sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A CRISE, NA VIDA REAL.... !

São quase 10 mil novas demissões a cada dia . Essa é a realidade da Europa hoje, uma economia que sofre para dar sinais de competitividade e acumula problemas.
A crise financeira se transformou numa crise da economia real e políticos já alertam para a terceira fase: a crise social. Dados de vários governos deixam claro que a situação é a pior em mais de uma década.
A reportagem é de Jamil Chade e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 14-11-2008.
Entre os mais afetados estão os imigrantes, muitos deles brasileiros. Na Espanha, 46% dos imigrantes estão sem emprego. O Reino Unido divulgou nesta semana o pior aumento do desemprego em 16 anos. Hoje, o governo inglês é obrigado a pagar pensões a 980 mil pessoas: 1,8 milhão de trabalhadores perderam o emprego em 2008. E o pior é que a crise ainda não revelou toda sua dimensão. “Não estamos ainda no fundo do poço”, disse o ministro do Trabalho britânico, Tony McNulty.
No Reino Unido, foram 1,5 mil novos desempregados por dia entre agosto e outubro. Ontem, a British Telecom anunciou que demitiria 10 mil pessoas até o fim do ano. Em porcentuais, a taxa chega a 5,8% no Reino Unido, ante 7,5% na zona do euro, e deve aumentar para quase 9% em 2009. Para a HBOS, o desemprego pode chegar a 3 milhões até 2010.
Na França, o governo estima que são mais de 1,2 mil o número de pessoas demitidas por dia. Na Espanha, apenas o mês de outubro registrou 192 mil novos desempregados, e o número de pessoas sem trabalho já chega a 2,8 milhões - 6,7 mil por dia. Na Alemanha, a Continental vai demitir 5 mil pessoas até o fim do ano, enquanto a Opel e BMW vão dar férias coletivas e fechar temporariamente suas fábricas no país.
“O custo humano da crise será maior do que se esperava”, afirmou John Cridland, vice-diretor da Confederação da Indústria Britânica. Numa estimativa publicada há duas semanas, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) alerta que a crise atingirá 20 milhões de pessoas até o fim de 2009.
Um dos primeiros efeitos está sendo sentido entre os imigrantes. Na Espanha, quase metade dos estrangeiros que vivem legalmente no país está desempregada - cerca de 350 mil. Em outubro, 36 mil estrangeiros perderam o emprego.
O Reino Unido resolveu diminuir para 800 mil - incluindo os de outros países europeus - a quantidade de vagas para estrangeiros em 2009. O número é 20% inferior ao de 2008. Nos últimos quatro anos, 1 milhão de poloneses se mudaram para o país em busca de trabalho. Agora, poderão ser obrigados a voltar para casa.
Em um recente seminário, o presidente da petroleira BP e representante especial da ONU para Migrações, Peter Sutherland, alertou sobre o impacto da crise. “Será inevitável que a queda do crescimento global tenha um efeito sobre os imigrantes. Ou eles serão incentivados a voltar para casa ou serão os primeiros a perder seus empregos”, alertou.
ESTADOS UNIDOS
Nos Estados Unidos, o número de pedidos de auxílio-desemprego aumentou em 32 mil, para 516 mil na semana passada, segundo o Departamento de Trabalho. O anúncio surpreendeu economistas, que esperavam alta de 4 mil. A taxa de desemprego para os trabalhadores que recebem o benefício se manteve em 2,9%, o maior nível desde fevereiro de 1983. A média quadrissemanal de novos pedidos cresceu em 13.250, para 491 mil, a maior desde 1991 e acima do nível considerado de recessão por muitos economistas.



NÚMEROS QUE FALAM

"A renda dos 1.125 bilionários do planeta (US$ 4,4 trilhões) supera a renda somada de metade da população adulta do planeta. Se se quiser comparar com o Brasil, 1.125 bilionários têm uma renda que é quatro vezes tudo o que 180 milhões de brasileiros produzem de bens e serviços, informa o sociólogo Zander Navarro na coluna de Clóvis Rossi publicada no jornal Folha de S. Paulo, 14-11-2008.
Eis o comentário de Clóvis Rossi.
Zander Navarro, notável acadêmico, hoje na universidade britânica de Sussex, manda e-mail com o que chama de "ilustração dramática" do "ritmo desenfreado de apropriação da riqueza nas últimas décadas, o que gerou aumento na desigualdade".
Alguns números:
1 - A renda dos 1.125 bilionários do planeta (US$ 4,4 trilhões) supera a renda somada de metade da população adulta do planeta. Se se quiser comparar com o Brasil, 1.125 bilionários têm uma renda que é quatro vezes tudo o que 180 milhões de brasileiros produzem de bens e serviços.
2 - Segundo o Instituto para Estudos de Política, os executivos-chefes das 500 maiores corporações dos EUA ganharam em 2007, em média, US$ 10,5 milhões, 344 vezes o pagamento do trabalhador norte-americano típico.
Já os gerentes dos 50 fundos de hedge e de "private equity" receberam cada um US$ 588 milhões, mais do que 19 mil vezes o salário-tipo do norte-americano.
3 - Em agosto de 2008, a Exxon, a maior companhia do planeta, registrava lucros recordes à taxa de US$ 90 mil POR MINUTO. Os rendimentos do Wal-Mart batiam, em 2007, o produto nacional bruto da Grécia; os da Toyota superavam o da Venezuela.
Não pense que o Brasil escapa, não. Por muito que o governo cultive a lenda da queda da desigualdade, o Ipea acaba de divulgar estudo mostrando que só em 2011 o rendimento do trabalho voltará a ter a participação na riqueza nacional que tinha em 1990 (45,4%).
Mesmo que volte, continuará atrás do capital, embora o número de capitalistas seja obviamente bem inferior ao de assalariados.
No governo Lula, aliás, a queda da participação do trabalho no bolo da riqueza nacional acentuou-se até 2004, só começando a se recuperar a partir de 2005.
Todos esses números dispensam opinião. Falam sozinhos.

Um comentário:

Lilian disse...

Dica de leitura...Textos ácidos e sarcásticos, pra quem quer ficar por dentro dos assuntos políticos e dos últimos acontecimentos de forma leve.


www.mosaicodelama.blogspot.com

Boa leitura!


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