagonistas agentes da Risikogesellschaft. O risco, a previsível catástrofe do amor, quem deseja perdê-lo?

ENTÃO É NATAL....

Neste natal, muitas coisas pedi ao Papai Noel, uma delas, é que tenhamos mais possibilidades econômicas para o Brasil e o Mundo, e que em 2009, tenhamos mais Paz Econômica e Social no Mundo.
Também, pedí que alguns "malas", sejam levados para bem longe, para que não mais atrapalhem nossas vidas com suas visões "desastrosas" das coisas.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O BRASIL E A UNIÃO EUROPÉIA : DETONADORES DE UMA NOVA ARQUITETURA GLOBAL ?

União Européia e Brasil vão se aliar nos debates sobre a criação de uma nova arquitetura financeira global na próxima reunião de cúpula do G20, o grupo das sete economias mais desenvolvidas do mundo e dos principais emergentes, que comanda as discussões sobre a crise econômica.
A reportagem é de Denise Chrispim Marin e Wilson Tosta e publicada no jornal O Estado de S.Paulo, 23-12-2008
A aliança está embasada, em princípio, na resistência a uma possível guinada conservadora nas posições sobre a reforma do sistema financeiro a serem apresentadas pela nova administração de Barack Obama, nos Estados Unidos. O encontro se dará em 2 de abril, em Londres, e será o primeiro evento multilateral no qual os EUA serão representados pelo democrata Obama, que assume a Casa Branca em 20 de janeiro.
A iniciativa arremata o posicionamento do Brasil em relação à próxima administração americana. Na semana passada, o governo brasileiro comandou a primeira Cúpula da América Latina e Caribe (CALC), da qual Cuba foi a grande estrela e na qual o Brasil, respaldado pela vizinhança, defendeu a autonomia da região em relação aos EUA. Além do conchavo entre Bruxelas e Brasília, o Plano de Ação da Parceria Estratégica UE-Brasil, anunciado ontem, prevê a criação de um mecanismo de diálogo sobre temas macroeconômicos e financeiros.
Durante o seminário empresarial sobre a parceria estratégica Brasil-UE, Nicolas Sarkozy, presidente da França e do Conselho da União Européia, insistiu que, apesar de ser "amiga e aliada" dos EUA, a Europa tem suas "convicções próprias" e autonomia para "discordar".
Minutos antes, em seu discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia frisado que a crise não pode ser resolvida com os "mesmos paradigmas" que a criaram, em uma referência aos conceitos e aos mecanismos vigentes desde a conferência de Bretton Woods (EUA), em 1944, cujas principais heranças institucionais foram o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.
Lula alertou para o fato de que Obama tomará posse com "uma responsabilidade nas costas" que poucos chefes de Estado tiveram no início do mandato e em um momento em que a economia real não deu resposta à ampla gama de medidas adotadas e de recursos injetados. Reforçou ainda sua mensagem de que o prejuízo da crise financeira "não pode ser socializado", de forma a recair sobre as economias em desenvolvimento.
"Obama vai tomar posse com uma crise da qual os EUA têm mais de 60% da responsabilidade. Só nas bolsas de valores, as ações perderam US$ 31 trilhões. Só na economia (americana) foram jogados US$ 600 bilhões. E a gente não percebe um refluxo", diagnosticou Lula.
Em seu discurso aos empresários, o líder francês apoiou-se na fala de Lula para indicar que se faz necessário debater em Londres o desmonte do "mundo dos especuladores" e o estímulo ao "mundo dos empresários".
Sarkozy foi além e defendeu a "participação do Brasil no novo modelo de governança global". Declarou que o mundo precisa de Lula no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em referência à ambição brasileira por uma cadeira permanente, que contou com o apoio de primeira hora da França. Na União Européia, no entanto, não há consenso sobre o tema.
"A Europa acredita na política do Brasil e na política do presidente Lula. Nós devemos trabalhar em conjunto. Não se trata de uma questão de escolha, mas de dever. O mundo hoje é multilateral", afirmou o presidente francês. "2008 foi o ano em que o mundo entrou no século 21. Nós não podemos aplicar as mesmas regras de governança do século 20."

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

FÉRIAS : PARA ONDE EU FOR, LÁ ESTARÁ O SOL : PARTE O1

Praia de Guarapari - ES
Inicio Hoje, meus planejamentos de viajem nestas FÉRIAS, que iniciarão no próximo dia 30/12/08.
SUGESTÃO: PRAIAS !
Quais poderei ir ? Acredito que deverei escolher entre todas aquelas que a Crise Financeira Global me deixar, ou der "chance", pois mesmo levando o presidente Lula a sério: Consumir, Comprar, (...) devo antes de tudo, seguir meu orçamento, pois ele é apertado demais para a realidade de um professor.
Então vamos à escolha.

domingo, 21 de dezembro de 2008

21 DE DEZEMBRO: SOLSTÍCIO DE VERÃO : AS CHUVAS QUE VEM !

Esta foto acima, foi tirada hoje, do Rio de Janeiro ! Parece que estamos entrando em uma estação onde o sol brilha forte, gerando muitas possibilidades de relaxamento e lucros para comerciantes e vendedores !
Mas, nem tudo são flores !
Esta imagem acima, se refere à Cidade de São Paulo no dia de Hoje, quando uma Chuva daquelas acabou por gerar muita destruição e trazer oficialmente a estação chuvosa !

Só nos resta viver para crer no que nos aguarda neste verão, pois o Brasil está sendo castigado pelas chuvas de Novembro e Dezembro, que fizeram Santa Catarina, Espírito Santo, Rio de Janeiro e agora, Minas Gerais, estarem nas páginas das notícias com as consequências das chuvas....

Então, que seja bem vindo o Verão !

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

CRISE AFETARÁ DESENVOLVIMENTO HUMANO !

O abalo causado pela crise financeira global deverá afetar o ranking do IDH, alerta o coordenador do relatório de Desenvolvimento Humano no Brasil, o economista Flávio Comim.
Ciente de que a turbulência elevará o desemprego e a pobreza e afetará os rendimentos, ele observa que países cujos avanços têm sido puxados sobretudo pelo aumento da renda per capita ficarão mais vulneráveis à crise. Entre eles, poderão estar peso-pesados como Islândia — líder do ranking e que sofreu um colapso com a crise global —, EUA, China e Índia. O impacto só será captado nos próximos relatórios, por causa da defasagem de dois anos das estatísticas analisadas.
A reportagem é de Demétrio Weber, Bruno Rosa e Letícia Lins e publicada pelo jornal O Globo, 19-12-2008.
O Brasil, na avaliação de Comim, estaria mais blindado a essas oscilações. Isso porque, elogiou, o crescimento brasileiro no ranking, apesar de lento, ocorreu nas três áreas avaliadas — educação, saúde e renda — e de forma sistemática.
O relatório de Desenvolvimento Humano divulgado ontem analisa dados de 2006, portanto anteriores à crise econômica mundial. O impacto da desaceleração só será captado nos próximos anos. O estudo a ser feito ao longo de 2009, que terá como tema a migração, usará informações de 2007 e deverá mostrar ainda pequenos impactos — a crise começou no ano passado, nos EUA.
Estagnação pode afetar programas sociais Segundo Comim, as nações ricas que surfaram na onda da bolha imobiliária, consumindo mais do que podiam com base numa falsa valorização dos imóveis, sofrerão efeitos negativos.
É o caso de EUA, que perdeu três posições no atual ranking, Reino Unido, França e Espanha. Já países que lucraram com o petróleo nos últimos anos correm o risco de queda no IDH.
— É uma questão complexa saber se a crise vai travar programas sociais pela via da estagnação econômica — disse o coordenador.
Outra indicação de quem pode ser afetado é a lista saída da atualização do PIB (Produto Interno Bruto, conjunto dos bens e serviços produzidos num país) per capita feita pelo Banco Mundial (Bird). As nações que mais oscilaram dependem muito dos ganhos de renda. A China foi atingida em cheio, com perda superior a 30%. Para 70 países, a revisão implicou queda acima de 5% no PIB per capita. Para outros 60, aumento.
Comim disse que o crescimento harmonioso nos diferentes indicadores do IDH é uma boa vacina contra os efeitos negativos da crise.
— Tem muita coisa a ser feita, mas o grau de consistência e harmonia das dimensões do IDH brasileiro é relevante em épocas com grandes flutuações — disse.
Para economistas, o IDH do Brasil pode ficar abaixo de 0,800 — o que o coloca no grupo de nações de médio desenvolvimento.
Para Geraldo Biasoto, professor da Unicamp, a queda na cotação do petróleo vai afetar a renda. Já Milko Matijascic, pesquisador do Ipea, diz que o Brasil ainda pode perder posições no ranking em 2008 e 2009.
Apesar dos números positivos no país, a pobreza ainda persiste. É o que se observa, por exemplo, em Recife, onde reside Severino Lucena, de 42 anos. Ele é analfabeto, desempregado e vive de biscate em um casebre.
— Quando chove, a casa é invadida pelas águas da lagoa — lamenta Severino.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

QUE LUGAR É ESSE ? A REALIDADE É NUA E CRUA !

Esta Imagem acima está correndo o mundo, e mostra uma realidade presente em VÁRIOS lugares.
TENTE DESCOBRIR E ENVIE SUAS DICAS !

A RESPOSTA DE LULA À "ALCA" NORTE AMERICANA - PARTE 03



A Cúpula da América Latina e Caribe (CALC), que terminou ontem, na Costa do Sauípe, na Bahia, representa o mais novo passo dos 31 países da região para afastar-se da órbita de influência dos Estados Unidos.
A reportagem é de Alexei Barrionuevo, publicada no jornal The New York Times e reproduzida pelo jornal O Estado de S. Paulo, 18-12-2008.
O evento reúne quase todos os dirigentes da América Latina e do Caribe, mas excluiu tanto os EUA quanto a Europa, e evidencia, mais uma vez, a liderança indiscutível do Brasil na América Latina.
Apesar de toda a popularidade do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, aliado dos EUA, o Brasil não conseguiu impedir os líderes de celebrar a inclusão do presidente cubano, Raúl Castro, nesse encontro. Lula também não pôde impedir que os outros presidentes aproveitassem a ocasião para atacar os Estados Unidos e a Europa por seu papel na crise econômica global, que também afeta a região.
Os Estados Unidos tornaram-se o saco de pancadas nessa cúpula. Raúl Castro não foi o único a responsabilizar os Estados Unidos e o que chamou de seu modelo “neoliberal” pela crise do crédito, que está está comprometendo muitas outras economias.
“Em meio a uma crise global sem precedentes, nossos países estão descobrindo que não são parte do problema”, disse o presidente Lula. “Eles podem e devem ser parte da solução.”
Para os analistas, a data do encontro, quatro meses antes da próxima Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, foi significativa. Esse encontro, que foi realizado pela primeira vez em Miami, em 1994, a pedido do então presidente Bill Clinton, incluirá os Estados Unidos e o Canadá, mas não Cuba.
O presidente Lula empenhou-se para deixar a Cúpula das Américas em segundo plano, enviando até aviões da Força Aérea do Brasil para garantir a presença de presidentes de países mais pobres da América Central e do Caribe. O presidente Alan García, do Peru, e Álvaro Uribe, da Colômbia, aliado incondicional dos Estados Unidos, foram os únicos chefes de Estado ausentes da reunião.
INFLUÊNCIA
“Não há dúvida que se trata de uma exclusão, de excluir os Estados Unidos”, disse Peter Hakim, presidente do grupo de pesquisa política Diálogo Interamericano, com sede em Washington. “O Brasil está demonstrando um enorme poder de influência.”
Com a ascensão da China como principal destino exportador e a recente visita do presidente russo, Dmitri Medvedev, para cortejar os líderes latino-americanos, já são mais freqüentes os sinais de que os Estados Unidos se tornam um protagonista cada vez mais distante nos assuntos da região, disse Riordan Roett, diretor do programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade John Hopkins.
“Os Estados Unidos não são mais, e jamais serão novamente, o maior interlocutor dos países da região”, disse Hopkins.
Um a um, os presidentes saudaram a inclusão de Cuba, demonstrando sua frustração com as tentativas americanas de excluir Cuba de deliberações similares no âmbito do hemisfério sul, segundo Michael Shifter, vice-presidente do Diálogo Interamericano.
Muitos dos líderes presentes, incluindo o presidente Lula, pediram o fim do embargo americano a Cuba. “Este é mais um passo para garantir que Cuba ocupe seu lugar de direito na região e em todo o mundo”, disse Bruce Golding, primeiro-ministro da Jamaica.
Mas, mesmo com os líderes latino-americanos falando de seu poder coletivo e de sua unidade crescente, as tensões regionais ficaram evidentes.
DESUNIÃO
O atrito entre Equador e Brasil é um exemplo, com a expulsão pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, de executivos da construtora brasileira Odebrecht e com o questionamento do empréstimo feito pelo poderoso Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financia projetos de obras públicas na América Latina.
Essas disputas, contudo, podem ter mais a ver com o perfil de potência regional do Brasil à medida que suas empresas multinacionais competem de modo mais agressivo por negócios além das fronteiras brasileiras.
Apesar disso, o presidente Lula tem sido um especialista em apaziguar as tensões pela diplomacia, enquanto que a diplomacia de Washington tem se tornado ineficaz em boa parte da região.
“Lula é um líder que pratica a política do abraço forte, achando que todos os problemas podem resolvidos com um gesto caloroso”, disse Larry Birns, diretor do grupo de pesquisa do Council of Hemispheric Affairs, com sede em Washington.

A CRISE : RUMOS E VERDADES !

"A crise mundial é uma crise histórica, ou seja, daquelas que, superadas, dão origem a novas configurações culturais, econômicas e políticas. Todos concordaram que se tratava da maior queima de valores da experiência capitalista", escreve Carlos Lessa, professor-titular de economia brasileira da UFRJ, em artigo publicado no jornal Valor. 17-12-2008.
Eis o artigo.
Por iniciativa de Roberto Requião, se realizou de 7 a 11 deste mês, em Curitiba, o seminário "Crise: Rumos e Verdades", que reuniu quase 40 especialistas, sendo 20 brasileiros e os demais argentinos, equatorianos, venezuelanos, ingleses, italianos, russos, mexicanos e alemães. Quero destacar alguns pontos quase consensuais entre os participantes.
A crise mundial foi considerada uma crise histórica, ou seja, daquelas que, superadas, dão origem a novas configurações culturais, econômicas e políticas. Todos concordaram que se tratava da maior queima de valores da experiência capitalista.
Uma bolha se forma sob certas condições e cresce até se romper. A do subprime pareceu alimentar, no seu interior, uma construção quase impossível, onde, sob uma base de US$ 60 trilhões da soma dos PIBs de todos os países do mundo, se ergueu uma estrutura financeira com US$ 130 bilhões de ativos financeiros primários e US$ 540 trilhões de derivativos. Se supusermos a economia real a base sob a qual se construiu um "castelo de cartas", de múltiplos andares, grande complexidade, circulação rápida por caminhos "normais" e por estranhos percursos negociados com o nome genérico de "produtos". Protegidas pela bolha, as cartas do edifício eram coladas pela sólida confiança do sistema financeiro mundial. A dissolução da bolha é acompanhada pela desmontagem do edifício, onde a "supercola" da confiança é substituída pela desconfiança recíproca e pela preferência pela liquidez. As cartas que vão caindo são ativos financeiros que se carbonizam.
Tudo leva a crer que continuarão a cair valores e não há previsão de quando se encerra este processo autofágico. A bolha, ao explodir, atinge todas as economias do espaço-mundo. No Brasil, inspirou ampliação das remessas das filiais para as matrizes aflitas; realização de aplicações de estrangeiros em valores brasileiros, gerando pressão cambial; desabamento do preço das commodities brasileiras; crise de crédito para bancos e grandes empresas que compunham funding com empréstimos de bancos do exterior.
Nossa moeda vive um momento de intensa volatilidade e torna impossível o cálculo econômico. A solvência de empresas brasileiras está abalada por grandes perdas. Sadia, Aracruz Celulose e Grupo Votorantim, por alguns balanços já divulgados, registram perdas dos lucros do balanço operacional dissipadas por perdas não-operacionais derivadas de jogos financeiros. Este parece ser também o caso da CSN. Na crise da agricultura do Centro-Oeste, há uma forte componente com perdas especulativas no jogo de derivativos ligado ao mercado de futuros. Em resumo, a súbita inversão da taxa de câmbio impôs prejuízo às empresas que apostavam na valorização do real. Pela versão interna de crise de crédito, houve uma brutal elevação de juros; o capital de giro para empresas subiu de 2,02% ao mês para 3,20% ao mês; o empréstimo pessoal atingiu 6,15% ao mês; o cheque especial pratica 9,24% ao mês. Continuamos, pela última decisão do Copom, campeões mundiais da taxa de juros real. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, em 17/11, declarou: "Estes juros que estão sendo cobrados são um catalisador para a crise". Com lentes diferentes, Fábio Barbosa, presidente da Febraban, afirma, em 26/11, que "o mercado está, pouco a pouco, retomando sua normalidade".
O Brasil, hoje, dispõe de alguns recursos estratégicos para lidar com a crise. O principal deles são os US$ 200 bilhões de nossas reservas cambiais. Paira, entretanto, sobre este escudo, uma caixa-preta. Prevalece uma forte obscuridade em relação às articulações entre as empresas no Brasil e o cenário financeiro mundial - e é especialmente opaca nossa relação com SPEs, paraísos fiscais e derivativos intermediados por bancos estrangeiros. Dado o tamanho do passivo externo líquido superior a US$ 500 bilhões, não estamos a salvo de um ataque especulativo ao real. Deveríamos centralizar todas as operações cambiais no Banco do Brasil, dando um prazo para que todas as entidades (empresas ou pessoas físicas) registrassem seus haveres e deveres em moedas estrangeiras e participação em operações com derivativos. O Banco Central administraria um orçamento cambial realista. Esta seria a nossa operação de desrespeito ao Consenso de Washington. Na perspectiva brasileira, a crise da globalização instala um clima de economia de guerra e o nosso escudo protetor de US$ 200 bilhões é essencial para o futuro da nação.
De longa data, o devedor pessoa física é o preferido pelos bancos; tanto no pagamento de carnês de compras a prestação como nos cartões, é bom pagador. Assume o débito pelo valor da prestação, aceita a tabela price e não considera o juro implícito na prestação (como vimos, paga no crédito especial 9,24% ao mês). Os bancos operam crédito a pessoa física com o risco reduzido, em especial pela modalidade de crédito consignado ou desconto em folha. A família popular com baixa renda é ótima pagadora, pois percebe no estigma do SPC veto à acumulação patrimonial. O bem de consumo durável ocupa duplo espaço de patrimônio e objeto doméstico; qualquer família pobre sabe que seu eletrodoméstico é sua garantia num momento de dificuldade financeira. Este devedor pobre, muitos sem renda fixa, participou da expansão acelerada de endividamento. Sua propensão a se endividar foi estimulada pelo aumento de renda e sensação de segurança e progresso derivada da Bolsa Família e da queda de preço de alimentos em 2005-6.
Esta situação inspira preocupação em José Castro, vice-presidente da AEB: "Se houver prolongamento da recessão internacional, o impacto no emprego poderá elevar a inadimplência, determinando um ciclo negativo na economia brasileira. (...) Nos últimos anos, o crédito no mercado interno cresceu a taxas elevadíssimas. Se houver demissões, além da retração interna, teremos problemas sérios. Crédito consignado tem prazo longo e, se houver explosão de inadimplência, poderemos ter um subprime tupiniquim". Creio que Castro olha com temor o financiamento de veículos em 90 prestações sem entrada.
O seminário registrou, com preocupação, a existência de uma bolha tupiniquim, pequena em relação à crise da globalização, mas com repercussões muito perversas no corpo social brasileiro. A prevenção passa por reassumir os controles sobre os mecanismos da política econômica. Como bem advertiu César Benjamin: "É melhor estar preparado para piores cenários do que ser surpreendido por eles".

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O CASO DA "SAPATADA" DO IRAQUIANO NO PRESIDENTE GEORGE W. BUSH !

A imagem abaixo, correu pelo mundo, e até virou GAME, tente jogar, é divertido, é uma brincadeira muito gratificante :
Acredito que não foi apenas o IRAQUIANO, que desejou e atirou um "sapato" no Bush, o único que quis fazer isso !
O Mundo todo deseja o FIM, deste governante que mais fez do mal sua arma de governo, do que o bem !

AGORA, REGISTRE Aquí em quem gostaria de atirar seus 'SAPATOS', ou quem mereceria receber uma sapatada como repúdio à situação GLOBAL, NACIONAL, REGIONAL E LOCAL ?

Eu atiraria uma sapatada na Fome ! Quem sabe, ela sairia de cena, e o mundo seria mais humano e não veríamos mais crianças e adultos pedintes por aí...

Eu atiraria uma sapatada na Corrupção ! Inclusive, naqueles que estão se beneficiando da bondade dos outros, aproveitando as doações em benefício às vítimas das enchentes em Santa Catarina , para interesses próprios !

Eu atiraria uma sapatada na Corrupção em todos os níveis, inclusive, nos próprios autores de cada processo já em curso em minha Cidade, estado e País, agora, também, nos escândalos do MADOFF, que está deixando países como o Brasil, no chinelo...

Eu atiraria uma sapatada naquelas pessoas que tem o poder nas mãos, como o Bush, e usam em benefício particular ou de um pequeno grupo, deixando de lado aqueles que mais precisam...

Eu atiraria uma sapatada no descaso com aqueles que precisam de atendimento nos hospitais, afinal, saúde dos outros, não pode ser considerada prêmio individual, mas dignidade....

Eu atiraria uma sapatada na infelicidade...

Eu atiraria uma sapatada na pobreza,

Eu atiraria uma sapatada naqueles que em nada levam a sério as causas e consequências do aquecimento global, pois para eles, o lucro com relação ao meio ambiente é mais importante, então, sapatada neles....


E VOCÊ, EM QUEM ATIRARIA UMA SAPATADA ?

A RESPOSTA DE LULA À "ALCA" NORTE AMERICANA - PARTE 02

Em dezembro de 2008 - ontem, mais exatamente - o chanceler brasileiro Celso Amorim descreveu a cúpula América Latina-Caribe, que se realiza amanhã na Bahia, como uma espécie de a América Latina (mais o Caribe) para os latino-americanos.
A reportagem é de Clóvis Rossi e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 16-12-2008.

A frase de Amorim foi exatamente esta: "É inacreditável que seja necessário, nesses 200 anos (após as independência dos países latino-americanos; ou menos no caso do Caribe), que os países da região tenham que se reunir na presença de poderes externos". E mencionou EUA, Espanha e Portugal como os "poderes externos".
Se Monroe fez de sua doutrina um libelo contra a colonização européia, Amorim fez questão de não ser contra ninguém. "Queremos boas relações com os Estados Unidos, mas a cúpula revela a maturidade no relacionamento entre países de diferentes matizes ideológicos na América Latina e no Caribe, o que sempre produz ganhos no relacionamento com os outros países do continente", afirmou.
O chanceler também disse não ser "desejável" nem "possível" que os EUA recuperem a hegemonia no subcontinente -"eles não querem".
O problema para essa visão integracionista da região é que ela não tem sido capaz de resolver problemas básicos na área econômico-comercial, do que dá testemunho o próprio Amorim. Na fala com que abriu, ontem pela manhã, outra cúpula regional (a do Mercosul), sem saber que ela estava sendo transmitida para a sala de imprensa, a três quilômetros do local da cúpula, Amorim confessou "duas frustrações".
A primeira foi o fato de que não se conseguiu acordo para eliminar a dupla cobrança da TEC (Tarifa Externa Comum). A proposta na mesa - que tanto o Itamaraty como a Chancelaria argentina chegaram a dar como aprovada - previa eliminar, numa primeira etapa, as tarifas mais baixas (2%, 4% e 6%), e só depois as mais altas.
A TEC é a tarifa que caracteriza uma união aduaneira, um passo adiante em matéria de integração, em relação a uma área de livre comércio. Nesta, os países-membros zeram as tarifas de importação entre eles. Na união aduaneira, cobram a mesma tarifa para importações dos não-membros, mas cobram uma vez só.
Hoje, um prego que entre no Brasil paga a TEC do Mercosul, mas se for reexportado para, por exemplo, o Paraguai, volta a pagá-la.
Paraguai
A União Européia "joga sempre na nossa cara", como disse Amorim, que é preciso eliminar essa duplicidade para poder avançar na negociação de um acordo comercial entre blocos.
O Paraguai, no entanto, opôs-se à eliminação, porque, segundo Amorim, trata-se para ele de uma receita importante. A maneira de superar a oposição paraguaia era aprovar também um Código Aduaneiro, que redirecionaria receitas para os países prejudicados (no caso, os menores, Paraguai e Uruguai).
Os paraguaios não se convenceram, pois o Brasil, como maior importador, ficaria com a maior parte da receita inicial. "Se os recursos entrassem primeiro no orçamento deles, para depois ser repassado ao nosso, eu também não aceitaria", disse Amorim.
O malogro na aceitação do Código Aduaneiro foi a segunda frustração do ministro, mas o som e a imagem de sua fala já haviam sido cortados na sala de imprensa -os jornalistas só ficaram sabendo depois, em entrevista coletiva do chanceler.
A eliminação da TEC acabou adiada para uma reunião extraordinária de ministros do Mercosul, no início do ano. Enquanto ela não acontece, Amorim acena com a hipótese de elevar a TEC do Mercosul como uma espécie de retaliação pelo fracasso da Rodada Doha de liberalização comercial, que deveria estabelecer a redução dos subsídios dos países ricos a seus produtores agrícolas.
Para Amorim, a "hibernação" de Doha, como ele a chamou, "provoca total insegurança inclusive sobre subsídios", o que levou a "demandas pontuais" pela elevação da TEC, que estão em análise. "Não vamos ficar inermes ante medidas desleais de comércio", completou.
Para compensar as "frustrações", Amorim vendeu aos jornalistas uma lista de nove pontos em que houve acordo na cúpula do Mercosul, da aprovação de um fundo de garantia (US$ 100 milhões) para financiar pequenas e médias empresas até a decisão dos países do bloco de absorver as exportações de têxteis da Bolívia que iam para os EUA, até que Evo Morales rompeu o acordo com Washington.
Não deixa de ser uma medida concreta para dar ossatura à retórica de a América Latina para os latino-americanos.

domingo, 14 de dezembro de 2008

AI-5 40 ANOS DEPOIS: SÓ NOS RESTA ESQUECER !

Se não bastasse o estabelecimento de um regime militar no Brasil, durante o governo de Arthur da Costa e Silva (1967 a 1969) o país conheceu o mais cruel e famoso dos 17 Atos Institucionais: o AI-5. Instituído há exatos 40 anos, em 13 de dezembro de 1968, ele serviu como um instrumento que concedeu aos militares poderes absolutos, e legitimou os atos de tortura realizados até o momento. O mais abrangente e autoritário de todos os atos institucionais revogou os dispositivos constitucionais de 1967 e suspendeu os direitos políticos dos cidadãos. Até 31 de dezembro de 1978, o país mudou profundamente e tenta até hoje restabelecer de maneira sólida a democratização.

Para entender esse período, às vezes esquecido, da história brasileira, a IHU On-Line conversou com algumas pessoas que vivenciaram esse momento lamentável.
A reportagem é de Patrícia Fachin.
Há 40 anos, o doutor em História e docente da Unisinos,
Solon Viola, preparava-se para morar em Porto Alegre e participar do Movimento dos Estudantes Secundaristas. Segundo ele, o AI-5 apressou sua mudança para a capital e, a partir desse momento, afirma “passei a viver em um estreito limite entre a vida legal e a clandestina”.
Laurício Neumann, doutor em Educação e professor na mesma universidade, na época cursava o primeiro ano de Filosofia e participava do Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia Nossa Senhora da Imaculada Conceição (FAFIMC), de Viamão. Para ele, a notícia da instituição do AI-5 não foi nenhuma surpresa, pois vários colegas já estavam presos por terem participado do Congresso da União Nacional de Estudantes
(UNE), em Ibiúna, São Paulo (1968), e pelo envolvimento com outras atividades consideradas subversivas. No dia 13-12-1968, lembra, “ainda estava na faculdade, preparando-me para passar o Natal e o Ano Novo com a família, no interior, em São Paulo das Missões. Pode parecer estranho, mas recebi a notícia do AI-5 com certa indiferença, pois, na verdade, ele veio tão somente legitimar aquilo que o regime já vinha fazendo com muita crueldade, desde o dia 31 de março de 1964, com o golpe militar contra João Goulart (Jango)”.
“O AI-5 caiu como uma bomba”
Doutor em Sociologia, pela Université de Toulouse-Le-Mirail, da França, o atual professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),
Ivo Lesbaupin, na época estudante dominicano e morador do Convento das Perdizes, diz que “o decreto do AI-5 caiu como uma bomba”. Para ele, “a suspensão das garantias constitucionais e o fechamento do Congresso era um aviso de que a repressão ia recrudescer, que a ditadura ia se aprofundar”. E assim foi: o autoritarismo militar excedeu todos os parâmetros de civilidade e instalou barbárie na sociedade, conta Solon Viola. “O AI-5 abandonava qualquer traço de justiça civilizatória que a humanidade vinha (e ainda continua) buscando ao longo de sua história e reconstruía na América do Sul a tragédia vivida na Alemanha nas décadas de 1930 e 1940”, aponta.
Embora vivessem sob a linha dura da ditadura militar, até a imposição do AI-5, algumas liberdades eram mantidas e a imprensa ainda podia se manifestar. “A partir de então, a censura se estabeleceu, as prisões políticas se multiplicaram e a tortura se tornou uma prática sistemática nos interrogatórios”, recorda Lesbaupin. O AI-5 eliminou a participação democrática, “instituiu a tortura como prática cotidiana do terror do Estado sobre a população e montou uma máquina publicitária da qual a mídia eletrônica se transformava no principal veículo de divulgação”, assegura o professor de Direitos Humanos e Democracia na América Latina Solon Viola. O AI-5 suspendeu as garantias constitucionais, autorizou a prisão de líderes políticos, estudantis, religiosos, sindicais. Além disso,
ocorreram mortes e alguns exilados nunca mais foram encontrados.
Com o AI-5 veio a pena de morte
Ex-integrante da equipe editorial do Jornal Mundo Jovem e do Setor Regional de Juventude, da CNBB Sul-III, Laurício Neumann lembra que com o AI-5, veio o AI-14/69, que instituiu a prisão perpétua e a pena de morte, para todos aqueles que atentassem contra o regime. “Como se não bastasse, o presidente ditador baixou o Decreto Lei nº 69.534, de 11/11/70, permitindo ao presidente da República assinar decretos secretos.” Assim, todos os cidadãos estavam sob suspeita e corriam o risco de serem perseguidos, presos e torturados. Neumann sofreu essa experiência e as recordações desse trágico momento ainda o comovem e certamente serão carregadas pelo resto da vida. “Sabia que, cedo ou tarde, a minha vez chegaria”, disse ele à IHU On-Line. “Fui preso no dia 2 de setembro de 1970, ao sair da Faculdade de Filosofia Nossa Senhora da Imaculada Conceição (FAFIMC), de Viamão, e ao dirigir-me para o centro da cidade, onde morava com mais dois colegas filósofos. A polícia civil e militar cercou o quarteirão e se instalou dentro do quarto da pensão onde morávamos. Caímos numa cilada.” Segundo ele, não existem palavras para descrever as sessões de torturas, mas “filmes como
Tropa de elite e Batismo de sangue conseguem mostrar um pouco da selvageria de que o ser humano é capaz em termos de crueldade com o outro”, compara.
Uma página virada?
Com a economia em ascensão, a ditadura representou para muitos brasileiros um momento fascinante, pois emprego e dinheiro não faltavam no país. “Enquanto o crescimento econômico, possibilitado pelo ingresso abundante do capital externo, pelo acesso à energia barata e pelo intenso arrocho salarial feito sobre trabalhadores amordaçados, foi capaz de beneficiar setores das elites econômicas, o governo militar pôde manter a política repressiva”, diz Solon. E dispara: “Logo que a crise econômica se fez anunciar rompeu-se a unidade e o próprio Estado percebeu que era urgente recolocar sob seu comando os organismos de repressão. O surpreendente é que no fim da longa noite de trevas a sociedade ressurgiria organizada em movimentos sociais a favor da vida e da liberdade”.

17 Atos Institucioinais
Com a desculpa de combater a “corrupção e a subeversão”, o governo decretou 17 Atos Institucionais após o Golpe militar de 1964. Eles serviram como mecanismos para legalizar e legitimar as ações políticas dos militares, estabelecendo diversos poderes extra-constitucionais. Sem os Atos, a Constituiçao de 1946 tornaria inexecutável o regime militar. De 1964 a 1969 foram decretados todos os atos regulamentados por 104 atos complementares.
Ordens impostas pelo AI-5• Fechou o Congresso Nacional por prazo indeterminado; • Decretou o recesso dos mandatos de senadores, deputados e vereadores. Estes ainda continuaram a receber parte fixa de seus subsídios; • Autorizou, a critério do interesse nacional, a intervenção nos estados e municípios; • Tornou legal legislar por decreto-lei; • Autorizou, após investigação, decretar o confisco de bens de todos quantos tenham enriquecido, ilicitamente, no exercício de cargo ou função pública, inclusive de autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista, sem prejuízo das sanções penais cabíveis; • O presidente da República, em qualquer dos casos previstos na Constituição, poderá decretar o estado de sítio e prorrogá-lo, fixando o respectivo prazo; • Suspendeu a possibilidade de qualquer reunião de cunho político; • Recrudesceu a censura, determinando a censura prévia, que se estendia à música, ao teatro e ao cinema de assuntos de caráter político e de valores imorais; • Suspendeu o habeas corpus para os chamados crimes políticos.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

EM TEMPO DE CRISE: ALTERNATIVAS : PARTE 04

Na opinião da pesquisadora Silvia Ribeiro, desde trinta anos atrás, as empresas Monsanto, Dupont, Syngenta, Basf, Bayer, Dow, Cargill, Bunge, Louis Dreyfus e ADM “conseguiram que se fizessem políticas nacionais e internacionais em seu favor para expandir a agricultura industrial e química, somente para obter lucros controlando o mercado de sementes, insumos e distribuição, criando dependência e pobreza”. E continua: “São causadoras de um percentual muito alto das crises ambientais, climáticas e alimentares. Porém, todas tiveram lucros recordes graças às crises (de 40% a 110% a mais do que em anos anteriores). Ganham em todos os cenários, porque podem manipular os preços e a oferta de grãos, seja para a alimentação ou para os agrocombustíveis”.

Na entrevista exclusiva que aceitou conceder por e-mail para a IHU On-Line, Silvia afirma que, “na maioria dos casos, os agrocombustíveis têm uma equação energética negativa: usam mais combustíveis fósseis para sua produção e processamento do que os que dizem que vão substituir. Ou seja, pioraram o aquecimento global. Além disso, em todos os casos competem com a produção alimentar, seja pelo próprio cultivo, ou pela disputa por água e por terra”. No entanto, para ela, a solução “não virá nunca a partir de cima, mas somente será possível pela organização e a luta a partir das bases da sociedade”.
Silvia Ribeiro é pesquisadora e coordenadora de programas do Grupo ETC, com sede no México, grupo de pesquisa sobre novas tecnologias e comunidades rurais. Ela tem ampla bagagem como jornalista e ativista ambiental no Uruguai, Brasil e Suécia. Silvia também produziu uma série de artigos sobre transgênicos, novas tecnologias, concentração empresarial, propriedade intelectual, indígenas e direitos dos agricultores, que têm sido publicados em países latino-americanos, europeus e norte-americanos, em revistas e jornais, bem como vários capítulos de livros. Ela é membro da comissão editorial da Revista Latino-Americana Biodiversidad, sustento y culturas, e do jornal espanhol Ecología Política, entre outros.

Silvia Ribeiro: O consumo excessivo e injusto é intrínseco à lógica capitalista
Por: Graziela Wolfart, 09/12/2008
IHU On-Line - Como a produção de transgênicos contribui para a crise ambiental e também para o caos econômico? Existe alguma relação nesse sentido?
Silvia Ribeiro - O cultivo de transgênicos é um dos maiores mitos da indústria agrícola: desde o início de seu desenvolvimento na década de 1980, prometiam que terminariam com a fome no mundo e seriam benéficos para o meio ambiente ao usar menos produtos químicos, porém nada disso se cumpre na realidade. Começaram a ser comercializados em 1996, nos Estados Unidos. Porém, há mais de uma década, as próprias estatísticas do Departamento de Agricultura daquele país e estudos recentes das universidades de Kansas e Nebraska mostram que o rendimento é menor ou igual ao das sementes híbridas, porém a semente é mais cara, motivo pelo qual o produtor tem uma margem de lucro menor. Também usam um volume muito maior de agrotóxicos, em parte pelo fato de que mais de 80% dos transgênicos são manipulados para resistir a herbicidas e em parte porque o resto, os chamados cultivos Bt, são manipulados para serem cultivos inseticidas. No entanto, geram resistência nas pragas que querem combater e, em pouco tempo, necessitam mais agrotóxicos, cada vez mais fortes. Isso tem fortes impactos sobre os cursos d’água, provoca a degradação dos solos (ao eliminar microorganismos e cobertura vegetal que lhe dão fertilidade naturalmente), a biodiversidade etc.
Concentração corporativaAlém disso, a produção de transgênicos agrícolas é o paradigma de concentração corporativa mais extremo da história da agricultura. Somente seis empresas controlam todo o mercado mundial e uma só, a Monsanto, retém 88% do mercado mundial. As três maiores empresas de transgênicos – Monsanto, Syngenta, Dupont - são também as que têm a maior porcentagem do mercado de sementes comerciais em geral (não só transgênicas): juntas, controlam quase a metade (47%) do mercado mundial de sementes sob propriedade intelectual. As mesmas empresas, proprietárias da maior parte das sementes híbridas (que têm maior rendimento do que os transgênicos), só querem vender transgênicos porque estão patenteados. Isso lhes permite um aumento de controle sobre os produtores, por converter num delito o direito dos agricultores a guardarem parte de sua própria colheita para usá-la como semente na próxima semeadura. Complementarmente, a contaminação transgênica, inevitável ao estar em campo aberto – principalmente em cultivos de polinização aberta como o milho – significa, para eles, que as vítimas da contaminação devam pagar-lhes por “uso indevido” de seus genes patenteados. No caso dos híbridos, embora alguns estejam patenteados, não podem rastrear a “contaminação” porque os genes existem naturalmente nas plantas, diferente dos transgênicos, que contaminam com genes de outras espécies.
Transgênicos: um golpe à soberania alimentarEm suma: os transgênicos significam maior contaminação ambiental e um aumento da agricultura industrial das transnacionais, que avançam às custas do deslocamento de outras formas de agricultura (camponesa, familiar) e/ou sobre áreas de grande biodiversidade. São um golpe à soberania alimentar e avançam na destruição de formas de agricultura que são a resposta real às crises alimentares e climáticas. Monsanto, Dupont, Syngenta, Basf, Bayer, Dow, que são as multinacionais que controlam os transgênicos e os agrotóxicos no mundo, estão ligadas ao oligopólio dos que controlam a compra e distribuição de cereais: Cargill, Bunge, Louis Dreyfus, ADM. Todas estas empresas, que, desde trinta anos atrás, conseguiram que se fizessem políticas nacionais e internacionais em seu favor para expandir a agricultura industrial e química, somente para obter lucros controlando o mercado de sementes, insumos e distribuição, criando dependência e pobreza, são causadoras de um percentual muito alto das crises ambientais, climáticas e alimentares. Porém, todas tiveram lucros recordes graças às crises (de 40% a 110% a mais do que em anos anteriores). Ganham em todos os cenários, porque podem manipular os preços e a oferta de grãos, seja para a alimentação ou para os agrocombustíveis.

IHU On-Line - Como podemos entender que as novas tecnologias focalizam em novas formas de prejudicar o meio ambiente e de produzir cada vez mais riqueza para os mais ricos?
Silvia Ribeiro - O principal objetivo é o segundo. A destruição ambiental é uma “externalidade” que eles transferem a toda a sociedade, mas através da qual também pretendem obter novos lucros. A inovação tecnológica sempre foi um motor básico do capitalismo para obter ganhos extraordinários diante dos competidores. Nesta lógica, não se trata de inovar para beneficiar a sociedade, mas para aumentar os lucros dos inversores. No caso dos transgênicos, como quase todas as empresas de sementes foram compradas por empresas fabricantes de produtos químicos nas últimas décadas, a “inovação” focou no aumento da dependência com os agroquímicos e na eliminação das possibilidades de os agricultores terem suas próprias sementes. Embora as sementes sejam um mercado pequeno no contexto geral das indústrias alimentares, elas são a chave de toda a rede alimentar e, ademais, ninguém pode viver sem comer e assim isso é um elemento-chave para obter o controle.

IHU On-Line - Os agrocombustíveis são uma solução ambiental amigável?
Silvia Ribeiro - A nova onda de agrocombustíveis industriais são uma das piores ameaças ao ambiente e aos camponeses ou pequenos agricultores. Segundo o informe Stern, do governo do Reino Unido, sobre a alteração climática, a agricultura industrial é responsável em 14% pelas emissões de gases de efeito estufa e em 18% pela mudança do uso do solo (pela ampliação da fronteira agrícola e pelo desmatamento, entre outros fatores). Os combustíveis agroindustriais promovem o aumento destes fatores, grandes causadores da alteração climática. Como demonstraram numerosos estudos (inclusive de instituições como o Banco Mundial e a Organisation for Economic Co-operation and Development-OECD), na maioria dos casos, os agrocombustíveis têm uma equação energética negativa: usam mais combustíveis fósseis para sua produção e processamento do que os que dizem que vão substituir. Ou seja, pioraram o aquecimento global. Além disso, em todos os casos competem com a produção alimentar, seja pelo próprio cultivo, ou pela disputa por água e por terra. Em outros casos, avançam sobre áreas naturais de grande diversidade, as quais também são fatores de grande importância para frear a alteração climática. E, como supostamente não são visados para uso alimentar, usam uma quantidade muito maior de agrotóxicos. Recebem, além disso, enormes subsídios econômicos dos governos do Norte, e enormes subsídios em mão-de-obra barata ou semi-escrava no Sul.

IHU On-Line - Qual a influência dos agrocombustíveis no preço dos alimentos e na crise financeira internacional? Qual sua opinião sobre o forte investimento dos fundos financeiros especulativos na produção de agrocombustíveis?
Silvia Ribeiro - Segundo um informe do Banco Mundial, elaborado em abril de 2008 (que era secreto, mas foi revelado pelo jornal The Guardian em 04-07-2008), a produção dos agrocombustíveis é responsável em até 75% pelo aumento do preço dos alimentos. Segundo este informe, houve três fatores primários que, em efeito dominó, provocaram essa elevação de preços e a mantêm. Primeiro: os grãos para a produção de combustíveis foram desviados da produção alimentar. Um terço da produção de milho nos Estados Unidos é usado para o etanol em lugar dos alimentos. A Europa está utilizando a metade dos óleos vegetais que produz ou importa para produzir biodiesel. Segundo: o estímulo aos agricultores para que dediquem mais terra aos agrocombustíveis, às custas da terra dedicada a produzir alimentos. Terceiro: a produção dos agrocombustíveis abriu um excelente terreno para o forte investimento dos fundos financeiros especulativos, causando mais aumento de preços. Os fundos especulativos (hedge funds) saíram do setor imobiliário em crise nos Estados Unidos e entraram agressivamente na compra de estoques presentes e futuros de grãos, puxando a elevação dos preços como parte das apostas financeiras. Mais de 60% das reservas e da produção futura de milho, trigo e soja foram comprados por este tipo de fundos, com a intenção de vendê-los, seja para combustíveis ou para alimentos, segundo o preço mais alto do mercado. Mesmo agora, na débâcle da crise financeira, conservam um papel importante nestes setores, embora tenham começado a vender parte de suas inversões. Porém, o anúncio de Barack Obama de que vai apoiar todas as fontes de energia que signifiquem menor dependência do petróleo lhes assegura que poderão continuar lucrando com este setor. Ao invés de inverter em capital produtivo, a função dos fundos especulativos afiançados durante o apogeu do neoliberalismo é fazer mais dinheiro a partir de dinheiro. Neste sentido, são fundos perversos em si mesmos, são diretamente criminosos ao apoderar-se do setor agrícola e alimentar, do qual todos dependemos.

IHU On-Line - Que relação a senhora estabelece entre os agrocombustíveis e as mudanças climáticas? Quais os principais riscos ao meio ambiente provocados pela produção de combustíveis?
Silvia Ribeiro - Como expliquei, os combustíveis agroindustriais pioraram a alteração climática, além de promover muitos outros efeitos negativos sobre a soberania alimentar, a biodiversidade, a contaminação de solos e água, o desmatamento de florestas e outros ecossistemas naturais. Segundo os dados do informe Stern, a agricultura industrial e a mudança do uso dos solos são fatores muito maiores de mudança climática do que o transporte, que causa uns 14%. Os combustíveis agroindustriais propõem aumentar todos estes fatores, dizendo que serão uma “solução”. Estabelecem, além disso, novos riscos ambientais e econômicos a partir das chamadas segundas e terceiras gerações de agrocombustíveis. As empresas estão tratando de tirar vantagem de seus competidores a partir do uso de novas tecnologias para a produção de agrocombustíveis, teoricamente para torná-los mais eficientes e menos dependentes do petróleo. Para isso, impulsionam agressivamente novos transgênicos que tolerem ainda mais aditivos químicos ou os tornam mais fáceis de serem processados para etanol e biodiesel.
Alguns exemplos: Cargill e Monsanto formaram a empresa Renessen para produzir soja e milho transgênicos para agrocombustíveis, e Monsanto e Basf investiram 1500 milhões de dólares para desenvolver novos transgênicos em soja, milho, canola e algodão, fundamentalmente para agrocombustíveis. Syngenta trabalha com institutos de investigação e com grandes produtores brasileiros para desenvolver cana-de-açúcar e beterraba transgênicas. Monsanto e Dow anunciaram uma variedade de milho resistente a oito herbicidas mais o gene Bt. Também se pretende acelerar a produção de combustíveis a partir de celulose, o que até agora não é possível devido à sua baixíssima eficiência energética. Para isso, a proposta é usar micróbios manipulados a partir da biologia sintética, isto é, com genes artificiais construídos em laboratório, ou inclusive microorganismos vivos totalmente artificiais que acelerem o processamento de combustíveis. Isto se soma aos impactos dos transgênicos os novos riscos de formas de vida artificiais, das quais não se pode prever que impacto terão se chegarem a liberar-se intencional ou acidentalmente na natureza.
Biologia sintética e vida artificialHá toda uma série de novas empresas de biologia sintética (por exemplo, Amyris Biotechnology, Athenix, Codexis, LS9, Mascoma, Metabolix, Verenium, Synthetic Genomics), que, associadas a grandes petrolíferas (Shell, BP, Marathon Oil, Chevron) e a ADM, Cargill, Bunge, Louis Dreyfuss, Monsanto, Syngenta, Dupont, Dow, Basf, entre outras, tentam criar uma nova plataforma econômica e tecnológica usando vida artificial construída em laboratório. Amyris Biotechnology firmou contratos com Crystalsev e com Votorantim para este tipo de desenvolvimentos a partir de cana-de-açúcar e outros cultivos, inclusive árvores. A maioria destes investimentos dirige-se à criação de agrocombustíveis, criando toda uma série de novos impactos ambientais. A demanda de terras para estes novos desenvolvimentos (extensões ainda maiores de monoculturas de soja, milho, cana-de-açúcar, mamona, eucalipto) compete diretamente com a produção alimentar e de pequena escala e promove maior especulação com a terra.

IHU On-Line - O que fazer para acabar com o apoio às próximas gerações de agrocombustíveis e combater essa cultura em nossa sociedade?
Silvia Ribeiro - Outro efeito perverso dos combustíveis agroindustriais é que não combatem as causas dos problemas; antes as pioram. Não questionam a matriz do uso da energia, porém pretendem manter o atual consumo e aumentá-lo. Para começar, é preciso questionar radicalmente a matriz do uso energético em todos os seus aspectos, a qual é profundamente injusta do ponto de vista social. Esta crítica implica, por exemplo, questionar e mudar o uso de combustíveis fósseis e derivados na agricultura e nos transportes, questionar o crescimento urbano selvagem, e eliminar os transportes usados para centralizar a produção agrícola.

IHU On-Line - Que combustível alternativo a senhora sugere como ideal?
Silvia Ribeiro - Há muitas alternativas energéticas baseadas no uso de fontes renováveis, mas, quando são aplicadas em escala massiva e com altas tecnologias, também favorecem fundamentalmente as transnacionais e mantêm a injustiça social. Por isso, devem ser alternativas locais, descentralizadas e em mãos de comunidades, e necessariamente serão muito diferentes segundo as condições de cada localidade e região. A alternativa em agricultura e alimentação é a soberania alimentar, baseada na produção agrícola local e de pequena escala, camponesa, diversa e descentralizada. Isto, por si, implica uma mudança radical no uso de energia, eliminando o uso de derivados do petróleo, transportes desnecessários e a necessidade de produzir mais diversidade e de não ameaçar, mas trabalhar em harmonia com os ecossistemas naturais. Esta é uma solução fundamental para atender a alteração climática, além de se basear na justiça social. Tudo isto não virá nunca a partir de cima, mas somente será possível pela organização e a luta a partir das bases da sociedade.

IHU On-Line - Como a senhora avalia a América Latina nesse cenário? Ela não poderia investir mais nos recursos naturais e renováveis de que dispõe e se unir enquanto bloco, nesse sentido, para ter mais poder nas negociações internacionais econômicas e políticas?
Silvia Ribeiro - A América Latina, considerando o fato de sofrer séculos de despojamento e exploração, tem recursos naturais e povos camponeses, indígenas, movimentos sociais urbanos e rurais que têm o conhecimento e a sabedoria para reconstruir sociedades justas e ecologicamente sustentáveis. Alguns governos do continente estão desenvolvendo políticas diferentes das dominantes, porém somente a luta e pressão das organizações sociais a partir das bases podem conduzir às mudanças profundas de que necessitamos.

IHU On-Line - Como entender a lógica perversa da sociedade de consumo atual que justifica a falta de preocupação ambiental?
Silvia Ribeiro - A lógica de consumo excessivo e, ao mesmo tempo injusto (a terça parte da América Latina está sob a linha de pobreza e outro tanto consome apenas o necessário), é intrínseca à lógica capitalista. A devastação do meio ambiente, embora seja uma “externalidade” do sistema, também se inclui perfeitamente nessa lógica. O capitalismo necessita destruir permanentemente para criar escassez e, desta forma, manter os preços e abrir novas oportunidades de negócios.

IHU On-Line - Qual o papel dos movimentos sociais para a transformação cultural tão necessária para a salvação do planeta?
Silvia Ribeiro - Os movimentos sociais que questionam o sistema, junto às organizações de povos indígenas, afrodescendentes, comunidades camponesas, de pescadores artesanais e outras, são muito mais do que importantes: são fundamentais para realizar as mudanças radicais econômicas, sociais, políticas e ecológicas que são necessárias para “salvar o planeta”. Qualquer outra forma de reformismo ecológico, capitalismo verde etc., no melhor dos casos, se constitui em pequenos atos paliativos que não levam às causas profundas das crises planetárias.

IHU On-Line - A senhora imagina uma total substituição do petróleo pelos agrocombustíveis, com o predomínio de fontes de energia limpas/renováveis?
Silvia Ribeiro - Segundo informes da Agência Internacional de Energia, para 2030, todos os investimentos em agrocombustíveis e outras formas de energia industrial não baseadas em petróleo apenas cobririam 9% da demanda energética global (com enormes impactos sociais e ambientais adicionais). Estes informes não levam em conta os investimentos em biologia sintética e a chamada nova economia pós-petrolífera do açúcar, que lamentavelmente continua progredindo, as quais poderiam modificar em algo esta porcentagem, porém não atingiriam “o grosso” da dependência dos combustíveis fósseis. Isso significa que o único caminho realmente viável é o questionamento radical da matriz de uso de energia e, portanto, do capitalismo que a criou e sustenta. Em nenhum cenário a base de energia em nível global devam ser os agrocombustíveis, porque implicariam um uso desmedido da terra, da água etc. Creio que se trata de pensar e construir (ou reconstruir e afirmar) o controle e a decisão comunitária, local e diversa de uso dos recursos, incluindo as fontes de energia, que necessariamente devem ser distintas, de acordo com as diversas condições geoclimáticas, culturais etc.